sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Degraus



  Já dizia Miley Cyrus antes do despirocamento: There's aways gonna be another mountain.
  Achei que tinha chegado ao topo da escada, mas descobri com uma curva que aquele era só o fim do primeiro lance, não sei quantos são, mas algo me diz que é muito mais do que imagino.
  Os novos degraus são grandes, parecem ser intransponíveis, estou agarrado a um deles, mas parece ser revestido de porcelana lisa, inclinada, e minhas mãos estão suadas.
  Katniss já dizia: Alguns passos você precisa dar sozinho, talvez isso seja o que mais me assusta no momento, sei onde preciso ir, sei onde devo pisar, mas sei também que ninguém pode fazer isso por mim.
  Já disse e repito, crescer dói, principalmente se você adiou o processo até não poder mais, correr atrás do tempo perdido, avançar em um mês o que devia ter avançado em um ano... não é simples, empurrar os problemas com a barriga sempre vai deixá-los a nossa frente, sentar no degrau só vai te ensinar que você nunca vai sair do lugar se continuar sentado.
  A vida é conservadora, adepta das coisas mais antigas, sua escada não é rolante, exige esforço, e nem sempre existe uma grande recompensa, provavelmente só outro lance de escada, e assim vai, até chegarmos onde precisamos. O fim da escada? Talvez, mas depois de nós alguém continuará subindo, a escada nunca termina, nós é que terminamos.


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

[Opinião] O Xará - Jhumpa Lahiri

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Editora: Biblioteca Azul (edição exclusiva TAG Experiências Literárias)

N° de Páginas: 336

Quote:

  O rosto se transforma; Ashoke nunca viu uma coisa mais perfeita. Imagina a si mesmo como uma personagem escura, granulada, borrada. Como um pai para seu filho. Outra vez ele pensa na noite em que quase morreu, a lembrança dessas horas que lhe marcaram para sempre tremula e desaparece em sua mente. Ser resgatado das ferragens daquele trem foi o primeiro milagre de sua vida. Porém aqui, agora, repousando em seus braços, pesando quase nada, mas mudando tudo, está o segundo."

Sinopse:
  Gógol Ganguli tem nome russo, sobrenome indiano e um espírito dividido. Filho de imigrantes begalis que vivem nos Estados Unidos, enfrenta desde criança a crise típica de um tempo de fronteiras instáveis e vidas em trânsito: a de não se reconhecer em nenhuma cultura ou lugar.
  Em meio a um constante conflito entre diferentes modos de vida - retratados na educação, na relação com os pais, na vida profissional -, Gógol Ganguli vai buscar no embate com o próprio nome e nas relações amorosas um espelho no qual possa descobrir quem realmente é.

Opinião:
  Já falei aqui no blog sobre minha assinatura da TAG, queria me associar mas ficava postergando, quando vi que a curadora do mês de fevereiro (longínquo inicio de ano) seria (foi, no caso) Martha Medeiros resolvi me associar de vez, e o livro escolhido pela minha querida gaúcha foi esse.
  Esse foi, salvo engano, o primeiro livro de autor indiano que li na vida, e consequentemente, meu primeiro contato "mais próximo" com a cultura do país, e eu adorei.
  É até difícil falar desse livro, mesmo se eu tivesse lido ele recentemente, o que não é o caso, felizmente é um livro marcante, e me lembro bem dele.
  Enfim, qual é o plot da história? Temos um casal indiano que se muda para os EUA para que o marido possa trabalhar como professor naquele país, lá eles tem um filho, que é o nosso protagonista, apesar de eu ter me identificado e torcido pelo pai, Ashoke.
"Ele volta para o Globe, ainda andando de um lado para o outro enquanto lê. Um leve mancar faz o pé direito arrastar-se quase imperceptivelmente a cada passo. Desde a infância ele tem o hábito e a capacidade de ler enquanto anda, segurando um livro na mão a caminho da escola, de um cômodo para o outro na casa de três andares dos pais em Alipore, ou enquanto subia e descia as escadas de argila vermelha. Nada o tirava da leitura. Nada o distraía. Nada o fazia tropeçar. Na adolescência leu toda a obra de Dickens. Leu autores mais novos também, Graham Greene e Somerset Maugham, todos comprados em sua banca favorita na rua College, com dinheiro que ganhava no pujo. Mas ele gostava dos russos mais que tudo.[...] Uma vez, um jovem primo tentou imitá-lo, caiu da escada de argila vermelha na casa de Ashoke e quebrou um braço. A mão de Ashoke sempre esteve convencida de que seu filho mais velho seria atropelado por um ônibus ou um bonde, com o nariz enterrado em Guerra e Paz. Que ele estaria lendo um liro no momento de sua morte."
  Também tenho o costume de ler enquanto caminho.
  Enfim, na cultura bengali é comum que as crianças recebam dois nomes, um "nome bom" que é o nome oficial, que constará no documento, e um "nome de criação" que é um apelido carinhoso pelo qual ele será chamado dentro da família, e apenas dentro da família. A cultura deles também valoriza e respeita muito os patriarcas e matriarcas da família (temos muito que aprender com eles) e mesmo vivendo nos Estados Unidos o casal Gaguli estava esperando uma carta da avó de um deles (tenho quase certeza que dele, mas minha memória já está meio balançada) com o "nome bom" que ela escolheu para o bebê que estava pra chegar, o nome de criação já estava escolhido, Gógol, em homenagem ao autor favorito do pai do menino, que tem toda uma história que o une aos escritos do russo, muito bacana e tocante, o livro valeria só por ela... mas a carta se perde no trânsito, e quando resolvem que o nome deverá ser dito por telefone já que não daria tempo de outra carta ser enviada... a dita avó morre.
  O que resta é batizar o menino com o "nome de criação" e esse é só o primeiro problema na tentativa de manter a tradição de seus antepassados.
  O tema principal do livro é, sem margem para questionamentos, a questão da identidade de cada um, o que define você? Seu lugar de nascimento? Sua educação escolar? Seus antepassados? Aprendi recentemente que não é nada disso, mas esse é um assunto para outro momento, mas uma coisa ainda acredito, deve-se ter respeito pelas suas raízes, coisa que nosso personagem não tem muita, mas também precisamos ver o lado dele, está em um tempo e uma terra diferente, que contrasta drasticamente com os costumes e a cultura de seus pais, que também falham em deixar que seu filho siga sua vida e encontre seu lugar no mundo.
  A escrita da autora é de uma delicadeza ímpar, não é a mais fluida do mundo, o livro demora pra passar, mas não por ser maçante, longe disso, é uma leitura que clama ser saboreada, que convida o leitor a refletir, criar empatia, coisa fácil nesse caso, os personagens são magistralmente desenvolvidos e vívidos, a autora é extremamente convincente.
  Em suma, é um livro envolvente, daqueles que te agarram e que te introduzem na história como poucos fazem, te faz rir com e dos personagens, e também te faz chorar... muito... várias vezes. e sobre o final, não quero estragar a leitura de ninguém, mas dá um dorzinha no coração, um sentimento de foi tudo em vão, é isso, essa é a vida, dura e cruel. Ele é melancólico, mas sem ser pedante, ele não é forçado, é extremamente sensível e cru.
  Sobre a edição da TAG nem tem o que falar, certo? Revisão perfeita, capa caprichada (e dura) diagramação extremamente agradável e autógrafo na folha de rosto XD

Eu sei o que vocês estão pensando, não é só a escrita da mulher que é linda

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Percebi


  É sabido que sempre existe o dia mal.
  Não é esse meu caso, hoje!
  Estou em um processo, todos estamos, por mais que neguemos ou não percebamos.
  Meu processo está sendo de amadurecimento.


  Percebi que o caminho percorrido não se compara a trilha à frente.
  Percebi que não sou tão bom quanto acreditava.
  Percebi que há muita verdade sendo dita, mas muito mais sendo retida.
  Percebi que quase nunca os olhos concordam com a boca, e que os olhos costumam ser mais sinceros.
  Percebi que a sanidade nunca está em 100% e que a bonança nunca dura para sempre.
  Percebi que crescer dói, não fisicamente, mas emocionalmente.
  Percebi que o que eu achava ser rocha, era areia.
  Percebi que não acredito mais em elogios, mas as vezes acredito.
  Percebi que é fácil se iludir, difícil é identificar quando o está fazendo.
  Percebi que tudo que percebi pode estar errado.

  Percebi-me dependente de afirmações alheias.
  Percebi que não confio em mim mesmo.
  Percebi que preciso de desintoxicação.
  Percebi que toda a desconfiança pode ser só coisa da minha cabeça.
  Mas pode não ser.
  Percebi que mesmo assim tenho com quem contar.
  Percebi que há algo maior em que me apoiar.
  Percebi que sempre fui meio paranoico.
  Percebi que é hora de mudar.


Lidos em Novembro de 2017

  Oi povo,
  Como estou meio assim com as opiniões acho que nada mais justo que fazer, pelo menos, um post com as leituras do mês, certo? E como eu li muito mais quadrinhos do que livros vou começar com eles.
  O primeiro quadrinho que li em novembro foi o primeiro volume da nova coleção Tex Gold da Salvat e com ele já decidi que vou fazer a coleção completa, falirei? Falirei, mas falirei feliz, infelizmente já perdi o segundo volume ¬¬' (aceito presentes) e depois de ler outras coisas percebi que essa foi a história mais sem graça que li do personagem, ou seja, meu amor só aumenta. Fiz um enquadrando usando esse encadernado como desculpa, mas na verdade falei bem pouco da história em si, falei mais sobre o personagem.

  Depois descobri meu verdadeiro amor, outro quadrinho italiano, mas dessa vez ao invés de faroeste temos uma história de suspense investigativo, ou melhor, duas histórias, a Mythos possui essa publicação bimestral onde ela lança duas histórias da Julia, uma criminóloga. Nessa edição temos Os Bastidores, uma história onde o diretor é encontrado morto no set de filmagem de um filme e A Oportunidade, uma senhora história sobre um cara que acaba com uma maleta que alguns criminosos estão atrás, ele se aproveita disso para arrancar dinheiro dos criminosos e meio que fazer tudo que sempre quis fazer e nunca pôde, mas talvez não seja uma ideia muito boa manter a dita maleta por perto.

  Quando fui na banca pegar o segundo volume da coleção da Salvat já não o encontrei, já tinha chegado o número 3, enfim, peguei ele, já tinha perdido o segundo não ia perder também o terceiro, certo? e gente, que volume, até agora é minha história favorita do texano, e com larga vantagem para o segundo colocado, tá que não li lá muita cosa ainda, mas mesmo assim, a história se passa na Argentina, onde Tex e seu filho vão resolver alguns problemas e impedir que estoure uma guerra entre o exército e os índios, a história é ótima, a arte é incrível, só amor por esse encadernado.

  Quando comprei o terceiro volume na baca um senhor me perguntou se eu gostava de Tex, eu disse que o que eu li eu gostei, ele me convidou para a ir a casa dele dar uma olhada na sua coleção de cerca de 700 (!?) revistas, claro que fui, e fiquei babando, quando cheguei lá ele tinha duas pilhas em cima da mesa e disse que eram as repetidas, quase 60 (*o*) e perguntou se eu queria, obviamente disse que sim, grande maioria era Tex, um pouquinho de Zagor, Julia e Mágico Vento, o qual falaremos melhor adiante, talvez eu faça um "Novos Livros Velhos" pra mostrar tudo que eu trouxe de lá, mas enfim, dentre tudo isso tinha alguns volumes (incluindo o primeiro) de Tex Edição em Cores, que é a publicação em cores das histórias do personagem em ordem cronológica (x.x) e o mais legal é que no começo ao invés de ser um ranger Tex era um famoso criminoso muito procurado, ele era um verdadeiro anti-herói, fazia justiça com as próprias mãos e isso não costumava agradar a polícia, na verdade não fazia nada muito diferente do que faz hoje, mas enfim... e o bacana é que as histórias eram contínuas, não eram apenas arcos fechados, um arco emendava no outro e assim ia.

  Como disse tinha umas do Zagor lá também, e fui todo empolgado conhecer o personagem, já que de Tex e Julia eu já tinha ficado devoto, mas me decepcionei um tantinho, também é velho oeste, também tem índios, mas não sei, falta algo, essa, em questão, é um história bem marromeno, é bem humorada e até interessante, mas sei lá, não fui muito com a cara do personagem.


  Também falei de um tal de Mágico Vento, certo? Pois bem, pela capa e pelo nome eu já imaginei que se tratava de, adivinha? Índios e faroeste, mas também vi que tinha um toque fantasioso, peguei um pra ver o que eu achava e MEUS AMIGOS, isso sim, é a melhor coisa que a Bonelli Comics poderia ter feito, o primeiro que li é uma história fechada, onde ao levar os cavalos da aldeia para uma ilhota no rio a tribo, e os cavalos, são atacados por algo e descobrem que existe um monstro no rio, de onde veio esse monstro? É simplesmente obra de, trazendo ao nosso linguajar, certo anjo caído, Mágico Vento, nosso protagonista, consegue adentrar em uma caverna no fundo do rio onde encontra o ninho do monstro e enfrenta o tal espírito mal com a ajuda do Grande Espírito, mas também descobre, olha só, que o monstro que devorava cavalos e homens como se fossem aperitivos era um filhote, o segundo volume que li é o meio de uma história, então nem vou comentar muito sobre, é uma história de guerra, profecias e força da união. o terceiro é também uma história fechada onde um camarada de Mágico Vento cuja aparência justifica seu apelido de Poe conta para uma mulher com síndrome do pânico uma vez que Mágico Vento ajudou uma outra jovem com a mesma doença a fugir de um certo monstro, acho que foi a história que eu mais gostei. (Ah, organizei errado as fotos, na verdade li a do monstrengo e da moça por segundo e a da guerra e profecia por último) Mágico Vento, infelizmente, não está mais em publicação, mas a Mythos lançou um encadernado de luxo com as primeiras edições (QUERO!!!) e, queira Deus, vai lançar outros até completar a história.

Livros

   Comecei Novembro terminando Quando os Anjos Silenciaram, do Max Lucado. Apesar da capa lembrar dos Weeping Angels de Doctor Who o livro não tem nada a ver com isso, na verdade o autor analisa a última semana de Cristo antes da crucificação, mostrando cada evento e o que cada um deles representou em um nível mais profundo, não se tornou meu favorito do autor, Gente Como a Gente ainda ocupa o primeiro lugar no pódio, mas esse também é maravilhoso, e deveria ter sido melhor revisado ¬¬'.

  Vi um vídeo do Jonas Madureira onde ele faz um paralelo entre a obra de Dostoiévski com a vida de Cristo e do cristão, e lá ele recomenda esse livro Poder Através da Oração, do E.M. Bounds e ainda falou onde encontrá-lo, a editora disponibiliza o e-book para download gratuitamente (site da editora). É um livro que, apesar de curto, dá várias sacudidas em nós, nos coloca contra a parede e mostra o quanto estamos longe da excelência.

  Pra encerrar o mês li Uma Confissão, do Tolstói. Outro livro forte, que expõe uma realidade que muitos de nós ignoramos, a busca pelo sentido da vida, pela razão de estarmos aqui e a constatação de quão vazia e sem sentido pode ser a fama.

  Enfim, contando os três livros e os oito quadrinhos que li, foi um ótimo mês, ainda mais se considerarmos que só não curti um dos quadrinhos e todos os livros foram de quatro estrelas pra cima. E voc~es, o que leram em novembro?

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Sobre a Passagem do Tempo

  Não quero falar muito, as imagens falam por si só, mas apenas para situar, um casal resolveu tirar fotos iguais todos os meses para mostrar a ação do tempo no jardim.











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