domingo, 30 de agosto de 2015

[Opinião] Mentiras que Confortam - Randy Susan Meyers

Editora: Novo Conceito
Nº de páginas: 368

Trecho:

Nathan nunca a conheceu de verdade, e ela nunca o conheceu.
Ela o transformara em um personagem, e preenchia todos os espaços com qualidades mágicas que atribuía a ele. Sua inquietação natural ela redesenhara como seu apego pela alma gêmea. Havia redesenhado seu desejo sexual em um amor de uma vida. E a família dele? Tia desenhara para eles um borrão em um tom pastel que mal se podia enxergar, que, até ela ter imaginado que ele deixaria a mulher e os filhos causaria um pouco de desordem por um curto período de tempo, longe de seu conhecimento. De certa forma, acreditou nas mentiras que contou a si mesma”.

Sinopse: 
Cinco anos atrás...
Tia apaixonou-se obsessivamente por um homem por quem nunca deveria ter se apaixonado. Quando engravidou, Nathan desapareceu, e ela entregou seu bebê para a adoção.
Caroline adotou um bebê para agradar o marido. Agora ela questiona se está preparada para o papel de esposa e mãe.
Juliette considerava sua vida perfeita: tinha um casamento sólido, dois lindos filhos e um negócio próspero. E então ela descobre o caso de Nathan. Ele prometeu que nunca a trairia novamente, e ela confiou nele.
Hoje...
Tia ainda não superou o fim do seu caso com Nathan. Todos os anos ela recebe fotos de sua garotinha, e desta vez, em um impulso, decide enviar algumas delas para a casa do ex-amante. É Juliette quem abre o envelope. Ela nunca soube da existência da criança, e agora precisa desesperadamente descobrir quantas outras mentiras sustentaram o seu casamento até hoje.


Opinião:
  O livro de hoje conta a história do caso entre Nathan e Tia, e o “bafafá” que essa escapadinha causou na vida de diversos personagens da trama.
  Tudo gira em torno da menina Savannah, que foi dada para adoção por Tia depois de uma atitude egoísta e imatura, e que foi adotada por Peter e Caroline. A menina também afeta a vida da chifruda... quero dizer, da traída Julliete, esposa de Nathan, exatos cinco anos depois da dita traição.
  A história é narrada em capítulos intercalados entre Caroline, Julliete, Tia e Nathan. Contudo, senti que o foco era direcionado para as três mulheres e cada uma tem um drama particular: Caroline simplesmente não consegue sentir-se confortável no papel de mãe, enfrentando dificuldades em conciliar a maternidade e o trabalho. Julliete sente a estrutura de seu casamento abalado com o surgimento da filha de Nathan, Savannah. E Tia ainda tenta esquecer Nathan, além de tenta seguir em frente sem poder participar da vida da filha.
  Apesar de parecer confuso, a narração foi muito clara e concisa, além de ter fluidez. A autora teve a oportunidade de apresentar cada faceta dos problemas da trama aos olhos de cada personagem, nos dando assim uma visão geral da história.
  O problema aqui foi que não consegui me conectar com nenhum personagem.
  Achei Julliete muito chata, tentando encontrar chifre em cabeça de cavalo depois que descobrira a filha fora do casamento do marido. Ela me irritou com as suas neuroses e achei que a autora devia ter dado um tratamento psicológico para ela.
  Já Tia conseguiu ir mais longe que Julliete, já que quando eu chegava a um capitulo narrado por ela, não conseguia deixar de suspirar. Tia simplesmente parou no tempo depois que Nathan foi embora, e ver a inercia de sua vida, sua obsessão pelo ex-amante, me frustrou. Gosto de personagens reais, mas o masoquismo de Tia alcança um nível que creio não poder suportar.
  Caroline foi a personagem que eu mais gostei... E que mais me deu medo. Pelo menos para mim, em alguns momentos ela parecia um tanto psicopata... Teria sido realmente bom se ela tivesse agido completamente feito uma. Fora que o seu modo de amar Savannah me pareceu peculiar e bem diferente do modo que todos afirmam que as mães amam seus filhos. Obviamente ela ama a garota, mas isso não quer dizer que ela queira o papel materno 24 horas do seu dia...
  O que eu apreciei na narração foi que, apesar de revirar os olhos para as atitudes de alguns personagens e querer estrangular Tia e Julliete regularmente, elas são muito reais e com problemas reais. No meu ponto de vista a autora foi bem ousada na construção de cada personagem, desconstruindo perfis de mocinhos e vilões, e criando pessoas de verdade. Ela tratou a traição de diversos ângulos, mesmo que tenha tratado Nathan como um cachorrinho adestrado após o episódio.
  Eu gosto de dramas familiares, assim como gosto de personagens peculiares e inteligentes. Apenas Caroline e seu relacionamento de mãe e filha com Savannah agradou, e mesmo assim, não consegui me conectar inteiramente com elas. Faltou um “up”, algo instigante na trama que acabou deixando-a deficiente. Já devo ter comentado com vocês como aprecio histórias com aquele clímax intenso, finais bem trabalhados e eu não encontrei isso no livro.
  A impressão que tive foi que ele é voltado para o público feminino, e talvez por isso eu não tenha me conectado com o enredo, já que ando em uma fase meio “tripas e sangue” haha. Mas não posso negar que a história é muito bem contada, que a leitura é rápida, e que você até consegue entender os motivos dos personagens de tomarem certas atitudes... O que não me impediu de não aceitar seus pontos de vista.
  Então é isso! Haha
  A gente se vê por aí.
  Beijos***




















quarta-feira, 26 de agosto de 2015

[Enquadrando] Dinastia M

HQ ♦ Salvat ♦ Marvel ♦ X-Men
  Uma das maiores histórias dos X-Men, de todo o universo Marvel na verdade, mas principalmente dos X-Men, é Dinastia M. O que eu considero apenas o primeiro capítulo de um grande episódio (que pra mim funciona da seguinte forma: Começa com Dinastia M, seguindo por Complexo de Messias e terminando com Vingadores Vs X-Men.
  O maior spoiler dessa edição já é bastante conhecido mas não vou comentá-lo para não estragar a leitura de alguém que talvez não saiba.
  É fato que as melhores histórias são aquelas onde nossa querida Feiticeira Escarlate perde as estribeiras e em um momento de "leve" loucura usa seus poderes de alteração da realidade para... bem... alterar a realidade...
  Aqui temos o professor Xavier convocando tanto os X-Men quanto os Vingadores para decidir o futuro de Wanda Maximoff, que está totalmente desequilibrada trazendo seus filhos de volta, lembrando que eles não poderiam sequer existir, pra começo de conversa, já que são filhos dela com o Visão, um sintozóide.
  Depois de muita discussão de se deveriam ou não matá-la eles partem para encontrá-la, e ao chegarem perto tudo simplesmente... muda (lembra? Poderes de alteração da realidade) e então somos transportados a um mundo onde cada personagem tem a vida que sempre desejou... e praticamente ninguém sabe disso, ninguém percebe que há algo errado.
  Tudo parece ótimo, mas o que aconteceu com a antiga vida de cada um? Será que um mundo de sonhos pode ser melhor do que o mundo real a longo prazo?
  Uma história com uma arte incrível e magistralmente escrita pelo incrível Brian Michael Bendis, o melhor roteirista da Marvel da atualidade.

Talvez te interesse...

  Nessa história é criada a personagem Layla, uma garota mutante que posteriormente integrará o X-Factor, além de ter um papel bastante importante também na saga Complexo de Messias. E pra quem não sabe o poder dela, que eu particularmente acho incrível, é simplesmente saber das coisas, todas as coisas. Ninguém pode mentir pra ela e ela sempre sabe como resolver uma situação.


  O "M" do título é de Magnus, ou Magneto, pois ele é o soberano dessa nova realidade criada por sua filha o que coloca todos determinados a detê-lo pois obviamente ele que convenceu Wanda a modificar tudo, ou será que não?


  Sinopse da Edição

  Bem-vindo à Dinastia M - um mundo onde mutantes e humanos convivem em paz e onde todos os heróis parecem ter seus desejos realizados. Mas essa utopia não é como as coisas deveriam ser. Entre o crescente caos e a confusão que surgem conforme a realidade começa a se revelar, somente uma coisa é certa: o Universo Marvel nunca mais será o mesmo.







domingo, 23 de agosto de 2015

[TAG] Livros em Fatias


  Então minha gente, o projeto culturação juntou duas das melhores coisas desse mundo: Livros e Pizzas :p

  Vi a TAG no blog do Tony (confira as respostas dele clicando aqui.)

  Para saber minha opinião mais detalhada sobre os livros citados é só clicar nas suas respectivas fotos ;)


1º pedaço: O mais gostoso de todos eles, aquele que você come primeiro com os olhos – Um livro que você comprou pela capa.




  Já disse isso antes mas vou repetir :p
  O principal motivo de eu ter comprado A Luz Entre Oceanos foi a capa, que achei linda, diferente de muita gente, pelo que andei percebendo, mas esse realmente foi um dos livros mais "gostosos" de se ler. Adorei a história, o que me fez achar a capa ainda mais bonita.










2º pedaço: Você está só começando e o segundo pedaço sempre deixa um gostinho de quero mais – Um livro que você leu e não vê a hora de lançarem a continuação.


  O Nome do Vento não foi um livro que me conquistou de cara... gostei da escrita e achei a história interessante, mas a vida dos Edena Ruh não me conquistou muito, achei bacana mas nada espetacular, mas aí a história é chacoalhada virada de cabeça para baixo e do avesso e você simplesmente não consegue mais largar o livro, e o final, minha gente, o que é o final? (Bast, senta aqui, vamos conversar, o que está acontecendo?) Ainda não sei porque deixei esse livro de fora dos Melhores do Ano, acho que não tinha digerido ele muito bem ainda...






3º pedaço: Aquele que te faz querer outros sabores – Um livro que de tão bom, te faz querer ler todos os outros do mesmo autor.


  A lista para essa categoria é grande, mas resolvi pegar um mais recente. Li Sono esse mês e depois do choque inicial com o final percebi o quanto esse cara é brilhante e decidi que quero, e muito, ler tudo que ele escrever.











4º pedaço: Quando você pensa que não vai conseguir comer, ele apenas abre mais o apetite – O livro que você não gostou no começo, mas que depois a leitura ficou irresistível.


  Pra começar vamos deixar uma coisa clara: Quem é que acha que não vai conseguir aguentar o quarto pedaço de uma pizza? Se for o sétimo vá lá, mas o quarto?
  Gula à parte vamos ao que interessa:O começo de Planeta dos Macacos foi bem maçante para mim, na verdade não o começo, começo, mas logo depois que os personagens chegam em Soror, e apesar de em momento nenhum da história termos uma grande passagem de ação s coisas melhoram consideravelmente e simplesmente não conseguimos largar o livro.
  Recentemente (cerca de um mês depois de eu ter lido o livro) a editora Aleph relançou a obra em uma edição incrível.





5º pedaço: Não tem o mesmo sabor que os outros pedaços, mas ainda assim você come – Um livro sequência, mas que não foi tão bom quanto os outros.


  Insurgente foi o livro que menos gostei da trilogia, felizmente o filme ficou bem melhor, a personagem principal está incrivelmente irritante e apesar de ter bastante coisa relevante para a trama tem muita enrolação e mimimi também.












6º pedaço: Você já não está mais sentindo o gosto dele – Um livro que a leitura está arrastada, por mais que se esforce não consegue digerir.


  Eu li Sabriel bem antes de criar o blog, o que não me impede de falar mal dele por aqui né?!
  É um livro de fantasia, com necromantes e criaturas estranhas, espíritos e blábláblá... não fiz muita questão de gastar meus gigas de memória guardando direito essa história. mas lembro que é um livro pequeno que demorei semanas pra ler porque é realmente muuuito chato.








7º pedaço: Aquele que te deixou empanturrado – Aquele livro que você está lendo, mas a leitura não está fluindo, como se estivesse entalada na garganta.


  Faz meses que estou "lendo" Enterrem Meu Coração na Curva do Rio e a leitura não flui muitos motivos. Ter toneladas de informações despejadas em um parágrafo me deixa confuso e sobrecarregado, o fato de muita dessa informação ser relatos de barbáries realizadas pelos colonizadores dos EUA contra o povo indígena. É difícil de digerir.










8º pedaço: Você não aguenta mais nem olhar para ele – Um livro que você detestou e que por este motivo ele encontra-se abandonado em sua estante, aguardando uma nova chance.


  Não é que eu detestei Arkansas, e ele não está abandonado, mas com certeza não lerei ele novamente, é um livro maçante e chato, apesar dos diálogos, que são muito bacanas e bem humorados.











  E essa foi a Tag meu povo, como não fui tagueado também não vou taguear ninguém, quem quiser fazer fique a vontade, não deixem de votar no melhores do ano clicando aqui. E por hoje é isso, vou nessa porque essa TAG me deu fome :p

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Melhores do Ano S02E06

  Agora que arrumei um tempinho para ir aos correios enviar os prêmios que estavam se acumulando por aqui posso voltar a fazer o Melhores do ano, certo?
  Sim, desse vez teremos uma votação, o último eliminado, o Gabryel, deve receber o "prêmio de consolação" dele logo, se os correios colaborarem...



  O eliminado dessa vez levará para casa, ou melhor, receberá em casa, o livro O Guardião do Tempo, do Mitch Albom, super propício considerando a situação na qual me encontro esses dias :p


  Boa sorte a todos ;)





[Atualização] Esqueci de avisar... vocês podem votar até 10/09

domingo, 16 de agosto de 2015

[Opinião] Doctor Who: Mortalha da Lamentação - Tommy Donbavand

Editora: Suma de Letras

N° de Páginas: 172

Citação:

Por favor, apertem os cintos de segurança e deixem as bandejas na posição fechada. Em caso de turbulência ou de lampejos apavorantes de memórias alheias, por favor, tentem permanecer calmos. Se o oxigênio falhar, vocês todos vão ficar azuis e sufocar em questão de segundos, então vamos cruzar os dedos e torcer para isso não acontecer."

Sinopse:
  É o dia seguinte ao assassinato de John F. Kennedy - e o rosto de pessoas mortas começa a aparecer por toda a parte. O guarda Reg Cranfield vê o pai na névoa densa ao longo da estrada Totter Lane. A repórter Mae Callon vê a Avó em uma mancha de café na mesa de trabalho. O agente especial do FBI Warren Skeet se depara com seuparceiro falecido há muitos anos olhando para ele através das gotas de chuva no vidro da janela.
  Então os rostos começam a falar e gritar. São as Mortalhas, que se alimentam da tristeza alheia, atacando a Terra. Será que o Doutor conseguirá superar o próprio luto para salvar a humanidade.
  Uma aventura inédita inédita do Décimo Primeiro Doutor e sua companion Clara Oswald.

Opinião:
  Ministério da saúde adverte, qualquer contato com Doctor Who, sejam os livros ou a série de TV, causa dependência.
  Sim, eu inventei de começar a assistir Doctor Who direito depois que comecei ler esse livro e me encantei... até então eu não tinha assistido um episódio completo da série, mas minha relação com a mesma é assunto para outro post, agora vamos falar exclusivamente desse livro.
  A história começa com a TARDIS indo parar onde não deveria, em Dalas, no dia seguinte ao assassinato do presidente Kennedy e é ali que conhecemos os "vilões", um tipo de alienígena que se alimenta de tristeza.
  A história é envolvente, o humor do Décimo Primeiro Doutor é refinado e juntando a ironia de Clara em vários momentos somos presenteados com situações cômicas.
  Mas na minha opinião o autor cometeu um pequeno erro de percurso durante o desenrolar dos fatos... toda a ideia dos alienígenas estimularem o luto em suas vítimas e se alimentarem do seu sofrimento é muito bem colocado, mas em determinado momento o grupo vai a um outro planeta, já devastado pelas ações desse mesmo inimigo, e por um momento as coisas chegam ao ápice da genialidade.... e caem com brusquidão ao chão.
  O livro mostra o quanto os sentimentos fazem parte do ser humano, mesmo aqueles ruins, que não gostaríamos de sentir, como a tristeza. E o quão desequilibrados ficaríamos sem um deles. A forma que os residentes do planeta anteriormente mencionado encontram para recuperar as vítimas das Mortalhas é, no mínimo, tosca.
  Reconheço que a série tem seus absurdos, mas são absurdos bem colocados, sátiras sutis, não escrachadas como nesse livro, mas esse, confesso, foi o único defeito que encontrei na história. Os pontos positivos? Ora, é Doctor Who, retratado de forma magistral e extremamente fiel aos padrões originais.
  Ficção científica, drama, comédia, aventura, suspense e até um pouco de terror... como não amar essa história, mesmo com as palhaçadas (sim, exatamente, palhaçadas, quem leu vai entender)?


Sim, ele parece um Slitheen
O número de estrelas é igual ao número desse Doutor


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

[Opinião] Liberdade Crônica - Martha Medeiros

Editora: L&PM

N° de Páginas: 255

Citação:
O que faz com que uma pessoa entenda o que está enxergando e saiba julgar qualidade é, e sempre será, a leitura [...] Eu poderia ter o mesmo pai, a mesma mãe, ter frequentado o mesmo colégio e tido os mesmos professores, e seria uma pessoa completamente diferente do que sou se não tivesse lido o que eu li. Foram os livros que me deram consciência da amplitude dos sentimentos. Foram os livros que me justificaram como ser humano. Foram os livros que destruíram um a um meus preconceitos. Foram os livros que deram vontade de viajar. Foram os livros que me tornaram mais tolerante com as diferenças. Foram os livros que me deram ânsia de investigar mais profundamente o meu mundo secreto e o de cada pessoa, e isso abriu caminho para eu buscar esse conhecimento também através de Van Gogh e Picasso, de Truffaut e Bertolucci, de Piazzolla e Beatles. E se faço das palavras de Woody Allen as minhas, é porque foi a literatura que me levou até ele também."

Sinopse:
  Liberdade, palavra que o sonho humano alimenta... Como conciliá-la com as exigências da vida, com os limites de uma relação amorosa, com nossa família, com nossas mundanas precariedades?
  A busca por liberdade e por equilíbrio são aspectos muito presentes na obra de Martha Medeiros, uma das cronistas mais lidas do país. Este volume reúne os melhores textos de 20 anos de carreira sobre A mulher contemporânea, Livros, filmes, músicas etc., Fé e equilíbrio, No divã e Sociedade, e debate nossa eterna luta para combinar a ânsia por liberdade com outras aspirtações.

Opinião:
  Nunca sei por onde começar a falar sobre uma coletânea de crônicas dessa mulher...
  Esse livro é, segundo eu mesmo, o primeiro da chamada "trilogia crônica" da autora gaúcha, trilogia essa composta por: Liberdade Crônica (Avá), com crônicas sobre A mulher contemporânea, Livros, filmes, músicas, etc (cultura, em geral), Fé e equilíbrio, No divã (psicanálise por uma paciente) e Sociedade. Felicidade Crônica; com crônicas sobre Curtir a Vida, Amor próprio, Família e outros afetos e Viagens e andanças. E Paixão Crônica, com crônicas sobre Amor e dor, Sexo, Homens, mulheres e assemelhados. Cada um dos três livros reúne 101 crônicas dos 20 anos de trabalha da Martha, e isso foi algo que me desagradou... Não tem nada inédito nos livros, claro que pra mim teve, afinal só li outros 2 livros dela, mas tudo o que aparece nesses livros já foi publicado nos lançados anteriormente, e mesmo assim vi diversas crônicas que já havia lido nesses outros dois livros, inclusive umas que nem gostei tanto quanto outras que ficaram de fora (talvez apareçam nos outros dois volumes... vai saber)
  Outra coisa que me deixou meio incomodado foi a separação em categorias, começamos o livro só com crônicas sobre a mulher contemporânea, textos que servem para todo ser pensante, não apenas para as mulheres, e depois vamos, um assunto por vez... seria melhor se fosse mesclado, como costumam ser as coletâneas bienais da autora.
  Mas aqui também conhecemos um lado um tanto mais pessoal da autora, sabendo sua opinião sobre assuntos fundamentais que formam o caráter humano, conhecemos suas crenças, bem peculiares. seus pensamentos sobre a cultura de forma geral, muito mais amplos do que os meus já foram em meus tempos de apreciador de arte e sua opinião sobre a sociedade, bem parecida com a minha, mas expressada de forma muito mais inteligente do que eu seria capaz.
  Vale a compra do livro, por não ter nada inédito? vale sim, só de pensar que uma parte do que paguei vai para o bolso dessa mulher incrível já me convence. As capas combinam e trazem uma certa alegria, casando perfeitamente com o conteúdo interno, cheio de bom humor, profundidade e inteligência.






domingo, 9 de agosto de 2015

[Opinião] Sono - Haruki Murakami

Editora: Alfaguara

N° de Páginas: 110

Citação:

Estou com trinta anos. Aos trinta descobre-se que isso não é o fim do mundo. Não digo que é agradável envelhecer, mas há de se convir que certas coisas tornam-se mais fáceis com a idade. Tudo é uma questão de ponto de vista."

Sinopse:
  "É o décimo sétimo dia que não consigo dormir."
  Ela era uma mulher com uma vida normal. Tinha um marido normal. Um filho normal. Ela até podia detectar algumas fissuras nessa vida aparentemente perfeita, mas nunca chegou a pensar seriamente nelas. Até o dia em que deixou de dormir. Então o mundo se revelou. Um mundo duplo de sombras e silêncio; um mundo onde nada é o que parece. E onde ela não pode mais fechar os olhos.
  Sono é um conto inédito de Murakami no Brasil.

Opinião:
  Primeiro: sinto muitíssimo por vocês não conseguirem ter a mínima noção do quanto esse livro é lindo pela foto da capa, pessoalmente é muito mais chamativo.
  Segundo: Sei que hoje eu deveria estar trazendo para vocês a "resenha" de Liberdade Crônica, da Martha Medeiros, mas peguei esse livro pra ler, e em menos de uma hora e meia, contando o intervalo para jantar, eu li inteiro (sim: ele ser curto, com letras enormes e cheio de ilustrações ajudou). e simplesmente decidi que tenho que falar sobre ele para o mundo (até reativei minha conta no Habbo para perguntar se alguém já tinha lido e comentar minhas teorias)
  
  Passadas as duas breves explicações, vamos falar do livro em si.
  Como já disse o livro está lindo, com essa capa azul, branca e prata, as mesmas cores usadas nas ilustrações.
  O livro é narrado por uma mulher sem nome, mas que representa uma enorme parcela da sociedade, tanto homens quanto mulheres: uma pessoa aprisionada a sua rotina, vivendo a vida sonolentamente. a vida de praticamente todos é assim, levantar cedo e ir trabalhar/estudar/cuidar da casa de forma mecânica com cada dia sendo uma cópia do anterior e um vislumbre do seguinte.
  A vida dessa mulher também segue dessa forma, até que um belo dia ela simplesmente deixa de dormir. O que no começo parece ser algo útil - muito tempo para inovar e escapar da rotina, ver o mundo enquanto ele dorme, ler Anna Karenina três vezes durante uma semana (a propósito, ela revela coisa demais desse livro pro meu gosto) - acaba se revelando um pesadelo atormentador.
  
  Sem sombra de dúvida, é uma história escrita para nos obrigar a pensar, o que é ótimo, ele levanta várias questões sobre a rotina, o quanto estamos mecanizados, sobre a morte e o que espera por nós do outro lado, sua inevitabilidade e porque a tememos tanto, mexe com a mente mostrando que é algo que se desgasta e uma hora vai nos deixar na mão, que acumulamos muita informação desnecessária e chegará o dia que não conseguiremos mais guardar nada.
  Em determinado momento o autor praticamente implora para que leiamos nas entrelinhas, o que realmente é de imensa importância no caso desse livro, de todos na verdade, mas pela forma como esse é concluído, se você não ler ele nas entrelinhas vai achar a pior coisa já escrita.
  Eu estava curtindo a leitura cada vez mais e quando virei uma página... tinha acabado, eu estranhei, voltei,li de novo, tive um impulso de reler o livro todo, só reli algumas partes e o final continuava sem fazer sentido, continuava não sendo um final. Pensei na leitura e comecei a juntar algumas coisas, até que uma luz se acendeu e eu finalmente entendi e... caramba, que livro. Ele é simplesmente assombroso, perturbador... e genial, pura e simplesmente genial.

  Se vocês forem acatar a apenas um conselho meu que seja esse: leiam esse livro, mas leiam com atenção, preparados... nas entrelinhas.


STATUS: Apaixonado por literatura japonesa (sim, só com um livro, sou facilmente conquistável... nesses casos)




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