sexta-feira, 15 de abril de 2016

[Opinião] Feliz Ano Velho - Marcelo Rubens Paiva

Editora: Alfaguara

N° de Páginas:270

Citação:
Não tinha o mínimo sentido. As lágrimas rolaram , chorei sozinho, ninguém poderia imaginar o que eu estava passando. Nada fazia sentido. Todos sofriam comigo, me davam força, me ajudavam, mas era eu que estava ali deitado, e era eu que estava desejando minha própria morte. Mas nem disso eu era capaz, não havia meio de largar aquela situação. Tinha que sofrer, tinha que estar só, tão só que até meu corpo me abandonara. Comigo só estavam um par de olhos, nariz ouvido e boca.

Sinopse:
  Marcelo, um garoto de vinte anos, muitas namoradas, estudante de engenharia agrícola na Unicamp, sobre em uma pedra e mergulha numa lagoa imitando o Tio Patinhas. A lagoa é rasa, ele esmigalha uma vértebra e perde os movimentos do corpo. Começa ali, naquele mergulho, a história de Feliz Ano Velho, um relato verdadeiro do acidente que deixou o escritor Marcelo Rubens Paiva tetraplégico, a poucos dias do Natal de 1979.
  O autor confere à narrativa a mesma energia e o mesmo fôlego com que transpôs a armadilha do destino. Doze meses de uma recuperação lenta e dolorosa: dias e noites intermináveis numa UTI (a ''antessala do céu ou do inferno''). O acidente no lago seria o segundo tranco na vida do garoto. O primeiro foi aos onze anos: o desaparecimento do pai - o ex-deputado federal Rubens Paiva -, sequestrado, torturado e morto por agentes da ditadura militar. Um despertar violento da consciência política. 
  Marcelo se encarrega de colocar em palavras a relação de amor e respeito à mãe, o carinho das irmãs, a camaradagem e o encorajamento da turma, as festas e as fantasia sexuais. Apesar do tema trágico, o livro - um clássico da literatura brasileira contemporânea - explode de humor, ternura e erotismo. O texto expressa a irreverência e a determinação da juventude, mesmo na adversidade. E a compreensão precoce de que o ''futuro é uma quantidade infinita de incertezas''.

Opinião:
 Ouso dizer que a Alfaguara é minha editora favorita, ou forte candidata a ser. Adoro a escolha do acervo, seus livros mais reflexivos, com ótimas histórias sem muita ação mas que ainda assim conseguem ser incríveis. Adoro as capas simplistas e a diagramação simples... mas que ódio quando peguei esse livro e vi que a capa era Soft Touch ¬¬' Odeio isso.
  Enfim, aqui vemos um período da vida do autor, que em um momento de nebulosidade alcoólica resolve mergulhar de cabeça em um lago... só que ele não sabia que o lago mal chegava a meio metro de profundidade. Resultado: Uma fratura na coluna que o faz perder todos os movimentos do corpo. E então vemos sua recuperação, que leva cerca de um ano. Nesse um ano ele relembra suas alegrias, tristezas e traumas, como o sumiço do pai, preso torturado e ~puf~ durante a ditadura militar.
  O livro, mesmo sendo um relato real, ou talvez exatamente por isso, nos traz diversas lições de vida, o valor da amizade, a importância da luta pela liberdade de expressão e do conceito político.
  Marcelo é um jovem malandro, e é dessa forma que ele nos conta a sua história, fazendo uso do linguajar chulo e sem filtro usado pela esmagadora maioria do povo, isso faz com que a leitura flua rapidamente e apesar de ele não ser lá a pessoa mais cativante do mundo, e eu não ter me identificado com ele em momento nenhum, podemos sentir sua dor e torcemos por sua recuperação.
  Não só pela sua recuperação, mas torcemos também para que descubra o que realmente aconteceu com seu pai, que nunca voltou para casa e, segundo os militares que o levaram, nunca esteve preso.
  É um livro sobre perda, injustiça, força, recuperação, amizade e amor familiar, além da liberdade da juventude sua força e vontade de viver... Um livro que nos faz parar e pensar na vida, agradecer pelo que temos e lutar pelo que queremos.


4 comentários:

  1. Oi, Rudmar!
    Ouso concordar com você, mas dizendo que todos os selos da Companhia das letras são assim muito bons e cheios de histórias boas para contar. A Alfaguara não poderia ficar de fora, não é?
    Fiquei tentado a ler esse livro, mas ainda não li. E seus comentários diretos e sem rodeios me fizeram querer ainda mais,

    Abraço.

    Diego, Blog Vida & Letras
    www.blogvidaeletras.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Diego,
      Não sou tão entusiasta quanto você em relação aos selos da Cia, Tenho um certo problema com a Seguinte quando se refere à escolha do acervo.
      Leia carinha, quero ver o que você vai achar dele!

      Excluir
  2. Olá Rudmar!
    Encontrei seu blog meio que por acaso quando estava procurando resenhas e indicações de livros.
    Confesso que estou completamente presa em um bloqueio literário, me deixando cada vez mais agoniada. Gostei muito do seu blog e não só pelo nome (algo que me identifico muito, sou extremamente antissocial por opção), mas pelo conteúdo diversificado.
    Ainda não li Feliz ano velho e foi por pura preguiça e desinteresse, tenho esse livro há anos, tanto que está até se desfazendo de tão velho, porém nunca chamou minha atenção. Pelo menos não até agora que li sua resenha.
    Vou ver se consigo mandar para longe essa minha ressaca e dar uma chance ao Marcelo Rubens.

    Obrigada e um abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Karolina,
      Sendo assim espero te ver por aqui mais vezes hein!
      Dê uma chance mesmo, é super agradável (tá, talvez não agradável) de ser ler. Agora estou querendo o Ainda Estou Aqui para conhecer mais sobre o que a família dele passou durante a ditadura.

      Excluir



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...