sábado, 12 de abril de 2014

Os Dias Com Sentimentos


 A gente constroi um muro de ilusão, com uma cor esverdeada, que nos tranquiliza, nos faz esquecer um pouco nossas decepções, mas esse muro é demasiadamente frágil, e o mais leve tremor de terra, até aqueles causados pela passagem de um grande caminhão, ou mais especificamente, o estrondo de um trovão, de um raio que caiu perto, ou até um ventinho mais forte, todas essas coisas são capazes de abrir buracos, e na maioria das vezes, derrubar nosso muro por completo, só quando o muro cai é que percebemos que o haviamos construído, com o barulho que sua queda faz, nossa atenção é atraída para onde ele deveria estar, e tudo que tentamos engolir, ou melhor, esconder de nós mesmos e disfarçar para os outros, nos causa choque, toda a saudade das pessoas que deixamos para trás, toda nossa vida passada, tudo o que fomos e fomos obrigados a deixar de ser, toda nossa antiga felicidade e gosto pela vida, ou mesmo a falta dessas coisas, tudo isso brilha com uma intensidade que nos fere os olhos, ou simplesmente é tão doloroso saber que aquela pessoa, rodeada de amigos e que sempre que precisava de um abraço sincero tinha quem desse, aquela pessoa que conseguia confiar nas outras, não que nunca tenha se arrependido disso, mas mesmo assim acreditava quando essas pessoas lhe falavam algo, sabia que os abraços e palavras de consolo eram verdadeiras. De alguma fosma, no fundo do coração, sabia que aquilo tudo era sincero, é duro saber que aquela pessoa já não somos mais nós.
  Talvez eu esteja maluco e seja o único assim, mas duvido muito, e de qualquer forma, usar o "nós", pronome que constantemente prefiro evitar, me traz alento.
  No início do próximo mês fará um ano que minha vida mudou completamente, deixei o estado onde cresci e praticamente todas as pessoas que conhecia e não tinham o mesmo sangue que eu, e nesse quase uma ano muita coisa aconteceu, mas só se parar e pensar, com uma análise superficial alguém diria que absolutamente nada mudou, mas mudou sim, muitas coisas nasceram nesse ano, o próprio blog é uma delas, várias outras coisas também morreram, grande parte das minhas amizades, e essa coisa de que verdadeiras amizades sobrevivem a distância não funciona com todo mundo, eu abomino uma forma de comunicação na qual não se tenha a outra presente, sou antissocial porque escolhi ser, nunca gostei de lugares lotados, me dão agonia, não gosto do barulho das pessoas, mas das pessoas que conheço eu gosto de saber que elas realmente existem, coisa difícil de ser comprovada de maneira satisfatória estando longe, a comprovação, a única que me convence e agrada é o toque. Poder sentir a presença de outra pessoa, encostar nela, podem me chamar de carente se quiserem não me importo, por grande parte da vida eu fui um solitário, tímido, retraído e rejeitado... um invisível assim como o Charlie, do livro que estou sorteando esse mês.
  Sempre que tinha meus "rompantes depressivos" eu fazia um desabafo como esse, e ele pode parecer super desconexo pra quem não me conhece, e também para quem acha que me conhece. Costumava desabafar em um papel, assim que terminava de escrever eu o rasgava e jogava fora. Acreditando, tolamente, que o fogo ou o vento (e na maiora da vezes o lixeiro) levaria minha frustração junto com os pedaços de papel, uma AMIGA certa ve me disse que o papel não me traria conforto, e tudo que a gente rasga está apenas esperando que volte a se juntar lá na frente (um dos raros momentos que ela demonstrou simpatia, diga-se de passagem), então comecei a desabafar com meus amigos, eles pediam uma parte da minha carga e eu, depois de muito tempo, aceitei dividir com eles, muitas vezes chorei abraçado com alguns, mes nesse quase ano, ainda não encontrei nenhum amigo com quem realmente pudesse me abrir, dei menos abraços nesse ano do que no meu último mês lá. Por favor não me venham com a ladainha de deixar o passado para trás, vocês concordam que ele foi importante, tenho certeza que concordam. Sei que ficar me lembrando dele me trás dor, mas eu conheço essa dor, e no momento, ela é a única que me entende, e por mais que seja indesejada ela é também reconfortante, e a única que me entende, quando nem eu me entendo, e a única que sabe que preciso de um abraço sincero... a única capaz de me abraçar dessa forma.

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