quarta-feira, 21 de agosto de 2019

[Opinião] Dance dance dance - Haruki Murakami #236

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Editora: Alfaguara

N° de Páginas: 496

Quote:
''Valorize aquilo que não pode ser verbalizado. Isso é ter consideração pelos que estão mortos. O tempo elucidará muita coisa. O que deve restar, restará, e o que não deve não permanecerá. O tempo resolve a maior parte das coisas. Você deve resolver o que o tempo não resolve"
 

Sinopse:
  Com muitas referências à música e ao universo pop, dos Beach Boys a Star Wars, Dance dance dance é uma junção do estilo único de Murakami - com seus personagens e cenários inusitados - com um thriller eletrizante.
  O protagonista deste romance é um escritor freelance que se identifica apenas como um ''limpa-neve cultural'': ele aceita todos os tipos de trabalho, mesmo as reportagens mais estranhas, para tentar se reintegrar à sociedade após uma série de eventos traumáticos em sua vida. Enquanto tenta reordenar os fatos do passado, ele procura uma antiga namorada que está desaparecida e decide voltar ao local em que a viu pela última vez - o Hotel do Golfinho. Mas o hotel também não é mais o mesmo.
  Procurando respostas para seus questionamentos, ele é levado a um misterioso mundo de desaparecimentos, atividades ilícitas e especulações, que fazem deste um romance enigmático e envolvente.
Opinião:
  Já li muita coisa maluca do autor, mas esse consegue superar a todos.
  Neste livro voltamos a acompanhar nosso protagonista sem nome que também nos conduziu pelas histórias Ouça a Canção do VentoPinbal 1973 e Caçando Carneiros, e só nesse livro eu percebi que é o mesmo protagonista, ele inicia o livro falando um pouco do seu passado e conta alguns acontecimentos dos livros anteriores, e mesmo que os outros três sejam conhecidos como "trilogia do Rato" esse não entra como parte da ''série'', provavelmente porque o Rato não aparece nessa história, apesar de ser mencionado diversas vezes.
  Não há muito o que eu possa falar dessa história sem revelar alguns acontecimentos de Caçando Carneiros, pois além de se passar com o mesmo protagonista e por vezes no mesmo lugar esse livro é meio que uma consequência das ações tomadas no livro anterior, basta saber que o fulano (vamos chamá-lo assim, já que o Murakami não se dignou a dar um nome para o desinfeliz) precisa retornar ao hotel onde ficou hospedado no livro anterior, ao concluir a viagem e se dirigir ao endereço pretendido não encontra o hotelzinho simples que conhecia, no seu lugar está um gigantesco e luxuoso hotel cuja única semelhança que tem com o antigo é o nome, ele então resolve se hospedar ali e logo as coisas começam a... como posso dizer? Sair do campo da realidade.
  Aqui revemos diversos personagens que apareceram nos livros anteriores, em especial no Caçando Carneiros, todos tem um ótimo desenvolvimento e a frase "por que será?" vira praticamente o bordão do nosso protagonista: Você entrou no elevador e quando saiu não estava mais no hotel, mas em um lugar totalmente estranho. Por que será?" "Desde sempre pessoas que não conheço vêm desabafar comigo, por que será?" "Nem sei seu nome mas confio em você, por que será?"
  Diferente do que pode parecer a quantidade extravagante de "por ques serás?' não faz com que o livro fique enfadonho, pelo menos não para mim, eu me pegava pensando na complexidade do personagem, um "por que será?" me parecia reflexivo, enquanto outro parecia ser dado em tom de chacota, zombando de seu interlocutor.
  O protagonista é carregado pela avalanche de irrealidade e acaba descobrindo coisas que elevariam o ego de pessoas mais... normais, para usar a palavra que melhor cabe. Cada passagem do livro nos faz refletir sobre o que está realmente sendo falado, não só o texto em si, mas o que parece que o autor quis transmitir para quem se dispusesse a pensar no significado de cada maluquice que ele despejou nessas quase 500 paginas.
  Os demais personagens, embora sejam muito bem trabalhados, não parecem ter vida própria, toda história gira em torno do protagonista, inclusive os demais humanos que aparecem, ora pensamos se tratarem da personificação de um desejo, pensamento ou sensação ora os vemos como se fossem meros reflexos do próprio protagonista.
  O tom surrealista do livro, em diversos momentos, nos faz imaginar se o protagonista está sonhando, alucinando ou mesmo vivo. Mas a história em si, deixando de lado tudo que pode estar subentendido e esperando ser decifrado consegue ser extremamente interessante, é viajada? Muito! Parece que o autor é um esquizofrênico com alzheimer que escreveu o livro enquanto estava entupido de ácido? Parece, mas a história é concisa (dentro dos parâmetros nos quais é feita) e se liga muito bem com os livros anteriores (que também eram meio fumados) e não deixa pontas soltas, pelo menos nenhuma que ele ache necessário fechar, explicação para o surreal não vai ter, é nisso que consiste o realismo mágico, tudo, por mas absurdo que seja, é aceito como, no máximo, levemente estranho, pelos personagens.
  Então mesmo que você não queira ficar juntando pedaços de um quebra-cabeças que parece ser feito de fumaça você vai conseguir se divertir e se envolver com a história.
  Se você quiser ler ele sem ter lido os anteriores você não será tão prejudicado em relação a entender a história, claro que alguns acontecimentos não terão tanto peso no seu psicológico, digo, emocional, como terão para quem leu os livros, você perderá algumas referências e terá alguns spoilers, obviamente.
  Enfim, é um livro delicioso que permite infinitas interpretações e experiências, fecha muito bem a história de um protagonista que acompanhamos (eu acompanhei, pelo menos) sem nem mesmo saber que estávamos acompanhando mas que nos conquista aos poucos.
  E gostaria de terminar dizendo que como não quis revelar nada do enredo dos livros anteriores achei que essa postagem seria minúscula mas percebi que posso continuar falando sobre esse livro até amanhã, hehe.
  Para encerrar - de verdade agora - quero reiterar a minha indicação de Sempre, leiam Murakami, causa certa estranheza mas vale muito a pena.

Foto antiga, mas é a que está no Skoob

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