domingo, 20 de outubro de 2019

[Opinião] As Aventuras de Tom Sawyer - Mark Twain #251

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Editora: L e PM

N° de Páginas: 283

Quote:

"Mas Jim era apenas um ser humano - essa atração foi forte demais para ele. Ele largou o balde e pegou a bolinha de gude com a risca branca. No minuto seguinte, ele estava voando rua abaixo, com o balde na mão e o traseiro ardendo, enquanto Tom pintava a parede vigorosamente e tia Polly se retirava vitoriosa do 'campo de batalha', com um chinelo na mão e triunfo no olhar."

 
Sinopse:
  As Aventuras de Tom Sawyer é um dos grandes clássicos da literatura americana. Tom Sawyer, o imortal personagem de Mark Twain, um menino astuto, mostra-se tão à vontade no mundo respeitável de sua tia Polly quanto no mundo aventureiro e desprotegido de seu amigo Huck Finn. Os dois vivem uma série de aventuras, acidentalmente presenciando um assassinato e provando a inocência do homem injustamente acusado, assim como sendo caçados por Injun Joe, o verdadeiro assassino, e finalmente escapando e encontrando o tesouro que Joe havia enterrado.
  Embora originalmente escrito como história de aventura para jovens, este livro é muito mais que isto, é um mergulho na vida do interior dos Estados Unidos, especialmente na região do "imenso Mississippi", na metade do século XIX.
  Através das trepidantes aventuras de Tom e Huck, Mark Twain coloca em evidência sua grande habilidade de escritor, seu senso de justiça e sua posição antiescravagista.


Opinião:
  Se eu lesse sinopses saberia que o autor era, dentre muitas coisas, humorista, e estaria mais preparado para o teor cômico do livro, felizmente não leio, foi uma surpresa muito agradável.
  Mais uma vez digo que deveriam tirar Amor de Perdição da lista de leituras obrigatórias do brasileiro para colocar algum dos livros obrigatórios dos Estados Unidos (de preferência este ou O Sol é Para Todos).
  Aqui, como é fácil de supor, conhecemos Tom Sawyer, um guri órfão e que mora com sua tia Polly, tia essa que proporciona momentos hilários para o leitor, mas que passa as suas travando a luta de educar um guri endiabrado como Tom.
  Tom é o tipo de criança que você conhece e depois de três minutos (ou parágrafos) você já começa a pedir a Deus que seu filho não seja como ele, que é uma criança extremamente inteligente, mas que dá aulas de malandragem, com sua lábia ele consegue convencer as outras crianças a fazerem o seu trabalho.
"Tom pensou consigo mesmo que o mundo não era tão ruim assim. Descobria sem saber uma grande lei da ação humana, isto é, que para fazer um homem ou um menino cobiçar uma coisa basta tornar essa coisa difícil de ser alcançada. Se ele fosse um grande filósofo, como o autor deste livro, ele teria aprendido que o trabalho consiste em algo que o corpo é obrigado a fazer, e que brincar é algo que o corpo não é obrigado a fazer. E isso o ajudaria a entender porque fabricar flores artificiais ou pedalar uma máquina leve é trabalho, enquanto levantar bolas no boliche ou escalar uma montanha é diversão. Há cavalheiros ricos na Inglaterra que conduzem coches de quatro cavalos por mais de trinta ou quarenta quilômetros no verão, porque esse privilégio custa uma quantia considerável; mas, se lhes oferecessem um salário por esse trabalho, eles se recusariam a conduzir os coches."
  Como fica claro pelo trecho acima, o autor/narrador também é bastante espirituoso e divertido, complementando muito bem o clima divertido do livro. Acabamos nos afeiçoando a Tom logo no início, enquanto ele apronta com Deus e o mundo, as tramóias que ele faz até mesmo na escola dominical e a conversa que tem com o professor quando ele vai ganhar a tão cobiçada Bíblia por ter "decorado" tantos versículos é de rolar de rir.
  Mas o livro utiliza dessas presepadas do protagonista para criticar diversas questões, entre elas a escravidão - de forma bem sutil, em passagens que eu considerei cheias de ironia, mas sei que muita gente considera o autor racista - mesmo que tenha sido um livro escrito na época que o preconceito racial era extremo e retratando isso de forma fidedigna.
  Temos aventuras mais maduras também, como quando Tom e Huck presenciam um assassinato, coisa que pode parecer o fio condutor da história, mas não é, essa briga de gato e rato entre o assassino e o protagonista vai durar boa parte do livro, mas mesmo enquanto ela acontece é muito mais interessante acompanhar a vida comum de cada personagem e as repercussões que outras ações menores têm em cada um deles.
  Para mim o livro só desandou um pouco na parte que Tom se apaixona, sabem que minha tolerância para romance é bem baixa então vocês podem interpretar isso da forma que melhor lhes convir, mas até esses momentos proporcionam situações hilárias, mas também tornaram a leitura cansativa em diversos momentos. Outra coisa que eu não curto muito, mas que pode ser vista como ponto positivo, foram as falas de Huck, por ser uma criança sem estudo ele fala bem parecido com a forma que a protagonista de A Cor Púrpura narra aquele livro, ou seja, cheio de erros gramaticais, isso dá sim certa verossimilhança para o personagem, mas me incomodou durante a leitura.
  Em suma, é um livro divertidíssimo, com uma narrativa capaz de nos imergir nos Estados Unidos do século XIX e nos encantar com cada personagem, ao mesmo tempo que ele passa por temas como amizade, religião, família, lealdade e justiça. Só não dei nota máxima porque ele realmente me cansou depois que o romance entrou na história.

https://www.skoob.com.br/autor/655-mark-twain

2 comentários:

  1. Oi Rudi. Ontem mesmo, passeando por uma feira de livros dentro do shopping vi um exemplar dessa obra, deveria ter comprado.

    Eu também evito ler sinopses.

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  2. Acho que você iria adorar ele Kelly.
    Sobre as sinopses esse é um eu acho que entrega demais já

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