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quarta-feira, 5 de novembro de 2025

[Breve Comentário] O Fim do Mundo e o Impiedoso Pais das Maravilhas - Haruki Murakami

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"Sei o quanto isso é doloroso para você. Mas todos temos de passar por isso. Aguente firme também. Contudo, mais tarde chegará a redenção. Quando isso acontecer, você não terá mais angústias e sofrimentos. Todos irão desaparecer. Essas emoções passageiras não têm nenhum valor. Não falo por mal, mas esqueça a sua sombra. Aqui é o Fim do Mundo. Aqui o mundo acaba, não há mais para onde ir. Por isso você não pode ir mais a lugar algum."



 

terça-feira, 27 de abril de 2021

[Opinião] 1Q84 - Haruki Murakami #337

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Editora: Alfaguara

N° de Páginas: 1280

Quote:
"No céu haviam duas luas: uma pequena e outra grande. As duas estavam emparelhadas. A lua grande era a mesma que ela estava acostumada a ver. Era quase uma lua cheia de cor amarelada. Mas, ao lado dessa, havia uma outra, bem diferente. Uma lua que ela nunca tinha visto antes. Tinha o formato irregular e sua cor era levemente esverdeada, como se tivesse a superfície coberta por musgos."

Sinopse:
  1Q84 é o livro mais ambicioso de Haruki Murakami, fenômeno da literatura contemporânea. Escrita originalmente em três volumes, a obra esteve no topo das listas de mais vendidos no mundo inteiro e, só no Japão, ultrapassou a marca de 4 milhões de exemplares vendidos.
Tóquio, 1984. Aomame, uma mulher que esconde sua profissão de assassina, é enviada para matar um homem numa missão que mudará drasticamente sua vida. Em paralelo, Tengo, professor de matemática e aspirante a escritor, se envolve em um misterioso projeto de reescrever o romance Crisálida de ar, composto por uma menina de 17 anos. De forma alternada, as duas narrativas convergem, e aos poucos o leitor descobre o verdadeiro elo entre elas.
  Conforme 1Q84 caminha para uma resolução, acompanhamos o incerto destino se fechar ao redor de Aomame e Tengo. Ao mesclar com maestria suspense, fantasia e amor, Murakami alcança nesta trilogia o ápice de sua criatividade literária.

Opinião:
  Este é outro livro da minha lista de 30 antes dos 30, e até o presente momento está anos Luz a frente na minha preferência em comparação a qualquer outro, no momento que escrevo isso estou no nono livro da lista.
 
  Uma coisa eu preciso deixar clara... assim como você nunca mais olhará para uma Rosa da mesma forma depois de ler A Torre Negra, você nunca mais olhará para a lua da mesma forma depois de ler essa maravilha.






sexta-feira, 19 de março de 2021

[Opinião] Kafka à Beira-Mar - Haruki Murakami #333

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Editora: Alfaguara 

N° de Páginas: 571

Quote:
"A grande maioria dos acontecimentos é esquecida com o passar do tempo. Pouco a pouco, tanto a monstruosa guerra como a perda irreparável de preciosas vidas vão se tornando ocorrências de um passado distante. Nossas emoções são dominadas pelo cotidiano e muitos fatos de vital importância se distanciam do nosso consciente como estrelas velhas e geladas. Temos coisas demais para pensar em nossa vida diária, coisas demais para aprender. Novos sistemas, novos conhecimentos, novas técnicas, novo jargão... Por outro lado, existem lembranças que, por mais tempo que se passe e aconteça o que acontecer, não conseguiremos de maneira nenhuma apagar da nossa memória."

Sinopse:
  Kafka à Beira-mar é um dos romances mais ambiciosos do escritor japonês Haruki Murakami. Centrado na jornada de dois personagens em busca de autoconhecimento, é um livro imaginativo, com referências que vão do mundo pop às tragédias gregas.
  Kafka Tamura é um solitário menino de quinze anos que decide fugir da casa do pai para escapar de uma terrível profecia, além de tentar encontrar a mãe e a irmã, que partiram quando ele ainda era criança. Leva poucos pertences numa mochila e não sabe nem ao menos que rumo seguir.
  Sua rota de fuga irá se cruzar, inevitavelmente, com a de Satoru Nakada, um homem idoso que, após passar por um trauma inexplicável na infância, adquiriu estranhos poderes sobrenaturais. A odisseia desses personagens, tão misteriosa para eles quando para nós, será pontilhada por provações e descobertas, numa das mais surpreendentes obras da literatura dos últimos anos.

Opinião:
  Ah, Murakami!!!
  Acho que é meu dever começar dizendo que este é um livro estranho, em vários níveis... até para os padrões de Murakami... talvez sem superado apenas por Dance dance dance e O Assassinato do Comendador, esse último, inclusive, tem algumas semelhanças com o livro em questão, eu já sabia disso, mas não acho que seja algo relevante para essa postagem falar dessas semelhanças...
  Nesse livro acompanhamos dois núcleos de personagens que mais do que se cruzar vão se desencontrar... Satoru Nakada é um senhor um pouco estranho que ganha uns trocados encontrando gatos perdidos, pra isso ele conta com a ajuda de outros gatos, já que ele tem o estranho poder de conversar com eles, nao com animais no geral... só com gatos. A história dele é a que vai mergulhar mais profundamente no absurdo e a que terá os contornos mais chocantes e até com algumas pinceladas de horror.
  Mas confesso que a história do Kafkta Tamura me interessou muito mais. Kafka, que adota esse nome por causa do escritor, não ficamos sabendo seu verdadeiro nome, fugiu de casa em busca da sua mãe, que foi embora com a sua irmã quando ele era apenas um bebê, seu pai nunca se recuperou e um dia cai nas costas de Kafka a profecia de Edipo, e por isso ele foge de casa, para evitar que a dita profecia, aqui retratada mais como uma maldição, se cumpra. Se você tá boiando a maldição consistia em Kafka, um dia, matar seu pai e coabitar com a mãe e com a irmã...
  Nessa sua jornada em busca de, nem ele sabe direito o que, Kafka vai parar em uma biblioteca particular mas que é aberta ao público. É ali vai passar a maior parte da história.
  Personagens envolventes e uma narrativa reflexiva cheia de diálogos filosóficos é uma marca registrada do autor, e aqui não é diferente, além de, a meu ver, ser o livro mais crítico dele. E critico em diversos níveis. Mas devo dizer que adorei a resposta que um funcionário da biblioteca dá às dura feministas chamas que vão até lá, faço até questão de transcrevê-las abaixo:
"Veja bem, o que estou tentando lhe dizer é o seguinte: se a senhora dispõe de tempo suficiente para fuçar as pequenas bibliotecas particulares desta pequena comunidade em busca de impropriedades em banheiros e fichas catalográficas, use esse tempo para procurar outras questões, aliás abundantes, cujas soluções servirão para assegurar efetivamente o legítimo direito de todas as mulheres do nosso país. Nós qui nos dedicamos de corpo e alma a transformar esta modesta biblioteca numa instituição capaz de contribuir para o progresso da nossa pequena comunidade. [...] Peço-lhe portanto que, em vez de procurar o que não fomos capazes de realizar, procure o que fomos capazes de realizar. Esta seria a imparcialidade que apregoa, não seria?"

Melhor ainda o que a personagem fala depois, com uma conversa com o protagonista:
"As pessoas podem ser gays, lésbicas, feministas, fascistas, comunistas, hare krishna, nada disso me importa. Qualquer que seja a sua bandeira, não me importa. O que considero insuportável são pessoas vazias. Quando as tenho diante de mim, acabo falando mais do que pretendo, sem querer. Há pouco, por exemplo, eu devia ter deixado essas duas mulheres falar e quanto quisessem, devia tê-las tratado de maneira convencional. [...] Mas isso está acima de minhas forças. Esse é meu ponto fraco [...] Porque tratar com seriedade todas as pessoas desprovidas de imaginação é se desgastar infinitamente. [...]"
 
 E desse ponto a conversa continua, falando sobre pessoas de mentalidade tacanha, teorias infundadas e ideais usurpados.
  Nessa jornada de autodescoberta de ambos os protagonistas teremos várias conversas parecidas, o que nos faz pensar que a imbecilidade coletiva está sim crescendo, mas felizmente a sensatez tem seus remancentes.





terça-feira, 17 de novembro de 2020

[Opinião] O Assassinato do Comendador Vol. 2 - Haruki Murakami #316

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Editora: Alfaguara

N° de Páginas: 375

Quote:

"Se eu conseguir te retratar direito, talvez você consiga ver, com seus próprios olhos, como é sua imagem vista através dos meus olhos."

Sinopse:
  No primeiro volume desta história, deixamos o protagonista ansioso para saber o que esta escondido atrás da pintura chamada de O assassinato do comendador. Ele também aprendeu a conviver com os estranhos personagens e objetos que o cercam desde que se estabeleceu em uma casa nas montanhas. E, a pedido de seu vizinho, começou a esboçar o retrato de uma adolescente peculiar, Mariê Akikawa.
  Contudo, Mariê desaparece misteriosamente no caminho de volta da escola, e nosso protagonista se lança em uma busca frenética. Neste segundo livro, de ritmo acelerado e cheio de suspense, os desfechos são revelados e se encaixam como num quebra-cabeças, para que toda a pintura faça sentido.
  Uma obra tão monumental quanto 1Q84, este livro perturbador e hipnotizante trabalha as obsessões mais íntimas do Mestre Haruki Murakami.

Opinião:
  É meio difícil, pra não dizer quase impossível, falar qualquer coisa desse livro sem dar spoilers do vol. 1. Isso porque se trata de um livro só, que foi divido aqui para poder arrancar mais dinheiro dos leitores.
  Então vamos começar esclarecendo que as metáforas são tão abundantes que viram até personagens nessa história, cão teu tudo que está nas entrelinhas? Duvido, e duvido muito. 
  Tudo deixa uma impressão de estar escondendo algo, desde o buraco na mata, os guizos e o tal vizinho, que transmite essa sensação até para o protagonista. Talvez eu já tenha falado isso tudo quando comentei sobre o primeiro volume aqui, mas não lembro hehe.
  A forma cíclica que o autor estruturou a história me fez ficar pensando sobre ela, como leitor experiente de Murakami estou acostumado com finais... inesperados, para dizer o mínimo, mas aqui a experiência foi bastante diferente. Mesmo com aquela conhecida reflexão de que "será que toda essa experiência transformou o personagem a ponto de ele tomar determinado rumo na sua vida?" Aqui o autor nos mostra um final que não possui muita ramificação possível.
  Sem dúvida posso afirmar que figura entre as minhas obra favorita do autor, foi um dos livros mais visuais e imersivos que já li dele e alguns cenários e personagens (mesmo o protagonista sem nome) continuam bem vívidos em minha mente, ainda quero fazer uma releitura, emendar os dois volumes e ler a obra como o autor idealizou, e não com um ano de intervalo, como eu fiz.
  Pra variar, eu deixo aqui a forte recomendação do livro, bem como de toda a obra desse autor incrível, você já leu? Me conta aí o que achou.







domingo, 2 de agosto de 2020

[Opinião] Do que Eu Falo Quando Eu Falo de Corrida - Haruki Murakami #293

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Editora: Alfaguara

N° de Páginas: 152

Quote:
"Por mais mundana que uma ação possa parecer, fique nela tempo suficiente e ela se tornará um ato contemplativo, meditativo, até."

Sinopse:
  Em 1982, Haruki Murakami decidiu vender seu bar de jazz em Tóquio para se dedicar à escrita. Nesse mesmo período, começou a correr para manter a forma. Um ano mais tarde, ele completou, sozinho, o trajeto entre Atenas e a cidade da Maratona, na Grécia, e viu que estava no caminho certo para se tornar um corredor de longas distâncias.
  Os anos se passaram, e os romances de Murakami ganahram o mundo. Traduzidos em 38 idiomas, ele é um dos autores mais importantes da atualidade. É também um maratonista experimentado e um triatleta. Agora, ele reflete sobre a influência que o esporte teve em sua vida e, sobretudo, em seu texo.
  Este é um livro bem-humorado e sensível, filosófico e revelador, tanto para os fãs deste grande e reservado escritor quanto para as inúmeras pessoas que encontram satisfação semelhante nas corridas.

Opinião:
  Tenho vários amigos que são praticantes assíduos de corrida, eles correm com a mesma frequência com a qual eu leio, ou seja, bem mais do que uma pessoa normal faria, e esses amigos sempre me incentivaram a prática. Coisa que sempre recusei com toda a educação de meus comentários nível "você bebeu?" pra baixo.
  Já sabia há um tempo que o autor, que é meu favorito, caso você não saiba, era um adepto das maratonas, e na minha concepção correr tanto deve ser o motivo de ele escrever umas coisas sem pé nem cabeça às vezes.
  De qualquer forma esse livro é quase um diário onde ele vai contar sua vida como corredor, suas primeiras e mais marcantes experiências com o esporte, o quanto ele odeia a parte do ciclismo no triatlo (que é a única parte que eu não me importaria de fazer, inclusive) e faz paralelos entre o esporte e a vida de escritor.
  Como qualquer coisa que esse japonês escreve, é legal, mas passa longe de ser uma obra imperdível, o valor está mais no quesito autobiográfico e para os amantes das maratonas (o que, vocês devem ter percebido, não é o meu caso) deve ser uma leitura bem... sei lá, acolhedora, talvez.
  Percebo que tenho sido bem contido em meus comentários sobre os livros ultimamente... mas enfim, não tenho mais o que falar, mesmo que não seja um livro do qual se possa dar spoilers acho que é bom ir vendo o progresso do autor na vida de maratonista, e depois ver também a diminuição do ritmo devido à idade.
  Taí, essa é outra coisa interessante do livro, com certeza devido ao exercício físico o autor envelheceu com muito mais saúde do que meros sedentários, mas é legal ver que a velhice vem, não importa o que você faça, e por mais "monstrão" que você seja em sua prática de vida saudável você não pode mudar o ciclo natural (nesse quesito, em outros tem muita gente mudando).
  Em suma, é um livro para quem gosta de corrida ou do autor, e um livro que vai mostrar que o tempo sempre leva um pouco de nós conforme vai passando.


quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

[Opinião] O Assassinato do Comendador - Vol. 1 - Haruki Murakami #261

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https://www.skoob.com.br/o-assassinato-do-comendador-818072ed822482.html
Editora: Alfaguara

Nº de páginas: 357

Quote:

"Vista em retrospecto, a vida parece uma coisa bastante extraordinária, repleta de coincidências inacreditáveis e acontecimentos imprevisíveis e tortuosos."


Sinopse:  Um casal se separa em meio a uma crise conjugal que o marido nem sabia que estava acontecendo. Ele, então, abandona Tóquio e passa a viver em seu carro, viajando pelo Japão. Pintor de retratos reconhecido no meio, acaba indo morar em uma casa nas montanhas que pertenceu ao famoso artista Tomohiko Amada, onde pode se dedicar à própria pintura.
Nessa morada isolada, ele descobre um quadro inédito, intitulado O assassinato do comendador, que ao mesmo tempo o fascina  o perturba. Ao tirá-lo de seu esconderijo, o homem entra em um mundo estranho, em que o passado volta par interferir no presente.
  Primero romance longo de Murakami desde 1Q84. O assassinato do comendador é uma aventura emocionante e uma busca por aquilo que nos torna únicos. 

Opinião: 
   Existem momentos que eu penso em desistir do blog, toda vez que não consigo manter a periodicidade desejada tenho vontade de mandar tudo às favas, mas gosto desse meu cantinho, é é onde posso falar sobre o que eu leio, manter um registro, nem que seja apenas pessoal, e esse registro é importante para mim.
  Primeiro gostaria de expressar meu descontentamento com a ideia de dividir o livro em duas partes, sei que não foi só no Brasil que isso foi feito, talvez tenha acontecido até mesmo no Japão, mas não pesquisei a fundo, até porque é difícil encontrar informações sobre o mercado editorial japonês na internet, a lista de ordem de publicação que fiz do autor não continha esse livro, porque não havia visto qualquer registro da existência dele, que foi lançado no início do ano passado.
  Aqui temos mais um personagem sem nome, mas que não acredito ser o mesmo cara da "Saga do Rato", as primeiras obras do autor, já que a vida dele é bem diferente.... Nosso protagonista é casado e acredita estar tudo bem com sua vida, mas sua esposa pensa diferente, ela quer se separar. Com o dinheiro que ganha pintando retratos ele resolve tirar umas férias e viajar a esmo pelo Japão, até receber a oferta de ocupar a antiga cabana que pertencia ao pai de um amigo, que era um renomado pintor.
  Ao se mudar para o chalé, que fica na encosta de uma montanha, um lugar extremamente agradável,, e descrito de forma tão bela que formulamos uma imagem bem vívida do lugar em nossa mente durante a leitura. Eu já não sei o que é considerado spoiler ou não, mas muita coisa no mínimo estranha vai acontecer depois que o protagonista vai para aquela cabana.
  Uma coisa que me incomodou foi a divisão do livro em dois volumes, mais que isso a demora para lançarem a segunda parte, não é um livro tão gigantesco que não pudesse ser publicado como volume único, mas isso não é uma exclusividade do Brasil, outros países também publicaram a obra em dois volumes (não tenho certeza, mas acho que mesmo no Japão foi feito isso). Mas a Alfaguara é, provavelmente, a editora que mais está demorando para lançar a continuação, quando questionei-os a respeito do assunto eles disseram que em breve trariam notícia sobre isso... ele já está em pré-venda na Amazon, com data de lançamento para 28/02. O que complica é o fato de o primeiro volume terminar praticamente no meio de uma frase.
  Em suma, é um livro muito bom e envolvente, com um mistério em cima do outro e que, nesse primeiro volume não temos resposta nenhuma, mas nos afeiçoamos aos personagens e torcemos por eles, a escrita do Murakami segue impecável e digna de qualquer elogio que se possa tecer à mesma, e agora só nos resta esperar pela conclusão.











PS: Feliz Natal!!!!

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

[Opinião] Dance dance dance - Haruki Murakami #241

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Editora: Alfaguara

N° de Páginas: 496

Quote:
''Valorize aquilo que não pode ser verbalizado. Isso é ter consideração pelos que estão mortos. O tempo elucidará muita coisa. O que deve restar, restará, e o que não deve não permanecerá. O tempo resolve a maior parte das coisas. Você deve resolver o que o tempo não resolve"

Sinopse:
  Com muitas referências à música e ao universo pop, dos Beach Boys a Star Wars, Dance dance dance é uma junção do estilo único de Murakami - com seus personagens e cenários inusitados - com um thriller eletrizante.
  O protagonista deste romance é um escritor freelance que se identifica apenas como um ''limpa-neve cultural'': ele aceita todos os tipos de trabalho, mesmo as reportagens mais estranhas, para tentar se reintegrar à sociedade após uma série de eventos traumáticos em sua vida. Enquanto tenta reordenar os fatos do passado, ele procura uma antiga namorada que está desaparecida e decide voltar ao local em que a viu pela última vez - o Hotel do Golfinho. Mas o hotel também não é mais o mesmo.
  Procurando respostas para seus questionamentos, ele é levado a um misterioso mundo de desaparecimentos, atividades ilícitas e especulações, que fazem deste um romance enigmático e envolvente.
Opinião:
  Já li muita coisa maluca do autor, mas esse consegue superar a todos.
  Neste livro voltamos a acompanhar nosso protagonista sem nome que também nos conduziu pelas histórias Ouça a Canção do Vento, Pinbal 1973 e Caçando Carneiros, e só nesse livro eu percebi que é o mesmo protagonista, ele inicia o livro falando um pouco do seu passado e conta alguns acontecimentos dos livros anteriores, e mesmo que os outros três sejam conhecidos como "trilogia do Rato" esse não entra como parte da ''série'', provavelmente porque o Rato não aparece nessa história, apesar de ser mencionado diversas vezes.
  Não há muito o que eu possa falar dessa história sem revelar alguns acontecimentos de Caçando Carneiros, pois além de se passar com o mesmo protagonista e por vezes no mesmo lugar esse livro é meio que uma consequência das ações tomadas no livro anterior, basta saber que o fulano (vamos chamá-lo assim, já que o Murakami não se dignou a dar um nome para o desinfeliz) precisa retornar ao hotel onde ficou hospedado no livro anterior, ao concluir a viagem e se dirigir ao endereço pretendido não encontra o hotelzinho simples que conhecia, no seu lugar está um gigantesco e luxuoso hotel cuja única semelhança que tem com o antigo é o nome, ele então resolve se hospedar ali e logo as coisas começam a... como posso dizer? Sair do campo da realidade.
  Aqui revemos diversos personagens que apareceram nos livros anteriores, em especial no Caçando Carneiros, todos tem um ótimo desenvolvimento e a frase "por que será?" vira praticamente o bordão do nosso protagonista: Você entrou no elevador e quando saiu não estava mais no hotel, mas em um lugar totalmente estranho. Por que será?" "Desde sempre pessoas que não conheço vêm desabafar comigo, por que será?" "Nem sei seu nome mas confio em você, por que será?"
  Diferente do que pode parecer a quantidade extravagante de "por ques serás?' não faz com que o livro fique enfadonho, pelo menos não para mim, eu me pegava pensando na complexidade do personagem, um "por que será?" me parecia reflexivo, enquanto outro parecia ser dado em tom de chacota, zombando de seu interlocutor.
  O protagonista é carregado pela avalanche de irrealidade e acaba descobrindo coisas que elevariam o ego de pessoas mais... normais, para usar a palavra que melhor cabe. Cada passagem do livro nos faz refletir sobre o que está realmente sendo falado, não só o texto em si, mas o que parece que o autor quis transmitir para quem se dispusesse a pensar no significado de cada maluquice que ele despejou nessas quase 500 paginas.
  Os demais personagens, embora sejam muito bem trabalhados, não parecem ter vida própria, toda história gira em torno do protagonista, inclusive os demais humanos que aparecem, ora pensamos se tratarem da personificação de um desejo, pensamento ou sensação ora os vemos como se fossem meros reflexos do próprio protagonista.
  O tom surrealista do livro, em diversos momentos, nos faz imaginar se o protagonista está sonhando, alucinando ou mesmo vivo. Mas a história em si, deixando de lado tudo que pode estar subentendido e esperando ser decifrado consegue ser extremamente interessante, é viajada? Muito! Parece que o autor é um esquizofrênico com alzheimer que escreveu o livro enquanto estava entupido de ácido? Parece, mas a história é concisa (dentro dos parâmetros nos quais é feita) e se liga muito bem com os livros anteriores (que também eram meio fumados) e não deixa pontas soltas, pelo menos nenhuma que ele ache necessário fechar, explicação para o surreal não vai ter, é nisso que consiste o realismo mágico, tudo, por mais absurdo que seja, é aceito como, no máximo, levemente estranho, pelos personagens.
  Então mesmo que você não queira ficar juntando pedaços de um quebra-cabeças que parece ser feito de fumaça você vai conseguir se divertir e se envolver com a história.
  Se você quiser ler ele sem ter lido os anteriores você não será tão prejudicado em relação a entender a história, claro que alguns acontecimentos não terão tanto peso no seu psicológico, digo, emocional, como terão para quem leu os livros, você perderá algumas referências e terá alguns spoilers, obviamente.
  Enfim, é um livro delicioso que permite infinitas interpretações e experiências, fecha muito bem a história de um protagonista que acompanhamos (eu acompanhei, pelo menos) sem nem mesmo saber que estávamos acompanhando mas que nos conquista aos poucos.
  E gostaria de terminar dizendo que como não quis revelar nada do enredo dos livros anteriores achei que essa postagem seria minúscula mas percebi que posso continuar falando sobre esse livro até amanhã, hehe.
  Para encerrar - de verdade agora - quero reiterar a minha indicação de Sempre, leiam Murakami, causa certa estranheza mas vale muito a pena.

Foto antiga, mas é a que está no Skoob

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

[Lista] Autores dos quais quero ler tudo (atualizada)

  Oi povo,
  Já tem mais de três anos que fiz essa lista pela primeira vez, e algumas coisa mudaram, você pode conferir a primeira versão clicando aqui e comparar com essa

01. Leon Idris

  Vamos começar com um autor nacional jovem e independente? Vamos sim, Leon Idris tem vinte e poucos anos e mesmo com a pouca idade ele mostra o que é saber escrever. Ele só tem dois livros publicados O deserto dos meus olhos (que você pode comprar a versão física clicando aqui) e Minha sombra cabe ali e os contos Há Pouco, Alfred e a Estante, Sobre o que nos separa e Cá estamos porque chegamos, há também um conto chamado Impermanência, mas esse foi retirado da Amazon pelo autor, quando perguntei ele disse que foi para reescrevê-lo, mas até hoje ele ainda não o disponibilizou novamente :/

02. Haruki Murakami

  Claro que o excêntrico japonês maratonista e antissocial ia aparecer aqui, Murakami me conquistou de forma assombrosa logo nas primeiras palavras do conto Sono. O final me deixou completamente encantado e logo passei para os romances, começando com O Incolor Tsukuru Tazaki e Seus Anos de Peregrinação, que confirmou a excelência do autor em seu ofício, li também a coletânea Homens sem Mulheres e os romances Minha Querida Sputnik, Norwegian Wood (que, apesar de ser o mais famoso do autor, eu não gosto), Ouça a Canção do Vento & Pinball. 1973, que são as duas primeiras histórias escritas por ele, publicadas em um volume único aqui no Brasil. E o não-ficção Romancista como vocação.

03. Clive Staples Lewis

  C. S. Lewis foi considerado "o mais relutante dos convertidos" e depois de ler sua biografia a gente entende o porquê disso. Mas é inegável que ele é a prova viva (foi a prova viva, hoje é só a prova) de que o cristianismo nunca exigiu o suicídio intelectual, muito pelo contrário, reconhecer a existência de um ser superior que comanda a natureza e orquestrou o universo é a única resposta plausível para os questionamentos da existência. O autor é mais famoso pela sua saga fantástica As Crônicas de Nárnia, apesar de eu, particularmente, gostar mais de Até Que Tenhamos Rostos no que se refere a fantasia, li também Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz, Cristianismo Puro e Simples (que provavelmente é o meu favorito dele), A Abolição do Homem (que apesar de minúsculo é bem complexo, tanto que vou precisar reler para absorver melhor) e Os Quatro Amores.

04. Agatha Christie

  Quando li Assassinato no Expresso do Oriente jamais imaginei que a Agatha entraria para essa lista, também não acreditava nisso quando terminei O Natal de Poirot. Só quando li O cavalo amarelo é que passei a realmente gostar da autora, e de lá pra cá meu amor por ela só aumentou, li também Um Corpo na Biblioteca, Os Elefantes Não Esquecem, Um Brinde de Cianureto, E não Sobrou Nenhum (meu favorito) e O misterioso caso de styles que foi meu primeiro audiobook.

05. Brennan Manning

  Acabo de perceber que, até o momento, só dois autores dessa lista ainda estão vivos, Brennan Manning foi um padre que morreu em 2013 aos 79 anos, se não me engano, e os livros dele são simplesmente fenomenais. Dele já li O Anseio Furioso de Deus, O Evangelho Maltrapilho (meu favorito, até o presente momento), Colcha de retalhos, O Obstinado Amor de Deus (que li rápido demais e preciso reler) e estou terminando O Impostor que Vive em Mim, que, talvez, se torne meu favorito.

06. Max Lucado

  Fala que ele não parece aqueles pastores de filmes gospel. Enfim, Max Lucado sempre me chamou a atenção, mesmo quando não havia lido nada dele, não sei exatamente o porquê, mas é assim, hoje já li bastante coisa, inclusive tive uma bíblia de estudo onde tinha vários textos dele. De livros eu já li A Historia De Um Anjo, A Graça Bate a Sua Porta, Gente como a gente, Quando Os Anjos Silenciaram, Na Jornada com Cristo, O Fim da Ansiedade e Dias Melhores Virão.

07. Tammy Greenwood


  Mais conhecida como apenas T. Greenwood a autora teve dois livros publicados no Brasil Um Mundo Brilhante e Dois Rios que é o que fez com que essa autora entrasse para a lista, infelizmente ela não fez muito sucesso por aqui e não teve mais nenhum livro publicado em português, até comprei Boddies of Water para exercitar meu inglês e poder ler mais coisas dela, mas ainda não sou capaz de lê-lo.

08. Evie Wyld 

    Agora entramos na parte das que me conquistaram com apenas um livro, começando com Evie, ela só tem Onde Cantam os Pássaros publicado no Brasil, quando contatei a editora eles disseram que tem planos para trazer outros livros dela pra cá,  mas estão demorando demais para o meu gosto.

09. Jhumpa Lahiri 

  Essa, felizmente, tem outros livros no Brasil, mas são poucos, já tenho todos eles mas fico com medo de esgotar a obra, apesar de ser o que eu quero não quero que seja logo. Dela só li O Xará por enquanto.

10. Harlan Coben 

  Claro que ele não podia faltar nessa lista, Harlan Coben é um dos meus autores favoritos e dele já li vários livros, em ordem foram: O Preço da Vitoria, O Inocente(Até hoje um dos meus favoritos), Desaparecido Para Sempre, Sem deixar rastros, Não Conte a Ninguém(que acho que o autor acabou se perdendo no final, mas é muito bom), Cilada (provavelmente, o meu favorito), Seis Anos Depois, Quebra de confiança (outro favorito), Fique Comigo (minha maior decepção com o autor), O Medo Mais Profundo e Jogada Mortal e ele também é um dos 2 sobreviventes da lista original.

  Claro que há outros, Lucinda Riley,  Jodi Picoult e M. L. Stedman ainda são autoras que pretendo esgotar a obra, se tiver oportunidade também quero fazer isso com o King, mas já não é prioridade.
  E vocês? Quais são os autores que vão te falir?


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