terça-feira, 1 de outubro de 2013

1° Capítulo [Quem é Você, Alasca?]

  Bom galera, hoje é terça, ou seja, é dia de postagem, hoje vou fazer o 1° Capítulo de um livro que eu tô louco pra ler... mas eu só tenho ele em E-Book e não consigo ler pelo computador... já tentei um monte de vezes, passei ele pro celular mas não consegui ler... se alguém quiser me dar ele de presente será muito bem vindo ^^ (meu aniversário é esse mês... só pra constar)

ANTES
cento e trinta e seis dias antes
UMA SEMANA ANTES de eu deixar minha família, a Flórida e o resto da minha vidinha medíocre para ir para o internato no Alabama, minha mãe insistiu em me dar uma festa de despedida. Dizer que eu não estava esperando muita coisa seria subestimar o fato. Embora estivesse sendo mais ou menos forçado a convidar todos os meus “colegas”, ou seja, aquela gentinha da aula de teatro e os geeks de Inglês com quem eu me sentava no cavernoso refeitório da escola por necessidade social, eu sabia que eles não iriam aparecer. Mesmo assim, minha mãe insistiu, mergulhada na ilusão de que eu tinha mantido minha popularidade escondida dela durante todos aqueles anos. Fez uma pequena montanha de molho de alcachofra para acompanhar os salgadinhos. Enfeitou a sala de estar com serpentinas verdades e amarelas, as cores da minha nova escola. Comprou duas dúzias de lança-confetes em garrafa e os colocou ao redor da mesa de centro.
E, naquela sexta-feira decisiva, quando minhas maladas já estavam quase prontas, ela se sentou com meu pai e comigo no sofá da sala às 16h56 e esperou pacientemente pela chegada da Cavalaria do Adeus ao Miles. A cavalaria consistia de apenas duas pessoas: Marie Lawson, uma loira baixinha com óculos retangulares, e Will, seu namorado atarracado (e estou sendo caridoso com o adjetivo).
“Oi, Miles”, disse Marie ao se sentar.
“Oi”, eu disse.
“Como foi seu verão?”, perguntou Will.
“Mais ou menos. E o seu?”
“Foi bom. Montamos Jesus Cristo Superstar. Dei uma ajuda com os cenários. A Marie fez as luzes”, disse Will.
“Legal.” Balancei a cabeça compreensivamente, e isso como que liquidou a conversa. Eu poderia ter perguntado a respeito de Jesus Cristo Superstar, mas acontece que (1) eu não sabia do que se tratava, (2) não queria saber e (3) conversa-fiada nunca foi meu forte. Por outro lado, minha mãe podia conversar fiado durante horas e prolongou a situação embaraçosa perguntando como tinham sido os ensaios e se a peça foi um sucesso.
“Acho que foi”, Marie disse. “Apareceu um monte de gente, eu acho.” Marie era do tipo que achava muito.
Então Will disse, “Bem, só viemos nos despedir. Marie precisa estar em casa às seis. Divirta-se no colégio interno, Miles.”
“Obrigado”, respondi, aliviado. Pior do que uma festa onde não aparece ninguém é uma festa à qual só vão duas pessoas imensamente, profundamente desinteressantes.
Eles saíram, eu fiquei sentado com meus pais, encarando a tevê desligada, querendo liga-la, mas sabendo que não deveria. Sentia o olhar deles fito em mim, esperando que eu começasse a chorar ou algo do tipo, como se eu já não soubesse desde o inicio que aquilo iria acontecer. Mas eu sabia. Podia sentir a pena que os dois sentiam de mim enquanto mergulhavam os salgadinhos no molho de alcachofra feito para meus amigos imaginários, mas eles é que eram dignos de pena: eu não estava desapontado. Minhas expectativas tinham se confirmado.
“É por isso que você quer ir embora, Miles?”, minha perguntou.
Pensei um pouco, tomando cuidado de não olhar para ela. “Não”, eu disse.
“Então é por quê?”, ela perguntou. Não era a primeira vez que ela me perguntava isso. Minha mãe não estava lá muito entusiasmada com a ideia de eu ir para o colégio interno e não fazia questão de esconder o que estava pensando.
“É por minha causa?”, meu pai perguntou. Ele tinha estudado em Culver Creek, a escola para a qual eu estava indo, assim como meus dois irmãos e todos os meus primos. Acho que ele gostava da ideia de eu estar seguindo seus passos. Meus tios tinham me contado historias sobre como meu pai tinha sido famoso no campus por aprontar as maiores confusões e, ao mesmo
tempo, tirar as maiores notas. Parecia uma vida melhor do que a que eu levava na Flórida. Mas não, não era por causa do meu pai. Não era bem isso.
“Esperem”, eu disse. Fui até o escritório de papai e achei a biografia de François Rabelais. Eu gostava de ler biografias de escritores mesmo que (como era o caso com o Monsieur Rabelais) não tivesse nenhum de seus livros. Folheei as ultimas paginas e encontrei uma citação destacada com marca-texto. (“NÃO USE MARCA-TEXTO NOS MEUS LIVROS”, meu pai dissera milhares de vezes. Mas de que outra forma eu iria encontrar o que estava procurando?)
“Então, esse cara”, eu disse, parado à porta da sala. “François Rabelais. Era poeta. Suas ultimas palavras foram: ‘Saio em busca de um Grande Talvez.’ É por isso que estou indo embora. Para não ter de esperar a morte para procurar o Grande Talvez.”
Isso os tranquilizou. Eu estava a procura de um Grande Talvez, e eles sabiam tão bem quanto eu que eu não iria encontra-lo na companhia de gente como Will e Marie. Sentei-me novamente no sofá entre minha e meu pai. Ele passou o braço ao redor dos meus ombros e ficamos assim por muito tempo, em silencio, juntinhos no sofá, até parecer apropriado ligar a tevê. Depois, comemos molho de alcachofra no jantar, assistimos ao History Channel e, no que se refere a frestas de despedida, a coisa certamente poderia ter sido muito pior.

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