quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

[Opinião] O Xará - Jhumpa Lahiri #215

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Editora: Biblioteca Azul (edição exclusiva TAG Experiências Literárias)

N° de Páginas: 336

Quote:

  O rosto se transforma; Ashoke nunca viu uma coisa mais perfeita. Imagina a si mesmo como uma personagem escura, granulada, borrada. Como um pai para seu filho. Outra vez ele pensa na noite em que quase morreu, a lembrança dessas horas que lhe marcaram para sempre tremula e desaparece em sua mente. Ser resgatado das ferragens daquele trem foi o primeiro milagre de sua vida. Porém aqui, agora, repousando em seus braços, pesando quase nada, mas mudando tudo, está o segundo."

Sinopse:
  Gógol Ganguli tem nome russo, sobrenome indiano e um espírito dividido. Filho de imigrantes begalis que vivem nos Estados Unidos, enfrenta desde criança a crise típica de um tempo de fronteiras instáveis e vidas em trânsito: a de não se reconhecer em nenhuma cultura ou lugar.
  Em meio a um constante conflito entre diferentes modos de vida - retratados na educação, na relação com os pais, na vida profissional -, Gógol Ganguli vai buscar no embate com o próprio nome e nas relações amorosas um espelho no qual possa descobrir quem realmente é.

Opinião:
  Já falei aqui no blog sobre minha assinatura da TAG, queria me associar mas ficava postergando, quando vi que a curadora do mês de fevereiro (longínquo inicio de ano) seria (foi, no caso) Martha Medeiros resolvi me associar de vez, e o livro escolhido pela minha querida gaúcha foi esse.
  Esse foi, salvo engano, o primeiro livro de autor indiano que li na vida, e consequentemente, meu primeiro contato "mais próximo" com a cultura do país, e eu adorei.
  É até difícil falar desse livro, mesmo se eu tivesse lido ele recentemente, o que não é o caso, felizmente é um livro marcante, e me lembro bem dele.
  Enfim, qual é o plot da história? Temos um casal indiano que se muda para os EUA para que o marido possa trabalhar como professor naquele país, lá eles tem um filho, que é o nosso protagonista, apesar de eu ter me identificado e torcido pelo pai, Ashoke.
"Ele volta para o Globe, ainda andando de um lado para o outro enquanto lê. Um leve mancar faz o pé direito arrastar-se quase imperceptivelmente a cada passo. Desde a infância ele tem o hábito e a capacidade de ler enquanto anda, segurando um livro na mão a caminho da escola, de um cômodo para o outro na casa de três andares dos pais em Alipore, ou enquanto subia e descia as escadas de argila vermelha. Nada o tirava da leitura. Nada o distraía. Nada o fazia tropeçar. Na adolescência leu toda a obra de Dickens. Leu autores mais novos também, Graham Greene e Somerset Maugham, todos comprados em sua banca favorita na rua College, com dinheiro que ganhava no pujo. Mas ele gostava dos russos mais que tudo.[...] Uma vez, um jovem primo tentou imitá-lo, caiu da escada de argila vermelha na casa de Ashoke e quebrou um braço. A mão de Ashoke sempre esteve convencida de que seu filho mais velho seria atropelado por um ônibus ou um bonde, com o nariz enterrado em Guerra e Paz. Que ele estaria lendo um liro no momento de sua morte."
  Também tenho o costume de ler enquanto caminho.
  Enfim, na cultura bengali é comum que as crianças recebam dois nomes, um "nome bom" que é o nome oficial, que constará no documento, e um "nome de criação" que é um apelido carinhoso pelo qual ele será chamado dentro da família, e apenas dentro da família. A cultura deles também valoriza e respeita muito os patriarcas e matriarcas da família (temos muito que aprender com eles) e mesmo vivendo nos Estados Unidos o casal Gaguli estava esperando uma carta da avó de um deles (tenho quase certeza que dele, mas minha memória já está meio balançada) com o "nome bom" que ela escolheu para o bebê que estava pra chegar, o nome de criação já estava escolhido, Gógol, em homenagem ao autor favorito do pai do menino, que tem toda uma história que o une aos escritos do russo, muito bacana e tocante, o livro valeria só por ela... mas a carta se perde no trânsito, e quando resolvem que o nome deverá ser dito por telefone já que não daria tempo de outra carta ser enviada... a dita avó morre.
  O que resta é batizar o menino com o "nome de criação" e esse é só o primeiro problema na tentativa de manter a tradição de seus antepassados.
  O tema principal do livro é, sem margem para questionamentos, a questão da identidade de cada um, o que define você? Seu lugar de nascimento? Sua educação escolar? Seus antepassados? Aprendi recentemente que não é nada disso, mas esse é um assunto para outro momento, mas uma coisa ainda acredito, deve-se ter respeito pelas suas raízes, coisa que nosso personagem não tem muita, mas também precisamos ver o lado dele, está em um tempo e uma terra diferente, que contrasta drasticamente com os costumes e a cultura de seus pais, que também falham em deixar que seu filho siga sua vida e encontre seu lugar no mundo.
  A escrita da autora é de uma delicadeza ímpar, não é a mais fluida do mundo, o livro demora pra passar, mas não por ser maçante, longe disso, é uma leitura que clama ser saboreada, que convida o leitor a refletir, criar empatia, coisa fácil nesse caso, os personagens são magistralmente desenvolvidos e vívidos, a autora é extremamente convincente.
  Em suma, é um livro envolvente, daqueles que te agarram e que te introduzem na história como poucos fazem, te faz rir com e dos personagens, e também te faz chorar... muito... várias vezes. e sobre o final, não quero estragar a leitura de ninguém, mas dá um dorzinha no coração, um sentimento de foi tudo em vão, é isso, essa é a vida, dura e cruel. Ele é melancólico, mas sem ser pedante, ele não é forçado, é extremamente sensível e cru.
  Sobre a edição da TAG nem tem o que falar, certo? Revisão perfeita, capa caprichada (e dura) diagramação extremamente agradável e autógrafo na folha de rosto XD

Eu sei o que vocês estão pensando, não é só a escrita da mulher que é linda

4 comentários:

  1. Gostei da resenha, algo me diz que eu iria gostar desse livro...

    Acho a literatura um jeito ótimo de conhecer outras culturas.

    Abs.

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    Respostas
    1. Concordo Kelly,
      Também acho que você iria adorar essa leitura

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  2. Oi Rudi!
    Sou louca pra assinar a tag, mas fico só postergando... :/
    Gostei da premissa do livro e fiquei curiosa se ele me faria chorar. Não choro com livros e filmes, só com música (mas não me pergunte o porquê).
    A autora realmente é muito bonita. Que olhos, né?!
    Beijos!

    Mais Uma Página

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    Respostas
    1. Eu posterguei bastante também, assinei, desativei a assinatura, reativei, e fico nessa kkk
      Não foi o livro que mais me fez chorar na vida, se quiser saber esse foi A Guardiã da Minha Irmã. Belos olhos, né

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