sexta-feira, 3 de junho de 2016

[Opinião] Minha Querida Sputnik - Haruki Murakami

Editora: Alfaguara

N° de Páginas:229

Quote:
De modo que é assim que vivemos as nossas vidas. Não importa quão profunda e fatal seja a perda, o quão importante fosse o que nos roubaram - que foi arrebatado de nossas mãos -, mesmo que mudemos completamente, com somente a camada externa da pele igual à de antes, continuamos a representar as nossas vidas dessa maneira, em silêncio. Aproximando-nos cada vez mais do fim da dimensão do tempo que nos foi estipulado, dando-lhe adeus enquanto vai minguando. Repetindo, quase sempre habilmente, as proezas sem fim do dia-a-dia. Deixando para trás uma sensação de vazio imensurável."

Sinopse:
  Meias que não combinam, cabelos despenteados, roupas compradas em brechós: Sumire queria ser como um personagem do escritor beatnik Jack Karouac. E, aos 22 anos,concentra todos os esforços em se tornar uma romancista.
  Embora nunca tenha se apaixonado, ela está prestes a conhecer Miu, empresária bem-sucedida, 17 anos mais velha e casada, que a atingirá como "um verdadeiro tornado que varre planícies".
  Quem narra a história é K., um jovem professor primário que gostaria de dedicar todo o seu tempo a Sumire e de fazer tudo por ela, se o seu amor fosse correspondido. Mas ela só tem olhos apenas para Miu. Convidada a ser sua secretária particular, a menina troca as roupas de ocasião por trajes elegantes, abandona os livros por planilhas e a segue em viagens de negócios. Mas, em férias nas ilhas gregas, a jovem Sumire cairá numa cilada, e apenas K. poderá salvá-la.

Opinião:
  Preciso confessar, minha forma de pensar sobre a vida tem mudado gradativamente depois que conheci esse autor, no último livro já comecei a considerar a possibilidade de um dia me casar e constituir família, esse livro foi como uma marretada no peito para tirar a camada de pedras que cobria meu órgão simbolicamente responsável pelos sentimentos. Já não sou mais totalmente avesso a ideia de me apaixonar (mas ainda espero que demore um pouco).
  Aqui conhecemos Sumire (Sumire sumiu), uma garota fora do comum que no casamento de um primo conhece Miu e se apaixona pela primeira vez em sua vida. Não vou falar muito sobre o enredo porque a sinopse do livro já entrega bastante (mas não pense que algo ali fará com que a leitura seja menos magnífica).
  Para explicar um pouco o primeiro parágrafo que escrevi aqui é preciso dizer que Sputnik é uma palavra russa que significa "companheira de viagem" e por mais que esteja bem mascarado, o autor mostra que a vida é uma viagem e é importante termos companhia, viajar sozinho pode ser agradável, mas sempre será melhor se for acompanhado.
  Não bastasse a história da vida dos personagens ser incrível o autor ainda nos presenteia com uma reviravolta e um grande mistério que dura até a última página do livro. Nos mostrando que nuca conhecemos realmente as pessoas que nos cercam, podemos até saber o modo de lidarem com as pedras lançadas pela vida, mas nuca teremos certeza do que, realmente, se passa na cabeça dos outros. E como poderíamos? As vezes não sabemos direito o que se passa na nossa!
  Mostrando a fragilidade das relações e da sanidade humanas com elementos fantásticos, um manual de sobrevivência ao mundo nas entrelinhas e um final (sim, esse livro possui final, contrariando o que eu disse aqui) que, mesmo não sendo aberto (pelo menos não pode ser considerado) ainda te faz ficar criando teorias sobre o que viria depois, sobre o que mudou na vida de cada um e se deixamos escapar algo, alguma lição de vida, que não estava ali explícita.
  O narrador, K., não nos é apresentado completamente, no sentido de realmnete sabermos seu nome, e ele deixa claro que essa não é a história dele, mas a de Sumire. Isso me fez pensar em quanto estamos dispostos a diminuir nossa importância para o mundo devido a nossa adoração a outra pessoa, ou quantas vezes nos calamos achando que nossa experiência de vida não é interessante ou não pode ajudar ninguém. K. é um personagem bem comum, daqueles que a gente (eu, pelo menos) se identifica rapidamente e vejo o fato de ele não possuir, realmente, um nome é uma forma ainda melhor de colocar o leitor no lugar dele, afinal, quem nunca se apaixonou por uma pessoa que estava apaixonada por uma terceira? Isso sim é um triângulo amoroso decente - A gosta de B, B gosta de C, C não gosta de ninguém - não sei vocês, mas eu já não suporto adolescentes que não sabem se amam um ou outro.
  Pela primeira vez lendo um livro da Alfaguara encontrei um erro de revisão, isso foi um pouco decepcionante pois sempre admirei a editora nesse quesito, mas vamos relevar, foi um único e todo mundo erra as vezes, certo? (não sei se é a primeira edição, não consegui encontrar).
  Em suma, é um livro incrível, que nos faz questionar nosso modo de vida e nos toca profundamente, mostrando que todas as pessoas têm suas falhas e, ou você luta pelos seus sonhos, ou vê eles se desmancharem na correnteza da vida.


2 comentários:



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