domingo, 15 de maio de 2016

[Opinião] Em Busca do Sentido da Vida - Augusto Cury

Editora: Planeta

N° de Páginas: 351

Quote:
Essa é a minha tese, Eva, uma tese que me tira o sono. É por isso que tenho escrito livros. Mas parece que sou uma voz solitária numa sociedade digital, embora tenha muitos leitores e alunos que me admiram. Novos holocaustos poderão surgir se não tivermos uma juventude autônoma, que tenha opinião própria e pensamento crítico. Novos sociopatas surgirão usando as redes sociais. Será que não é melhor prevenir os 'Hitlers' do futuro que eliminar o Hitler do passado?"

Sinopse:
  Este romance é sobre um colecionador de lágrimas que, depois de experimentar terríveis perdas e sofrer derrotas inimagináveis, transforma-se num colecionar do esperanças. Ao ler esta obra você acompanhará a fascinante vida de um homem que aprendeu a superar o desespero e a dor após viver um dos capítulos mais dramáticos da história da humanidade.
  O professor Júlio Verne, um célebre intelectual de seu tempo, vive asfixiado por rotina, fama e conforto. Sua vida não tem um sentido existencial nobre. É então que ele descobre a "lei vital da psiquiatria/psicologia": uma pessoa só é verdadeiramente feliz quando procura irrigar a felicidade dos outros e promover seu bem estar: Os individualistas merecem compaixão, pois suas emoções transformaram-se num deserto.
  Assim, em busca de um sentido existencial, o professor aceita participar do inédito e incrível projeto tecnológico de viajar no tempo. Seu objetivo: impedir que a Segunda Guerra Mundial aconteça e varrer das páginas da história as piores atrocidades já cometidas pelos homens.

Opinião:
  Sim, demorei muitíssimo para ler esse livro, gosto muito do primeiro volume e tinha expectativas até que altas para esse, e tirando um pequeno erro (que na verdade nem é tão pequeno) no final o livro alcançou todas elas.
  Esse livro é uma continuação direta do livro O Colecionador de Lágrimas, mas a meu ver você não precisa ter lido aquele para ler esse, apesar de eu indicá-lo com muita ênfase, ele é um livro incrível.
  Pela primeira vez vejo uma explicação convincente para a viagem no tempo, com explicações objetivas e mecânica elaborada.
  Outro fato interessante, e bastante coerente, é o fato de a mente do viajante determinar em que momento do passado ele vai parar e também o fato do estresse mental acionar o gatilho, no livro chamado de corda cósmica, que possibilita o deslocamento no tempo e espaço.
  Uma coisa amplamente discutida durante o livro é a questão ética da missão do protagonista, voltar no tempo para antes da acensão de Hitler e eliminá-lo, destruindo assim as chances de uma segunda guerra mundial, as discussões e conflitos internos dos personagens sobre esse assunto lançam uma luz nova na perspectiva do leitor.
  Outra coisa bastante explorada é a qualidade da psique humana na atual geração, quando nossas crianças são educadas por estranhos ou pela internet e televisão, e mostra que mais importante que reparar erros passados é impedir que eles se repitam, como diz uma frase do primeiro livro: "A história é a lupa pela qual enxergamos o futuro e corrigimos suas rotas."
  O livro, além de tudo, passa a mensagem de "o que passou, passou" em todas as viagens temporais que o protagonista faz para os pontos de mutação da história, ele não consegue mudar algo realmente significativo para o decorrer da história humana, seja por teimosia dos maiores envolvidos (personagens históricos) ou algum outro evento externo.
  Os problemas que me incomodaram foram mais no quesito história (a ficção contada, no caso), que, convenhamos, é o menos importante do livro, acho que tudo o que ele ensina está além de qualquer ficção que esteja sendo usada para ilustrar, mas já que está usando vamos fazer o melhor possível, certo? Enfim, no primeiro livro, os cientistas falam para o protagonista que ele não tem como se negar a participar do projeto, pois dados históricos comprovam que ele já esteve na época da segunda guerra, e se ele não entrar na máquina algum outro tipo de evento aleatório o lançará através do tempo para que os tais eventos históricos possam acontecer. Sendo assim, por que estrapunfúrcias eles se negam tanto a acreditar que ele realmente viajou no tempo só porque ele voltou da viagem apenas dois minutos depois de ter entrado na máquina? A outra coisa que me incomodou é meio que um spoiler, então se você estiver realmente interessado em saber o que é selecione a área final dessa postagem para ler.
  Também preciso dizer que o poder da educação é um dos pontos chave do livro, uma pessoa pode se tornar coisas muito diferentes dependendo da educação que recebe, e também a educação emocional mostra que é indispensável. O autor também explora os benefícios e a importância do respeito e tolerância para com todas as pessoas.
  Em suma é um livro rico, com dados históricos incríveis, coisas que, pelo menos eu, nunca tinha ouvido falar, além de todas as informações sobre a mente humana e os transtornos psiquiátricos que acometem algumas delas, com certeza vale a leitura, mesmo se você é daqueles que tem preconceito com o autor só porque ele sente uma necessidade obsessiva de colocar frases de efeito em suas histórias e a mania irritante de repeti-las algumas vezes. Ele tem muito conteúdo interessante e dados importantes para serem absorvidos.
  Uma curiosidade: Porque ninguém tenta impedir a Primeira Guerra Mundial? Afinal se você impedir a segunda será ótimo, mas a Alemanha não continuaria, até hoje, sob o jugo do Tratado de Varsalhes?



Um (longo) Comentário com Spoiler

Uma coisa que toda história que envolva viajem no tempo que se preze deve respeitar são os paradoxos.
Usando o exemplo desse livro: Os cientistas criam a máquina do tempo para evitar que a Segunda Guerra Mundial acontecesse, beleza, conseguem... mas aí a história é mudada, o que faria com que nenhum cientista achasse necessário criar uma máquina do tempo para modificar esse determinado período da história, afinal ele nunca aconteceu, mas se ninguém criou a máquina, como o professor voltou e impediu a guerra?

Aí entramos no campo de múltiplas linhas temporais: temos a nossa linha cronológica onde a guerra aconteceu e a máquina foi construída, um indivíduo voltou no tempo e a impediu. Quando ele vola para o seu devido tempo as coisa não aconteceram, mas ele se lembra de tudo pois viveu em ambas as linhas temporais, mas agora que ele está na nova linha... o que acontece com a antiga? Aquela em que a máquina foi construída? Ela se desintegra e deixa de existir ou continua mas lá o viajante do tempo jamais retornou?
Ainda levando isso em consideração, por que, no final do livro, todos os militares e cientistas envolvidos no projeto, mesmo os que não viajaram através do tempo, se lembram do que aconteceu?

É inegável que viagem no tempo é um assunto complicado de se lidar e de criar histórias sobre isso, com todos os seus paradoxos, efeitos borboletas e afins... mas vamos pelo menos deixar o mínimo possível de furos, certo?

2 comentários:

  1. Oi, Rudi? Tudo bem? Quando estou esperando o ônibus que me leva ao IFRN sempre vejo um carinha com esse livro, daí dou aquela olhadinha básica e penso: "Hum... interessante" rsrsrs Sua resenha conseguiu me convencer de que o livro é bacana e que devo lê-lo. Saber que há muitos ensinamentos e coisas sobre a mente humana também só fez aumentar minha vontade de lê-lo. Adorei a resenha, carinha! :)

    Abraço

    https://tonylucasblog.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Obrigado Tony,
      O autor não é o melhor contador de histórias que conheço mas até nisso ele melhorou bastante nesse livro, se você se interessar tem um livro chamado Holocausto Nunca Mais que é o volume único, por assim dizer, dessa duologia

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