sexta-feira, 20 de maio de 2016

[Opinião] As Luzes de Setembro - Carlos Ruiz Zafón

Editora: Suma de Letras

N° de Páginas: 231

Quote:
Como seu falecido marido tinha dito uma vez, não vale a pena perder tempo tentando mudar o mundo, basta evitar que o mundo mude você."

Sinopse: (por que raios não consigo deixar isso preto?)
  Aquele foi um verão inesquecível...
  Com 14 anos, Irene muda-se com a família de Paris para o litoral da Normandia. Ela fica encantada com a beleza do lugar - os despenhadeiros imensos, o mar e os portos. Lá, ela conhece Ismael, e os dois logo se apaixonam. Porém, quando menos esperam, se veem enredados numa trama nebulosa.
  Irene e Ismael desvendam o segredo de um fabricante de brinquedos numa espetacular mansão repleta de seres mecânicos e sombras do passado. Juntos, graças a força do amor, enfrentam o medo e investigam estranhas luzes que brilham através da névoa em torno do farol de uma ilha. Os moradores do lugar falam sobre uma criatura de pesadelo que se esconde nas profundezas da floresta.
  Aquele mágico verão na Baía Azul será para sempre a aventura mais emocionante de suas vidas.

Opinião:
  Sabe quando você admira muito um autor?
  É triste quando você se decepciona com ele...
  Não que o livro seja ruim... se bem que talvez ele seja... Enfim, vou falar o que achei dele e vocês leiam o livro e me falem o que acharam....
  Aqui conhecemos Irene, nossa protagonista, ela acaba de ficar órfã de pai e vê sua família ser massacrada pelas dívidas deixadas por ele, numa questão de aproveitar as oportunidades e lutar por uma vida melhor eles acabam indo parar em Baía Azul, uma cidadezinha litorânea com todas as características de cidade pequena.
"Paris era uma cidade de desconhecidos, um lugar onde era possível viver durante anos sem saber o nome da pessoa que vivia no apartamento ao lado. Já em Baía Azul, era impossível espirrar ou coçar a ponta do nariz sem que o acontecimento tivesse ampla cobertura e repercussão em toda a comunidade. Era uma cidade onde os resfriados eram notícia e as notícias eram mais contagiosas que os resfriados. Não havia jornal local e também não fazia a menor falta."
  Lá ela, uma garota aprendendo sobre a vida em um período de descobertas e sua família (sua mãe, uma guerreira e íntegra trabalhadora, e seu irmão, uma criança reclusa que tem paixão pela cartografia) começam finalmente a se reerguer. Simone (a mãe) trabalha bem e conquista a simpatia e confiança, e talvez até algo mais, de seu patrão, que também arruma emprego para o irmãozinho de Irene, que por sua vez cai nos encantos de um jovem local (primo, criado como irmão, da outra empregada de Lazarus Jann), e é aí que a história desanda... Vi gente reclamando do livro Marina dizendo que esperava que ele explorasse mais o relacionamento entre os personagens ao suspense macabro que o enredo seguiu, quem reclamou disso vai adorar esse. Apesar de ele ter seu suspense, que poderia sim, ser bem menos enrolado e é até bastante previsível, diga-se de passagem, ele foca muito mais, exaustivamente, eu diria, no romance adolescente irritante.
  Não que o mistério seja deixado de lado, mas é pouco desenvolvido e, como já disse, previsível. A capa e o título nos fazem pensar que o grande mistério são as tais luzes que aparecem na ilha do farol, mas durante a história elas nem sequer aparecem, são apenas mencionadas, em uma origem e uma lenda... e nada mais. O livro acaba falando que o mistério foi resolvido e as ditas Luzes de Setembro podem seguir seu curso ao além mas não acontece nada que "resolveria" o mistério.
  Claro que a escrita saborosa do Zafón se mantém nesse livro, apesar de uma determinada palavra, que talvez tenha sido destoada na tradução, mas que, a meu ver, não combina com o autor:
"Ismael espera por ela munido de uma grossa jaqueta de couro, calças de trabalho e um par de botas que pareciam ter feito várias vezes o caminho de ida e volta para a Conchinchina."
  Conhecendo o estilo do autor, depois de ler, contado esse, quatro livros dele, "Conchinchina" não me parece o tipo de palavra que ele colocaria nessa frase. Acho que ele colocaria algo como "[...]pareciam ter feito várias vezes o caminho de ida e volta para os confins do mundo conhecido/ para os limites do nosso mundo" ou algo assim.
  Enfim, esse foi o último livro juvenil escrito pelo autor, e acho que não tenho mais paciência para livros cujo público alvo seja de uma faixa etária inferior a qual me encontro... pretendo ler os livros mais adultos dele, e acredito que minha admiração por ele ira se reascender.


4 comentários:

  1. Mais crianças?
    Bom, eu não quero ler um livro de "suspense" que não foque principalmente no "suspense". Não gosto muito de romancesinhos, muito menos dos de adolescentes e livros previsíveis não são bons pra mim.
    Mas gostei demais da resenha e agora sei que deixarei esse para depois de "O Principe da Névoa".

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    Respostas
    1. O Príncipe da Névoa é muito bom, o interessante é que no prefácio desse o autor fala que ele trás algumas respostas para perguntas feitas em OPDN, mas além de não encontrar nenhuma esse livro não trouxe respostas nem para as perguntas dele mesmo

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  2. Oi, Rudi! Tudo bem? Poxa, que pena que o livro não tenha sido tão bacana assim... É tão ruim quando nos decepcionamos com um autor que a gente curte muito, né? Mas espero que os próximos livros do Carlos Ruiz Zafón que você leia sejam melhores!

    Abraço

    https://tonylucasblog.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Vou partir para os livros adultos dele agora, acho que não tenho mais paciência para infanto-juvenil ¯\_(ツ)_/¯

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