domingo, 14 de janeiro de 2018

[Opinião] Uma Confissão - Liev Tolstói #220

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Editora: Mundo Cristão

N° de Páginas: 127

Quote:

Mas nisso olhei para mim mesmo, para aquilo que se passava dentro de mim; e lembrei todas as centenas de vezes em que o abatimento e a animação se sucederam em meu íntimo. Lembrei que eu só vivia quando acreditava em Deus. Como era antes, assim é agora, e disse a mim mesmo: basta conhecer Deus para que eu viva; basta esquecer, não acreditar em Deus, que começo a morrer."

Sinopse:
  Uma Confissão registra a intensa crise de fé de Tolstói quando, em 1879, já tendo escrito duas das mais aclamadas obras da literatura universal, Guerra e Paz e Anna Kariênina, ele se questiona sobre o sentido da vida e é confrontado com sentimentos suicidas.
  A narrativa de sua crise e a busca por respostas estão apresentadas, de maneira autêntica e não menos comovente, em tradução exemplar de Rubens Figueiredo.

Opinião:
  Para a lista de livros curtos de forte impacto temos, Uma Confissão.
  Como diz a sinopse, aqui Tolstói vai nos contar sobre uma época de sua vida, quando depois de ganhar fama e razoável fortuna ele passa a se ver como inútil, não exatamente a si mesmo, ele se vê como um bom embromador arrogante e começa a achar que a vida não faz sentido.
  A partir dessa conclusão, Tolstói começa a procurar em sábios filósofos e figuras reconhecidas de forma atemporal por sua sabedoria, e se baseia principalmente em três pensadores, Kant, Schopenhauer e Salomão (sim, Salomão, filho de Davi) e essas três pessoas o fizeram perceber que, realmente, a vida não tem sentido por si só, nas palavras de Salomão: "Nada se aproveita de todo o seu trabalho debaixo do sol [...] Tudo é vaidade e correr atrás do vento."
  Mas ele percebe algo diferente em Salomão, viu que toda a riqueza e sabedoria do rei não deram sentido nem satisfação a ele, mas algo fazia com que ele tivesse vontade de viver, algo dava sentido a sua existência.
  Ele então começa a relembrar seus tempos de juventude, da infância, onde tinha o costume de falar com Deus, um Deus com com o passar dos anos e o acúmulo de conquistas e sucessos deixou de ser uma verdade para o autor. Ele então se lança em uma busca para reencontrar esse amor perdido, encontrar algo que dê sentido a sua existência.
  Como eu disse é um livro curtinho mas que dá uma bela sacudida em quem o ler. Além do problema da depressão do autor, dos instintos suicidas e a questão do vazio interior, o livro trata também do grande problema que a religião se tornou. A palavra religião vem do latim "religare" que seria a religação do homem com Deus, mas a muito ela perdeu seu sentido. Um dos pontos apresentados pelo autor é a total discordância entre o que se fala e o que se faz nos centros religiosos.
  Como alguém de dentro, que cresceu no contexto de igreja, sei muito bem que há muito joio no meio do trigo, e muitas vezes os pacientes mais doentes do hospital se acham mais puros dos que os sãos do lado de fora, e muitas vezes faço parte desse grupo, no final da postagem vou deixar um vídeo que me deu uns tapas na cara, mais ou menos como esse livro fez.
   Enfim, é um livro forte, que mostra que muitas vezes quem deveria refletir Jesus no mundo não o faz, e nem imagina o estrago que essa omissão causa.
  Ah! Mas se você achou o livro tudo isso por que tirou uma estrela na avaliação? Então, o livro tem um altíssimo teor depressivo e desesperançoso na maior parte dele, felizmente ele é curto e uma ofuscante luz de esperança brilha no final... mas o difícil é suportar o sofrimento pungente e a desesperança que escorre das páginas.





8 comentários:

  1. Infelizmente não é um livro que eu leria - justamente por ser altamente depressivo.
    Leituras assim me abalam MUITO e evito sempre que posso.

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    1. A parte depressiva é complicada por existir o risco do leitor não ir até o final, onde a luz brilha, eu te entendo

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  2. Rudi... esse eu vou ler com certeza.

    Enquanto lia suas impressões lembrei de Anatomia de uma dor do C.S.Lewis, já leu?

    CAFÉ E BONS LIVROS

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    1. Ainda não, mas li na biografia dele que esse é o livro mais pesado que ele escreveu, ele escreveu quando a esposa morreu

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  3. Eu já li, é pesado mesmo.
    Quero fazer uma dobradinha esse ano, ler O problema do Sofrimento e logo em seguida reler A Anatomia... Só tenho que escolher o momento certo, pois é push down.

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    1. Pelo que sei, O Problema do Sofrimento é bem mais tranquilo, até por ser o livro de estréia dele, mas enfim, estou esperando pra ver se a Thomas Nelson vai lançar todos os livros dele em edições especiais, perguntei e eles só disseram para esperar surpresas em 2018... ou seja... vamos esperar kkk

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  4. Acho que todo mundo tem uma fase "difícil" em algum momento da vida, que passa a questionar as coisas e o sentido da vida. Não sei se estou na fase certa pra ler uma obra como essa - assim depressiva e tal - mas com certeza é um livro que quero ler em algum momento, coloquei na minha lista de leituras.
    Ainda não li nada de Tolstói, tenho Guerra e Paz pra ler também.
    Abraço,
    Lerissa. :)
    Blog No Matter What

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    1. Oi Lery,
      Eu li alguns contos do Tolstói, mas também tenho Guerra e Paz e Anna Kariênina (além de uns outros menos famosos) na minha lista de desejos.

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