sábado, 23 de abril de 2016

[Opinião] Três Contos - Leon Idris

Contos publicados, separadamente, de forma independente na Amazon.

Citação:
É uma pena que um livro possa estar em nossas mãos ou sobre a mesinha de cabeceira sem que jamais chegue a sussurrar em nosso ouvido aquilo que tão devotadamente tem para nos dizer. Ele só se acende vivo e nos segreda o que guarda caso nós mesmos falemos por ele, caso interrompamos nossa vontade de falarmos por nós. Suas palavras estão mortas se não nos dermos tempo para abri-lo. Assim como um amigo está para sempre perdido se não nos abrimos para ouvi-lo."

Sinopse:
Sobre o Que Nos Separa: Um conto sobre um direito humano ainda por ser descoberto.
Há Pouco: Um Conto sobre Últimas palavras.
Alfred e a Estante: O que se perde quando se perde um livro. Um conto sobre um homem obcecado por sua estante.

Opinião:
  Posso dizer que esse "carioca camuflado como paulista" conseguiu mais um fã, estou lendo o livro dele e adorando, mas hoje vim falar sobre os três contos que ele publicou, todos disponíveis pela Amazon por um preço mínimo ou pelo Kindle Unlimited.
  Vou falar dos contos na ordem inversa a que eu li, então começamos com Sobre O Que Nos Separa:
  Um belo dia, sem qualquer explicação, os trilhos de trem começaram a ficar imprevisíveis, você sobre em um trem em Nova Iorque e desce em Istambul, os trilhos agora levam para qualquer lugar do mundo, e sem nenhuma lógica, o que no início causou um grande transtorno com o tempo se torna um enorme atrativo, as viagens internacionais são mais acessíveis, todos se tornaram mais receptivos aos estrangeiros. É uma reflexão sobre igualdade, sobre todos terem o direito de viver e dividir o mesmo planeta, é uma esfregada na cara mostrando que somos todos iguais.
  Há pouco é um conto curto, e há muito pouco pra falar sobre ele (desculpa, não resisti). Aqui um garoto nos conta sobre um amigo do tempo de escola, que tinha um problema físico que fez com que o narrador se compadecesse dele, e começasse a pensar, mais uma vez, na igualdade, sobre as necessidades alheias e o quanto sabemos sobre as pessoas que nos cercam, é um conto incrivelmente curto, em páginas deve ser cerca de 3, mas é bastante profundo e bem escrito.
  Meu conto favorito, sem dúvida, é Alfred e a Estante.
  Aqui ele nos conta a história de um homem sem nome, que resolve comprar uma estante para guardar seus livros que ficavam empilhados pela casa (me lembra alguém), e que adora Murakami (me lembra a mesma pessoa) e ficou por um bom tempo com o Conto Sono, do escritor japonês, rodando em sua mente (meu Deus, #EsseCaraSouEu). Depois de ficar até tarde da noite arrumando a estante ele vai dormir satisfeito, ao acordar (uma nota: na minha opinião esse cara jamais acorda) percebe que está faltando um livro... e isso o leva a certas "aventuras" . Ele é, evidentemente, inspirado na ideia central de Sono (já falei dele aqui, lembra?) onde a gente não sebe direito o que é real e o que não é, mas o desenvolver da história é totalmente diferente, aqui, ao invés de uma mulher que para de dormir e ninguém percebe, temos um homem que fica louco tentando descobrir onde foi parar o livro desaparecido da sua estante. Além de toda a trama envolvente e escrita cativante o conto me pegou porque logo antes de eu lê-lo percebi que faltava um livro na minha coleção... e eu ainda não descobri o que foi feito dele... claro que eu não fui tão longe quanto ele para descobrir aonde meu livro foi parar. Por falar em ir longe, o final do conto é espetacular.
  Nasce um grande autor minha gente, um jovem cujos netos estudarão sobre ele.


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