quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

[Opinião] Era no Tempo do Rei - Ruy Castro #261

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Editora: Alfaguara

N° de Páginas: 248

Quote:

"Diante dessa avó biruta, Pedro apenas ouvia e fazia que sim. Até ele, com sua pouca instrução, sabia que os agentes do Terror, como Marat, Danton, Robespierre e centenas de outros, além do próprio Egalité, já estavam tão mortos quanto Luís XVI e igualmente guilhotinados — exceto Marat, assassinado em sua banheira pela militante girondina Charlotte Corday (logo Marat, que só tomava banho para fins medicinais!). As vezes, Pedro tinha pena da rainha. Mas, quase sempre, despedia-se dela com um novo beija-mão, retirava-se andando de costas e, depois de fechar a porta atrás de si e sair no corredor, deixava escapar um suspiro de alívio. Não era justo que uma rainha terminasse assim — que o mundo desse a volta ao juízo de alguém nascida para usar uma coroa e interferir nos destinos desse mesmo mundo. Mas já havia muito que dona Maria não interferia nem no próprio destino.”

Sinopse:
  O cenário é o Rio de 1810, dois anos depois da chegada da Família Real portuguesa, com as ruas vivendo uma agitação jamais vista em uma cidade das Américas. Os personagens são nobres e plebeus que existiram de verdade e outros saídos da mais delirante imaginação.
  Em Era no tempo do rei, nem tudo o que se lê neste livro aconteceu - mas podia ter acontecido. Afinal, o autor é Ruy Castro. Os heróis de Era no tempo do rei são o príncipe D. Pedro e seu amigo Leonardo, um menino de rua, ambos com 12 anos. Os dois garotos endiabrados tomam a cidade de assalto, envolvendo-se nas mais empolgantes cabriolas.
  Na pista deles, estão o temível major Vidigal, a prostituta Bárbara dos Prazeres, a vingativa princesa Carlota Joaquina, o pio padre Perereca, o sinistro inglês Jeremy Blood, granadeiros, ciganos e capoeiras. Como pano de fundo, a luta pelo poder no Brasil, em Portugal e nas colônias espanholas no Prata.
  Era no tempo do rei é um romance malandro e picaresco, com tudo que isso significa: erotismo, crítica, sátira, humor e muita ação. É também uma festa de cheiros, comidas, roupas, costumes, palavras e expressões da época.
  Nunca a História do Brasil foi tão irresistível.


Opinião:
  Vocês sabem que eu adoro falar a forma como os livros chegam até mim, então vamos começar com essa história.
  Eu queria muito o livro Quase Memória, simplesmente por curiosidade, nem me considerava ainda fã do Cony, já tinha lido um livro dele mas não tinha achado lá grande coisa, mas foi um livro enviado pela TAG, e indicado justamente por Ruy Castro, como não encontrei o livro para troca no Skoob (apenas em edição de bolso), resolvi procurar alguma coisa da Alfaguara, e me apareceu esse livro, como nunca tinha lido nada do autor, tinha curiosidade, e o título me chamou a atenção, resolvi solicitar... e quando ele chegou tem uma indicação do Cony na quarta capa dizendo:
"Consagrado como autor de grandes biografias temos agora em Ruy Castro o biógrafo de um tempo"
  Achei divertido o fato de que ao procurar um livro do Cony indicado por Ruy Castro encontrei um livro do Ruy Castro indicado pelo Cony.
  A história se passa em 1810, quando Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, também conhecido como Dom Pedro I, era apenas uma criança de 12 anos, e uma criança daquelas que sempre se diz "não repare que teu filho fica igual". A propósito, qualquer aluno que decore o nome completo desse pessoal do início da pátria merecia alguns pontos extras nas aulas de história, viu!?
  Chamaremos o príncipe proclamador da república de Pedrinho nessa postagem. Pedrinho é uma criança endiabrada que conhece Leonardo, um garoto que vive pelas ruas, abandonado pelo pai logo depois de a mãe abandonar a ambos, em suas diabruras pelas ruas do Rio de Janeiro do século XIX eles vão conhecer Bárbara dos Prazeres, personagem deveras interessante e com um passado que a liga ao príncipe, mas no hoje do livro ela já é uma velha prostituta meio abilolada das ideias.
  Então passamos a acompanhar Pedrinho e Leonardo em suas aventuras com um conhecendo o mundo do outro ao mesmo tempo que vão firmando uma forte amizade que passará tanto pelo palácio como pelos becos do Vidigal, fugindo hora dos pais (de Pedrinho, no caso) ora de bandidos e "cuidadores" de Bárbara dos prazeres.
  É um livro que apesar de ter alguns fatos reais retratados também se dá a liberdade de romancear colocando Bárbara dos Prazeres (uma personagem que pode ou não ter existido mas que é a protagonista de uma lenda urbana carioca) como uma personagem com considerável importância na trama além de ter Leonardo como protagonista, Leonardo esse que crescerá e se tronará o protagonista de Memórias de Um Sargento de Milícias, um livro que quero muito ler.
  O livro é divertidíssimo, a linguagem usada nos leva ao passado e o texto flui de forma admirável, já quero ler tudo que tiver oportunidade do autor. É o melhor livro do mundo? Não, mas com certeza vale cada página lida.


4 comentários:



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