quarta-feira, 20 de julho de 2016

[Opinião] Fique Comigo - Harlan Coben

Editora: >Arqueiro>

N° de Páginas: 285

Quote:
Pensou em como o passado nunca nos abandona, nem as partes boas nem as ruins; em como colocamos dentro de uma caixa e a guardamos em algum armário, pensando que nunca mais vamos abri-la. Então, um belo dia, quando nos sentimos sobrecarregados pelo mundo real, vamos até o armário e pegamos a caixa de volta."

Sinopse:
  A vida de Megan Pierce nem sempre foi um mar de rosas. Houve uma época em que ela nunca sabia como seria o dia seguinte. Mas hoje é mãe de dois filhos, tem um marido perfeito e a casa dos sonhos de qualquer mulher - e, apesar disso, se sente cada vez mais insatisfeita.
  Ray Levine já foi um fotógrafo respeitado, mas agora, aos 40 anos, tem um emprego em que finge ser paparazzo para massagear o ego de jovens endinheirados obcecados em se tornar celebridades.
  Broome é um detetive incapaz de esquecer um caso que nunca conseguiu resolver: há 17 anos, um pai de família desapareceu sem deixar rastro. Todos os anos ele visita a casa em que a mulher e os filhos do homem esperam seu retorno.
  Essas pessoas levam vidas que nunca desejaram. Agora, um misterioso acontecimento fará com que seus caminhos se cruzem, obrigando-as a lidar com as terríveis consequências de fatos que pareciam enterrados havia muito tempo.
  E, à medida que se deparam com a faceta sombria do sonho americano -  o tédio dos subúrbios, a angústia da tentação, o desespero e os anseios que podem se esconder nas mais belas fachadas -, elas chegarão à chocante conclusão de que talvez não queiram deixar o passado para trás.

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Opinião:
  Esse ano li o pior livro do Zafón, e agora também o livro que menos gostei do Coben, dois dos meus autores favoritos... Mas, felizmente, Harlan Coben não me decepcionou como o gordinho espanhol.
  Nesse livro conhecemos personagens bem peculiares (que já estão muito bem explicados na sinopse, então olha lá), e ficamos sabendo que algo aconteceu há exatos 17 anos. Sabemos que Ray volta todos os anos ao local desse dito (na verdade, não dito) acontecimento para tentar superar o que aconteceu, Broome visita a esposa de um respeitável homem (que no decorrer da história ficamos sabendo que não é assim, tão respeitável) que sumiu no mesmo evento e Megan passa todos os dias dessas quase décadas tentando esquecer o que viu naquele 18 de Fevereiro.
  O grande mistério do livro parece ser o que aconteceu na tão famosa e esquiva noite, e realmente só saberemos dos detalhes no finalzinho da leitura, mas esse não é o único mistério do livro. Ao acompanharmos o dia-a-dia simples e tedioso dos personagens vemos que algo aconteceu na mesma data e lugar do não-dito acontecimento que mudou drasticamente a vida de todos eles, e a partir daí eles começam a ver o passado voltando à tona para assombrá-los muito mais do que já fez nos últimos anos.
  O livro fala bastante de como tudo que passamos na vida nos definiu como pessoas e cada coisinha, cumprimento dado, amigo feito, livro lido, música cantada ou trecho percorrido é um pedaço fundamental da nossa história e inseparável do nosso ser. Em contrapartida ele também ressalta a importância de seguir em frente deixando o passado para trás, ele faz parte de quem somos, assim como a cauda de um cachorro, ele não o abandona, mas fica sempre para trás, não que às vezes não tenhamos saudade dele e tentamos revivê-lo, como um cachorro correndo atrás do próprio rabo.
  Além disso somos lembrados também da profundidade dos traumas, das formas pelas quais eles podem surgir e como raramente, ou, em muitos casos, jamais, são superados. Sobre a força positiva e, ao mesmo tempo, escravista, da esperança, que em alguns casos é o que nos mantém presos ao que já passou.
  Os personagens são incríveis, a narrativa é deliciosa, sarcástica, profunda e tensamente acelerada (meio controverso, eu sei, mas foi a melhor forma que encontrei para explicá-la), e esse livro trás a cena mais forte de todos os livros que li do autor, que cria uma densa atmosfera de mistério, nostalgia e melancolia em vários momentos, é um livro incrível.
  Ah, mas você disse que é o que menos gostou do autor! E é. Mas como eu amo todos os que li até agora isso não rebaixa muito esse. O fato que me fez desgostar um pouco dele foi a resolução do mistério... quando li eu pensei: "Sério que em 17 anos isso nunca passou pela cabeça de ninguém?" Vou deixar mais especificado sobre essa parte na parte do spoiler para não estragar a experiência de quem quiser ler o livro, porque sim, ele vale a pena, e muito, apesar desse tropeço do autor (tropeço seguido de um breve "cata mamona" e estrimbuchamento no chão)


Um comentário com spoiler
(selecione para ler)

17 anos depois do desaparecimento do suposto bom cidadão outro cara, claramente um manezão, desparece... e o último lugar onde foi visto foi o mesmo lugar onde o suposto bom cidadão sumiu.
A partir daí a o policial principal da história, Broome, começa a investigar e descobre que já a muito tempo um homem por ano vem sumindo naquele lugar, mais ou menos na mesma época do ano. O que o leva a brilhante conclusão que se trata de obra de um serial killer (parabéns, brilhante dedução) e ao examinar as fotos que Ray tirou do local no dia do último desaparecimento ele vê algo atrás de um pilar que PODE SER um carrinho de mão dobrável. Depois de revelar essa suspeita para a perita forense eles voltam ao lugar, que já tinha passado por um pente fino por uma bela de uma equipe, ele conta para ela e ela então olha para o lugar onde haviam encontrado sangue e vê algo que TALVEZ SE TRATE das marcas dos pés do dito carrinho. Mas como o chão é duro de terra batida eles não veem rastros, mas como a perita forense é perita ela deduz pela posição das marcas dos pés do carrinho, que nem ela nem a dedicada equipe de especialistas havia percebido durante o pente fino, a direção que ele seguiu até um arbusto a POUCOS PASSOS DE DISTÂNCIA e viu que ele tinha um ramo quebrado... seguindo essa trilha FACILMENTE IDENTIFICÁVEL eles chega a um poço A CINQUENTA MÍSEROS METROS do local onde durante os último 17 anos um homem sumia. e dentro desse poço eles encontram, adivinha? Exatamente: TODOS OS CORPOS das vítimas. Aí eu pergunto... em 17 anos de desaparecimentos sequentes, que a polícia nem  mesmo conseguiu relacioná-los entre si, não houve um ser vivo sequer que estendesse o raio de buscas por mais de 50 metros? Que buscas foram essas????

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