"O advogado de defesa era um dos bambas do tribunal. Por que ele me aparecia agora sob os traços de um altivo gorila, assim como, aliás, o promotor, outra celebridade? Por que eu assimilava o desencadear de seus gestos e de suas intervenções a reflexos condicionados resultantes de um bom adestramento? Por que o presidente do tribunal confundia-se com um orangotango solene recitando frases decoradas, cuja emissão era automática, calcada, por sua vez, na falta de uma testemunha qualquer ou em determinado murmúrio da multidão?"
Nesse ponto o narrador está querendo dizer o quão acostumado a viver entre símios "espirituais", usando as palavras do próprio, ele ficou a ponto de quando se lembrava da Terra eram macacos que ele via no lugar dos humanos, mas podemos interpretar algo mais que isso...
Uma coisa que é especulada diversas vezes no livro, é se os macacos se tornaram civilizados no planeta Soror devido à sua facilidade de imitação (mas quem eles teriam imitado naquele planeta?), então voltemos ao trecho destacado: Até que ponto estamos acomodados e estagnados, gozando das invenções e descobertas de nossos antepassados, criando sempre repetidores de informação ao invés de tentarmos aprender e criar algo realmente novo? Até que ponto a tradição é sadia? Será que não estamos usando discursos prontos no nosso dia-a-dia?
Muitos (pra não dizer todos) de nós vem decorando as coisas ao invés de aprender, e praticamente ninguém inova, a tecnologia me parece ser a única coisa que vem ganhando espaço e se desenvolvendo, enquanto nós nos tornamos preguiçosos e acreditamos que não há mais nada a ser criado ou descoberto...
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