domingo, 20 de setembro de 2015

[Opinião] A Menina Submersa: Memórias - Caitlín R. Kiernan

Editora: Darkside

N° de Páginas: 313

Citação:
Fantasmas são essas lembranças fortes demais para serem esquecidas, ecoando ao longo dos anos e se recusando a serem apagadas pelo tempo."

Sinopse:
  "Vou escrever uma história de fantasmas agora", ela datilografou.
  Esta é a história da Índia Morgan Phelps. Não se assuste, é um livro dentro de um livro, e a incoerência uma isca é uma isca para uma viagem mais profunda, na qual Caitlín R. Kiernan se aproxima de grandes nomes como Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft, que enxergaram o terror em um universo simples e trivial - na rua ao lado ou nas plácidas águas escuras do rio que passa perto de casa -, e sabem que o medo real nos habita.
  A Menina Submersa é como um canto de sereia, que nos hipnotiza até que tenhamos virado a última página, e fica conosco para sempre.

Opinião:
  Apesar de não terem me concedido a graça de me permitirem permanecer em casa no domingo passado eu consegui terminar esse livro.
  Antes de mais nada quero dizer que concordo com Neil Gaiman: poucos escrevem como Caitlín, e, sinceramente, graças a Deus por isso.
  Não que ela escreva mal, mas é uma escrita que incomoda, o livro todo incomoda, é a história da vida de Índia Morgan Phelps contada por ela mesma, e já no começo ela deixa claro que é louca, mas antes de louca ela é incrivelmente inteligente, ela tem aritmomania, que é uma espécie de TOC, que faz com que a pessoa decore tudo que tenha a ver com números, o que faz com que Imp (como ela está acostumada a ser chamada, até porque é estranho ficar se referindo a ela como "Índia") relate muitos fatos históricos, datas de lançamentos de livros e coisas do tipo. Ela também adora ler.
  O livro não é apenas a transcrição do livro escrito pela protagonista, o livro é também a transcrição do livro que ela transcreve no livro que ela está escrevendo, além de trechos de livros que ela lê e contos que ela escreve. Confuso? Você não viu nada.
  Em alguns momentos a narradora/protagonista/maluca-delirante começa a discutir com ela mesma nas páginas, além de falar em círculos, e o pior, tendo consciência que está falando em círculos.
  Mas tudo isso torna a história interessante, não a história, mas a forma como é contada (essa bagunça toda aí que chamam de narrativa) a história é sobre o cotidiano confuso da Imp, e sobre seu conturbado namoro lésbico com uma transexual, transgênero... uma mulher, que nasceu como homem, cortou fora o... fez a troca de sexo "certinho" lá e... virou lésbica (Atenção: personagem introduzida na história para o caso de, se por algum milagre, você não ficar confuso com a narrativa ficar confuso com questões como sexualidade, principalmente a dela)
  A autora utiliza a linha de raciocínio totalmente divagante e não linear da personagem para tratar dos mais diversos assuntos, violência domestica, carreira profissional, relacionamento familiar, doença mental... ela fala até sobre a floresta Aokigahara e de onde veio a fama de floresta do suicídio (além, é claro, de todos os suicídios cometidos lá). Se você não sabe de que floresta estou falando leia essa postagem.
  Mas como sou do contra vamos falar dos problemas da edição da tão amada Darkside Books (não sei como fazer o "errezinho"): além de alguns erros de digitação espalhados pelo livro, erros que exigiram um certo "rebolado" para descobrir do que se tratavam, talvez tenha sido algo para mostrar que a mente confusa da narradora faz com que ela bagunce sua escrita, mas acho que foi só erro de digitação mesmo... além do parco espaçamento que levou a outro grave erro, na minha opinião. Devido ao espaçamento amontoado e a letra quase muito pequena um grande trunfo da autora foi desprezado pela editora: Em vários momentos a narradora diz "ah, já falei disso na página tal" ou "a tantas páginas atrás falei tal coisa" e ao invés da editora deixar o livro mais divertido mantendo as coisas como estão no verdadeiro livro da Imp, não. Nada está onde é indicado pela narradora, achei isso uma bela duma mancada.
  Em suma é um livro confuso, difícil, que trata sobre zilhões de assuntos diferentes e com uma história que não nos incentiva a torcer pelos personagens, você lê e não espera nada pro futuro deles. Um livro que apesar de levantar várias reflexões não marcará a vida de muita gente (ou de alguém).
  Um livro fantasioso? Com certeza. Um livro de terror? Talvez, em alguns momentos. Um livro bom? Até pode ser considerado assim, mas nada além disso.


16 comentários:

  1. Oi, Rudi! Tudo bem contigo?

    Nossa, hein? Que resenha mais sincera. Gosto disso. Principalmente quando se trata da primeira vez que apareço em um blog e essa fica sendo a primeira impressão que tenho dele.

    Sobre o livro, nem tenho o que dizer. Por tudo que comentou, realmente essa história é bem confusa, ao ponto de dar dor de cabeça. Não imaginava mesmo que era assim, o que é uma pena.

    Um beijo,
    Doce Sabor dos Livros docesabordoslivros.blogspot.com

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    1. Confuso é meu sentido de organização, meu vocabulário não encontra palavras para descrever o nível de loucura desse livro :p

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  2. Oi, Rudi! Tudo bem? MEU DEUS, QUE LIVRO CONFUSO!!!!!! Eu já imaginava que ele fosse assim (dado algumas resenhas que li sobre ele), mas não sabia que o negócio era tão sério! :O Eu tinha até vontade de ler "A Menina Submersa", mas depois dessa vou passar longe do livro. Se eu fosse ler ele, só ia ficar com dor de cabeça! :S Obrigado por me salvar desse livro! haha Adorei a resenha! <3

    Abraço

    http://tonylucasblog.blogspot.com.br/2015/08/resenha-premiada-johnny-bleas-um-novo.html <- Tá rolando promoção do livro "Johnny Bleas - Um Novo Mundo" lá no blog! ;)

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    1. Minha intenção não era exatamente te "salvar" da leitura, acho que vale a pena lê-lo por toda a informação e reflexão que ele transmite ao leitor, mas quem for lê-lo buscando uma história incrível vai quebrar a cara bonito

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  3. kkkkkkkk
    Cara, que sinceridade! Estou louca por esse livro, mas estou meio decepcionada agora.
    Me recuperandoo...
    Okay, voltei, não sabia que a estória fosse tão confusaa assim.
    Beijinhos Screepeer
    Screepeer
    Obs: Fiz um grupo de divulgação para Blogs de entretenimento, e, como seu blog está bem nessa vibe. Gostaria de te convidar *-*
    Blogs de Entretenimento

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    1. Eu já imaginava que o livro era meio sem pé nem cabeça, fui lê-lo esperando não entender absolutamente nada, me sinto até mais inteligente por ter captado parte do enredo :p

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  4. Nossa, pelo jeito é uma bagunça esse livro...
    Você descreve tão bem que deixa a gente morrendo de vontade de ler, ou não querer nem chegar perto do livro hehe
    abç Rudi!

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  5. Uma amiga tinha me falado desse livro -bastante entusiasmada- essa semana, porém ela ainda não tinha o lido. Fiquei super curiosa e resolvi ver sua resenha sobre ele, e caramba, kkkkk adorei sua sinceridade. Não me dou bem com leituras que tendem a me deixar confusa, se não nunca vou terminá-lo >.<
    Adoreii a resenha, muito clara a sua opinião e com muita sinceridade kkkk

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    1. Obrigado Clara,
      Se não pretende ficar confusa mantenha distância desse livro ;)
      Que bom te ver por aqui novamente ^^

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  6. Hahaha Vi sua resenha sobre Onde Cantam Os Pássaros e já saí correndo pra encontrar essa.
    Então, A Menina Submersa com certeza de tornou meu livro favorito e duvido muito algum outro o superar. Acredito que pessoas que não conheçam sobre esquizofrenia e que não possuem interesse em abordagens extremamente psicológicas não irão gostar desse livro. Porém, eu realmente amei muito ver como a autora esmiuçou toda a mente de Imp e até fazendo algumas relações dos caminhos percorridos eu seu subconsciente com os percorridos nas ruas. Os relacionamentos também são pontos riquíssimos que nos mostram o quanto nossa mente pode brincar com os significados e suas significâncias. E o melhor, o final é lindo demais, cara! Eu jurava que ia acontecer algo terrível, e não, chega Imp "Eva disse que eu seria fraca, mas fui forte e venci" (algo nesse sentido). Vou ler esse livro milhares de vezes e assim que tiver uma folga fazer uma análise dos pontos psicológicos de Imp pra aprofundar ainda mais nesse universo magnífico dela. Mas sei que me sibmergi tanto nesse livro que gastei 3 sessões de terapia discutindo ele hahahah

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    1. Realmente é um livro rico,
      Não sei se já falei isso mas a meu ver a autora queria mostrar um pouquinho de cada coisa que ela conhecia, e escreveu essa história. Não morri de amores por ele mas curti bastante e entendo todo esse seu amor

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  7. Olhe que eu me interessei bastante por este livro, mas a sua resenha abriu meus olhos, eu ia comprar, mas não tenho paciência para história confusas. A capa da edição em capa dura é linda e chama a atenção, mas é como eu sempre digo, "não julgarás o livro pela capa" (1º mandamento do bom leitor {http://conhecertudoemais.blogspot.com/2016/03/os-13-mandamentos-do-bom-leitor.html})

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    1. Verdade,
      apesar disso eu curti o livro... Ele é muito bom para pensar sobre os mais variados assuntos

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  8. ADOREI sua resenha e o jeito descontraído que escreve.
    Estou de olho nesse livro há um tempinho, e são opiniões tão divididas que eu mesma me ponho confusa.
    Falando sobre confusão, é isso que mais me chama atenção no livro. O fato de todo mundo dizer que Imp é confusa me deixa MUITO curiosa. Mas pelo que você deu a entender, parece que é basicamente isso. Algo meio morno, sem muitas expectativas. Uma narrativa não linear que não te leva a lugar algum.
    Acho que vou esperar a coisa ficar mais baratinha para dar uma chance. Não adianta, a curiosidade é gigante hahahaha.


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    1. Oi Carol,
      Você entendeu exatamente como é o livro, não linear, confuso que não vai pra lugar nenhum... Mas te recomendo que leia sim, eu também li mais por curiosidade e não me arrependo.

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