quarta-feira, 28 de agosto de 2019

[Opinião] Vitória - Joseph Conrad #238

https://www.skoob.com.br/vitoria-148221ed618789.html
Editora: Dublinense (Edição Exclusiva TAG: Experiências Literárias)

Nº de Páginas: 399

Quote:

"Matar, amar... os maiores empreendimentos que a vida apresenta a um homem. E não tenho experiência alguma em nenhuma dessas duas coisas. Perdoe-me qualquer coisa que possa ter parecido estranha a você em meu comportamento, que possa ter parecido inexpressiva em minhas conversas ou inadequada em meus silêncios."

Sinopse:
  Joseph Conrad é um escritor singular na língua inglesa. O estilo único é resultado de sua formação poliglota e multicultural: Conrad nasceu na Polônia, foi educado em polonês e em francês, além de ter estudado latim, mas escolheu o inglês para escrever, idioma que só foi aprender aos vinte e um anos. Isso lhe confere um manejo incomum da língua, pois sua prosa evidencia a cadência latina. Suas frases ondulantes criam um ritmo nunca antes visto, selvagem e - ainda assim - sofisticado.
  Vitória foi finalizado em maio de 1914, mas publicado apenas no ano seguinte, já em meio à Primeira Guerra Mundial. O livro traz temas recorrentes na obra de Conrad, como a solidão, a inconformidade com o mundo, o conflito entre o mal e a esperança. Seu protagonista, Axel Heyst, instala-se em uma ilha no sul asiático, em total isolamento, após um fracasso comercial que não abala sua aceitação resignada do destino. Mas a aparição de uma jovem musicista desperta nele um instinto de proteção que o levará a uma crise de identidade e, mais tarde, ao enfrentamento de grande perigos.

Opinião:
  Adoro quando arrisco ler um livro de um autor clássico e aclamado do qual tenho medo e essa experiência é muito melhor do que eu poderia imaginar.
  Enfim, somando à minha vontade com um pedido meio que induzido, vou falar dos livros que li da TAG Curadoria, na ordem em que os li (exceto pelo O Sonho dos Heróis, que já tem postagem sobre e li bem mais recentemente).
  Nesse livro somos jogados ao oriente, uma pequena cidadezinha costeira que tenho minhas dúvidas se realmente existe, ali conhecemos Heyst, nosso protagonista pra quem está tudo suave, cuida da vida dele, não incomoda ninguém e nem deve satisfações a ninguém, mas esse estilo tranquilo, recluso e pacífico do nosso protagonista acaba incentivando algumas histórias e boatos que surgem entre o povo, o protagonista entra em uma sociedade com um grande amigo e abrem uma empresa que lida com carvão em uma ilha próxima, mas a empresa vai a falência e esse amigo acaba morrendo, aí já surge um novo boato, Heyst matou o cara para ficar com o dinheiro da empresa, o fato de a empresa estar falida e Heyst ter tanto dinheiro que fica morando sozinho nas ruínas dessa empresa, praticamente, não parece convencê-los do contrário.
  Um trupe teatral chega a cidade e fica hospedada no, se não me engano, único hotel disponível, hotel esse que pertence a um alemão odioso que apesar de casado resolve arrastar asa para Lena, uma bela jovem que faz parte dessa trupe. Por ele ser casado, nojento e odioso, Lena se recusa a ter qualquer envolvimento ou mesmo contato com ele, mas ela se encanta por Heyst, que também se encanta por ela, e dentre tretas e lábias ela vai morar com ele na ilha de Samburan (se não me engano é este o nome da ilha), mas como ninguém pode ter uma vida tranquila com direito de escolha nesse nosso planetinha corrompido, o hoteleiro (que é chamado por um sobrenome complicado demais para que eu lembre dele, ainda mais considerando que fiz essa leitura a mais de dois anos) resolve infernizar a vida dele com a "ajuda" de dois notórios criminosos.
  Como disse fiz a leitura há mais de dois anos atrás, mas várias cenas estão bem vívidas na minha mente até hoje, o autor tem uma escrita bem visual e desenvolve cada personagem com maestria. Lena é uma personagem que por boa parte da história parece servir unicamente como o estopim de um conflito e talvez um elemento a mais para ferrar a vida do protagonista, mas no decorrer do livro vamos percebendo a engenhosidade e importância dela para a história, inclusive o título só diz respeito a ela (acredito que isso não seja spoiler).
  É um livro belamente escrito que vai tratar, entre outras coisas, sobre a força do amor, sobre solidão e os diferentes tipos de personalidades, mostrando que a única forma de você não desagradar a ninguém é não existindo, simplesmente, pois existe gente capaz de implicar com uma pessoa que vive sozinha em uma ilha deserta sem qualquer contato com as incomodadas.
  Um livro que me deixou muito feliz ao concluí-lo, não pelo final da história, que não é lá muito feliz, mas por ter concluído a leitura de um livro de autor clássico e renomado e ter gostado tanto dele. É uma leitura bastante lenta, mas que vale cada minuto.


domingo, 25 de agosto de 2019

[Opinião] Inteligência Humilhada - Jonas Madureira #237

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Editora: Vida Nova

N° de Páginas: 336

Quote:
"Na contramão do disfarce platônico está a inteligência humilhada do cristão. E não confunda ''inteligência humilhada'' com sacrificium intellectus [sacrifício do intelecto]. O cristão não pressupõe a morte da razão. O que ele pressupõe é a consciência de que a razão é insuficiente. Nesse sentido, podemos dizer que o cristão exige bem menos do que a autonomia da razão, porém bem mais do que o sacrifício do intelecto. Para o cristão, o que de fato está em jogo é a constatação de que a inteligência humana é insuficiente para conhecer, por si só, a verdade total. Ou seja, para chegar ao conhecimento verdadeiro, a razão depende de um poder que a transcende, que ultrapassa seus limites.''
 
Sinopse:
  Inteligência Humilhada é fruto de uma cuidadosa reflexão sobre como se relacionam o conhecimento de Deus e os limites da razão humana. Além disso, é o resgate de uma tradição do pensamento cristão que sempre se recusou a reduzir o debate entre fé e razão nos tempos do racionalismo ou do fideísmo. A finalidade do conceito de "Inteligência Humilhada" é despertar o interesse por uma razão que ora e uma fé que pensa.
  Seguindo o conselho de João de Salisbúria, Jonas Madureira subiu nos ombros de cinco gigantes da tradição cristã: Agostinho de Hipona, Anselmo de Cantuária, João Calvino, Blaise Pascal e Herman Dooyeweerd. Todos eles serviram de ponto de partida e fundamentação do conceito. Ao longo deste livro, essas cinco vozes, sobretudo a de Agostinho, são ouvidas nos mais diversos assuntos: teologia propriamente dita, revelação natural, problema do mal, gramática da antropologia bíblica, formação de um teólogo entre outros.

Opinião:
  Vamos começar com a única reclamação: não gostei da capa :p
   Enfim, esse livro chegou até mim através da Box95, um serviço de assinatura que manda uma caixinha cheia de coisas, entre elas um livro, é um clube de literatura cristã reformado então os livros seguem nesse segmento da teologia, mas como eu já disse em algum lugar, meu conhecimento teórico sobre teologia é bem parco, nem sei muito bem a diferença entre calvinismo e arminianismo, o pouco que sei faz com que eu fique entre os dois.
  Enfim (eu tenho um sério vício com essa palavra), aqui o autor - que entre outras coisas é pastor da Igreja Batista da Palavra em São Paulo, bacharel em teologia, bacharel, mestre e doutorado em filosofia e professor titular de Teologia Sistemática, entre outras - vai discorrer sobre a velha briga Fé versus Razão, e mostrar que as coisas não são auto excludentes, muito pelo contrário, a razão e a fé são como duas pernas, ambas são necessárias para uma caminhada equilibrada.
  Como diz na sinopse, o autor vai defender uma fé que pensa e uma razão que crê e mostrar que a Bíblia em momento algum fala de cometer suicídio intelectual para ingressar em um relacionamento com Deus. Deus quis se manter no campo da fé para que fôssemos livres para escolher ou não acreditar. Podemos, inclusive, pegar dois versículos para corroborar este parágrafo:
"Meu povo foi destruído porque lhes faltou conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim[...]"Os 4:6
"Os céus declaram a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de Suas mão"Sl 19:1 
  Então o autor vai mostrar, usando a Bíblia e também grandes nomes da cultura cristã, que Deus sempre incentivou o conhecimento, a busca pelo conhecimento e que desprezava quem desprezava o conhecimento. Claro que em um mundo de humanos falhos muitos ainda fazem isso e incentivam que outros o façam dizendo visar uma vida mais "santa", o que é uma mentira, biblicamente falando. Não entraremos no mérito de existirem aproveitadores no meio cristão, existe charlatão em tudo que é canto desse mundo, inclusive, muito provavelmente, até nas estações espaciais que orbitam ele.
  O autor vai tratar também a respeito a arrogância de quem diz conhecer a Deus totalmente, algo que não é humanamente possível, conhecemos o que Ele decide nos revelar e é muita presunção acreditar que isso é o todo, se Deus coubesse no entendimento humano ele não seria Deus.
  É um livro que, mesmo bastante calcado na filosofia e teologia e deveras erudito não é difícil de ler, ele é sim um livro lento e denso, mas não tem nenhuma página desperdiçada.
  Finalizando, e reconhecendo que não passei nem dois por cento do que é explanado nesse livro, o autor nos mostra que não precisamos humilhar a nossa inteligência e conhecimento diante de Deus, só precisamos ter consciência de que eles já estão completamente humilhados frente a grandiosidade do conhecimento e glória de Deus.
  O livro pode dar um certo medo, a princípio, mas é de leitura extremamente agradável, embora lenta e bastante elucidativo, talvez um pouco cansativo, sim, sejamos sinceros, mas que vale cada página.





  O autor tem várias pregações no YouTube, vou deixar um vídeo de uma das minhas favoritas aqui, para quem tiver interesse.



quarta-feira, 21 de agosto de 2019

[Opinião] Dance dance dance - Haruki Murakami #236

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Editora: Alfaguara

N° de Páginas: 496

Quote:
''Valorize aquilo que não pode ser verbalizado. Isso é ter consideração pelos que estão mortos. O tempo elucidará muita coisa. O que deve restar, restará, e o que não deve não permanecerá. O tempo resolve a maior parte das coisas. Você deve resolver o que o tempo não resolve"

Sinopse:
  Com muitas referências à música e ao universo pop, dos Beach Boys a Star Wars, Dance dance dance é uma junção do estilo único de Murakami - com seus personagens e cenários inusitados - com um thriller eletrizante.
  O protagonista deste romance é um escritor freelance que se identifica apenas como um ''limpa-neve cultural'': ele aceita todos os tipos de trabalho, mesmo as reportagens mais estranhas, para tentar se reintegrar à sociedade após uma série de eventos traumáticos em sua vida. Enquanto tenta reordenar os fatos do passado, ele procura uma antiga namorada que está desaparecida e decide voltar ao local em que a viu pela última vez - o Hotel do Golfinho. Mas o hotel também não é mais o mesmo.
  Procurando respostas para seus questionamentos, ele é levado a um misterioso mundo de desaparecimentos, atividades ilícitas e especulações, que fazem deste um romance enigmático e envolvente.
Opinião:
  Já li muita coisa maluca do autor, mas esse consegue superar a todos.
  Neste livro voltamos a acompanhar nosso protagonista sem nome que também nos conduziu pelas histórias Ouça a Canção do VentoPinbal 1973 e Caçando Carneiros, e só nesse livro eu percebi que é o mesmo protagonista, ele inicia o livro falando um pouco do seu passado e conta alguns acontecimentos dos livros anteriores, e mesmo que os outros três sejam conhecidos como "trilogia do Rato" esse não entra como parte da ''série'', provavelmente porque o Rato não aparece nessa história, apesar de ser mencionado diversas vezes.
  Não há muito o que eu possa falar dessa história sem revelar alguns acontecimentos de Caçando Carneiros, pois além de se passar com o mesmo protagonista e por vezes no mesmo lugar esse livro é meio que uma consequência das ações tomadas no livro anterior, basta saber que o fulano (vamos chamá-lo assim, já que o Murakami não se dignou a dar um nome para o desinfeliz) precisa retornar ao hotel onde ficou hospedado no livro anterior, ao concluir a viagem e se dirigir ao endereço pretendido não encontra o hotelzinho simples que conhecia, no seu lugar está um gigantesco e luxuoso hotel cuja única semelhança que tem com o antigo é o nome, ele então resolve se hospedar ali e logo as coisas começam a... como posso dizer? Sair do campo da realidade.
  Aqui revemos diversos personagens que apareceram nos livros anteriores, em especial no Caçando Carneiros, todos tem um ótimo desenvolvimento e a frase "por que será?" vira praticamente o bordão do nosso protagonista: Você entrou no elevador e quando saiu não estava mais no hotel, mas em um lugar totalmente estranho. Por que será?" "Desde sempre pessoas que não conheço vêm desabafar comigo, por que será?" "Nem sei seu nome mas confio em você, por que será?"
  Diferente do que pode parecer a quantidade extravagante de "por ques serás?' não faz com que o livro fique enfadonho, pelo menos não para mim, eu me pegava pensando na complexidade do personagem, um "por que será?" me parecia reflexivo, enquanto outro parecia ser dado em tom de chacota, zombando de seu interlocutor.
  O protagonista é carregado pela avalanche de irrealidade e acaba descobrindo coisas que elevariam o ego de pessoas mais... normais, para usar a palavra que melhor cabe. Cada passagem do livro nos faz refletir sobre o que está realmente sendo falado, não só o texto em si, mas o que parece que o autor quis transmitir para quem se dispusesse a pensar no significado de cada maluquice que ele despejou nessas quase 500 paginas.
  Os demais personagens, embora sejam muito bem trabalhados, não parecem ter vida própria, toda história gira em torno do protagonista, inclusive os demais humanos que aparecem, ora pensamos se tratarem da personificação de um desejo, pensamento ou sensação ora os vemos como se fossem meros reflexos do próprio protagonista.
  O tom surrealista do livro, em diversos momentos, nos faz imaginar se o protagonista está sonhando, alucinando ou mesmo vivo. Mas a história em si, deixando de lado tudo que pode estar subentendido e esperando ser decifrado consegue ser extremamente interessante, é viajada? Muito! Parece que o autor é um esquizofrênico com alzheimer que escreveu o livro enquanto estava entupido de ácido? Parece, mas a história é concisa (dentro dos parâmetros nos quais é feita) e se liga muito bem com os livros anteriores (que também eram meio fumados) e não deixa pontas soltas, pelo menos nenhuma que ele ache necessário fechar, explicação para o surreal não vai ter, é nisso que consiste o realismo mágico, tudo, por mas absurdo que seja, é aceito como, no máximo, levemente estranho, pelos personagens.
  Então mesmo que você não queira ficar juntando pedaços de um quebra-cabeças que parece ser feito de fumaça você vai conseguir se divertir e se envolver com a história.
  Se você quiser ler ele sem ter lido os anteriores você não será tão prejudicado em relação a entender a história, claro que alguns acontecimentos não terão tanto peso no seu psicológico, digo, emocional, como terão para quem leu os livros, você perderá algumas referências e terá alguns spoilers, obviamente.
  Enfim, é um livro delicioso que permite infinitas interpretações e experiências, fecha muito bem a história de um protagonista que acompanhamos (eu acompanhei, pelo menos) sem nem mesmo saber que estávamos acompanhando mas que nos conquista aos poucos.
  E gostaria de terminar dizendo que como não quis revelar nada do enredo dos livros anteriores achei que essa postagem seria minúscula mas percebi que posso continuar falando sobre esse livro até amanhã, hehe.
  Para encerrar - de verdade agora - quero reiterar a minha indicação de Sempre, leiam Murakami, causa certa estranheza mas vale muito a pena.

Foto antiga, mas é a que está no Skoob

domingo, 18 de agosto de 2019

[Lista] Livros que foram apagados da minha mente

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  Oi povo, então, tenho muitos livros ainda para "resenhar", mas resolvi trazer uma lista hoje, para não saturar o blog só com opiniões, hehe.
  Minha memória sempre foi uma grande aliada, pelo menos no que se refere a leituras, rostos e lugares, para acontecimentos e nomes ela é razoável, alguns diriam acima da média, mas não sei se concordo.
  Meus amigos nunca acreditam em mim quando digo que não lembro de algo, e mesmo quando esqueço posso recordar depois de algum esforço. Minha cabeça é meio acelerada, então eu leio, canto, "roteirizo" conversas e ainda reflito sobre o dia, e assisto alguma coisa... Claro que nem sempre sou capaz de tudo isso, mas quando estou no meu "normal" isso é bem tranquilo.
  Enfim, da grande maioria dos livros que li na vida me lembro bem e com vários detalhes, mas alguns foram simplesmente apagados, vou falar sobre eles aqui e tentar lembrar de algo sobre...
  Bom, segundo meu skoob eu já li 428 livros na vida, mas me lembro de 2 que não estão cadastrados no site (A Gralha Azul, um livro que li e reli na primeira série sobre um animal que realmente existe, apesar de ameaçado de extinção - e que talvez até já tenha sido extinto - que enterrava sementes de araucária para comer depois e acabava esquecendo onde, o que dava origem a um novo pinheiro e Olhos de Fogo, um e-book que recebi do autor já tem uns cinco anos protagonizado por um casal de irmão vampiros com menos de dez anos, ele disse ser o primeiro de uma série, mas nunca vi as sequências, não que eu queira ler), mas como tem alguns contos cadastrados como livros, deixamos empatado. Sem mais delongas, vamos à lista.


  Só lembro de não ter achado grande coisa, e que era bem genérico, nada que qualquer pessoa com pelo menos três neurônios não soubesse, por isso nem fiz questão de gastar meus gigas de memória para guardar o conteúdo, li ele em algum momento de 2012, e dei ele de presente para uma amiga que morava comigo logo depois de concluir a leitura.







  Esse é o terceiro livro de uma trilogia, os outros dois são A Farça e A Vingança, sempre achei estranho que A Traição viesse depois de A Vingaça, mas enfim... é um livro de suspense (foi o único da série que li) e o protagonista é um voluntário do programa Médicos Sem Fronteiras e a esposa dele trabalha no serviço secreto, o livro se passa, se não me engano, em algum lugar do continente africano, e tem uma bomba atômica no meio da história, é só o que me lembro, li ele em 2012 também (comecei a ler assiduamente em 2011, mas só passei a um livro atrás do outro em 2012)




  Um livro que li, mais ou menos na mesma época, e que agora que vi que não estava cadastrado como lido no meu Skoob foi esse. Lembro que o protagonista é filho de um grande empresário e tem toda uma correria e teoria da conspiração e me lembro bem do final, além da definição de o que é Janela de Overton, mas a história em si lembro do protagonista correndo com a mocinha que abre os olhos dele para a realidade e alguma invasões a propriedade privada, vasculhamento de documentos e esse tipo de coisa, mas só.




  Este eu li em 2013, se não me engano, lembro que a protagonista se chama Jaina Proudmore e o antagonista se chama Garrosh Grito Infernal (talvez a grafia não seja exatamente essa), lembro que a casa da Jaine é destruída e a magia faz o cabelo dela ficar branco, ela fica louca de raiva e toma algumas atitudes cruéis que são desaprovadas pelos seus aliados. E é só o que me lembro.






  Esse eu li bem antes de me tornar um leitor assíduo, foi por volta de 2004 ou 2005, eu era  um mancebo de uns 10 anos, obviamente entendi pouco do livro, mesmo na época, lembro que as páginas tinhas trechos destacados em umas ilustrações parecidas com pergaminhos estrelados (mas posso estar sonhando), e ele contava várias histórias também, lembro de alguma? Absolutamente não.






  Esse também foi lido em 2013, antes da metade do ano, eu acho, não tenho certeza se o blog já existia... Mas são contos do Sherlock escritos por outra pessoa (antes do personagem entrar em domínio público, inclusive, isso aconteceu só em 2014 ou 2015, por aí), só lembro de um conto onde o detetive foge de um local onde estava sendo mantido preso e de um outro onde ele finge estar morto para não ser morto, que é justamento o que dá nome ao livro, ele tem 5 contos, se bem me lembro, mas não me recordo nem dos títulos.




  Minha primeira (e última, no que me compete dizer) experiência com Lemony Snicket aconteceu no início de 2014, mas especificamente na primeira semana de janeiro, que era a semana da segunda maratona literária (não participei da primeira) organizada pela Alba e a Mari do antigo canal Psychobooks, li um livro por dia nessa semana, e esse é um livro que eu lembro de ter detestado, sei que tem o tal do Lemonny como protagonista e ele está em uma cidade em crise porque a economia dela se baseia na tinta de polvos e alguma coisa está acontecendo com os bixos, só não lembro o que (tenho uma vaga lembrança de o mar estar secando, mas posso estar sonhando)


  Este é um livro que li no ano passado e lembro de ter achado ele muito fofo, a protagonista é uma garotinha que eu acredito ser órfã que vai morar no Arkansas com quem acredito ser o avô e tem alguma coisa a ver com trens e charutos







 
  Outro livro que li ano passado, e se eu disser que me lembro de uma vírgula sequer vou estar mentindo, assim sendo, passemos para o próximo.










  Agora o motivo que me fez fazer essa lista e me preocupar com a minha memória, li esse livro esse ano e não lembro de praticamente nada, sei que eram irmãs gêmeas e uma morreu, e a que ficou viaja em muitas páginas de culpa e tristeza, mas quais as divagações dela e o que acontece na história eu não lembro, lembro que terminei o livro sem ter entendido muita coisa, talvez por isso ele foi se apagando tão rapidamente.





  E é isso povo, sei que de alguns livros dei bastante detalhes e tals, mas comparado ao que eu lembro dos outros esses mal lembro que existem, tem vários livros que, assim como o último, eu não entendi, mas me lembro do que li, talvez eu faça uma lista dos livros que não entendi também...
  Enfim, tem algum livro que você apagou da sua mente?


quarta-feira, 14 de agosto de 2019

[Opinião] As Cidades Invisíveis - Italo Calvino #235

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Editora: Cia das Letras

N° de páginas: 152

Quote:
"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.”
Sinopse:
  "Se meu livro As Cidades Invisíveis continua sendo para mim aquele em que penso haver dito mais coisas, será talvez porque tenha conseguido concentrar em um único símbolo todas as minhas reflexões, experiências e conjecturas." Assim se refere o próprio Italo Calvino - um dos escritores mais importantes e instigantes da segunda metade do século XX - a este livro surpreendente, em que a cidade deixa de ser um conceito geográfico para se tornar um símbolo complexo e inesgotável da existência humana.

Opinião:
  Já faz algum tempo que ouço gente rasgando seda para esse autor, ano passado a Tatiana Feltrin - que se você não sabe quem é está demasiadamente por fora do mundo literário na internet - disse que esse foi um dos melhores livros que já leu, o que me deixou bastante curioso (tudo bem que ela adora Gabriel Garcia Marquez e eu não consigo gostar). Somando isso ao fato de Calvino ser um autor de grande renome, eu nunca ter lido um livro de origem italiana, e ter confundido Italo com João Calvino, resolvi ler esse livro.
  E já vou começar dizendo que não me acho a pessoa mais indicada para falar da profundidade dessa obra.
  Ela é um monólogo onde o grande explorador, Marco Polo descreve as cidades que conheceu em suas navegações ao imperador mongol Kublai Khan, encontro esse que realmente existiu, na realidade o pai do verdadeiro Marco Polo mudou-se de Constantinopla para o extremos oriente onde conheceu Kublai Khan Enquanto Marco Polo ainda era pequeno, no final dos anos 1290, não tenho grande conhecimento sobre isso mas é fato conhecido que os Polos viveram por muito tempo na China e Marco fazia suas viagens e meio que trabalhava para o imperador, já idoso.
  Enfim, a parte realista da história termina por aí, pois cada capítulo do livro é Marco descrevendo alguma cidade para o imperador, cidades essas que não existem nem jamis existiram, pelo menos não como cidades, ele utiliza o nome cidade para descrever tipos de pessoas, caráteres, crenças, culturas, costumes e manias, e nessas descrições ele faz críticas, algumas veladas e outras bem explícitas sobre o comportamento humano.
  A narrativa do autor é envolvente e como o autor diz:
"Chega um momento na vida em que, entre todas as pessoas que conhecemos, os mortos são mais numerosos que os vivos. E a mente se recusa a aceitar outras fisionomias, outras expressões: em todas as faces novas que encontra, imprime os velhos desenhos, para cada uma descobre a máscara que melhor se adapta."
 Em cada cidade tentamos encontrar semelhanças entre o que é descrito com a nossa personalidade ou a personalidade de alguém conhecido, ao mesmo tempo que reavaliamos o nosso modo de agir, quando ele fala de cidades regidas pelo desejo e egoísmo.
  É meu primeiro contato com o autor e devo dizer que adorei a forma que ele narra, não sei se foi específico do personagem do Marco Polo, mas ele tem uma voz poética e mesmo que de certa forma cause reflexões profundas fazendo com que a gente reveja nossos conceitos ele também acalenta o coração do leitor com a fluidez e sua brincadeira com as palavras.
  É um livro maravilhoso, delicioso de ser lido e ainda impactante e reflexivo. Depois de ver a Tatiana Feltrin rasgando a maior seda para esse livro eu tinha grandes expectativas, e não me decepcionei, mas talvez por isso eu não tenha chegado a me surpreender, só por isso não classifiquei como favorito.

https://www.skoob.com.br/autor/391-italo-calvino

terça-feira, 6 de agosto de 2019

[Opinião] A Pequena Caixa de Gwendy - Stephen King e Richard Shizmar #234

Compre pela Amazon e ajude a manter o blog
Editora: Suma de Letras

N° de Páginas: 168

Quote:
"Segredos são um problema, talvez o maior de todos. Pesam na mente e ocupam espaço no mundo."

Sinopse:
  A pequena cidade de Castle Rock testemunhou alguns eventos estranhos ao longo dos anos, mas existe uma história que nunca foi contada... até agora.
  Viaje de volta a Castle Rock nessa história eletrizante de Stephen King, o mestre do terror, e Richard Chizmar, autor prmiado de A Long December. O universo misterioso e assustador dessa pacata cidadezinha do Maine já foi cenário de outros clássicos de King, como Cujo e A Zona Morta, e deu origem a série de TV da Hulu.
  Há três caminhos para subir até Castle View a partir da cidade de Castle Rock: pela rodvia 117, pela Estrada Pleasant e pela Escada Suícida. Em todos os dias do verão de 1974, Gwendy Peterson, de doze anos, vai pela escada, que fica presa por parafusos de ferro fortes (ainda que enferrujados pelo tempo) e sobe em ziguezague pela encosta do penhasco.
  Certo dia, um estranho a chama do alto: "Ei, garota. Vem aqui um pouco. A gente precisa conversar, você e eu.". Em um banco na sombra, perto do caminho de cascalho que leva da escada até o Parque Recreativo de Castle View, há um homem de calça jeans preta, casaco preto e uma camisa branca desabotoada no alto. Na cabeça tem um chapeuzinho preto arrumado.
  Vai chegar um dia em que Gwendy terá pesadelos com isso.

Opinião:
  Devo dizer que este foi, com larga vantagem, o livro mais fluido que li do autor, Stephen King costuma ser um autor que me faz ter leituras demoradas, mesmo em seus livros mais curtos, mas esse li em poucas horas, em apenas um dia. Claro que ele é curtinho, mas não foi apenas por isso.
  Aqui voltamos a Castle Rock, cidade fictícia onde se passam diversas histórias do autor, e para queles que são leitores assíduos do autor dá um gostinho de casa e nostalgia, pelo menos foi assim comigo.
  Conhecemos Gwendy quando ela está com doze anos, ela se esforça bastante com logas corridas, inclusive escada acima para perder seus quilinhos sobressalentes, esperando que assim também perca os apelidos pejorativos e deixe de ser alvo de bullying na escola. Um belo dia Gwendy encontra um homem misterioso, um homem que quem já leu A Torre Negra, Os Olhos do Dragão ou A Dança da Morte vai reconhecer rapidamente, esse homem lhe dá uma pequena caixa de botões e explica rapidamente para que servem, na caixa há um botão representando cada continente, um botão negro, que ela só pode apertar uma única vez e um vermelho que faz o que ela quiser e pode ser apertanto tanto quanto queira. Além dos botões a caixa tem também duas pequenas alavancas, uma de cada lado, ao puxar uma ela recebe um dólar de prata antigo mas brilhando como novo, mais tarde descobrimos que cada um desses dólares de prata valem cerca de seiscentos dólares cada, e o valor aumenta com o passar dos anos. Puxando a outra alavanca Gwendy ganha um animalzinho de chocolate minúsculo, um chocolate delicioso, melhor que qualquer um que ela já experimentou, mas que fornece uma ótima sensação de saciedade, que faz com que ela não queira comer mais de um por dia.
  A partir de então vemos os anos passando e Gwendy protegendo a dita caixinha, comendo chocolates e colecionando moedas valiosas, Gwendy cresce e muda, parece que tudo no mundo começa a ficar a seu favor, vira uma jovem bela e popular e tudo vai de vento em popa, até ela resolver testar os botões da caixa.
  Como já disse, é um livro curto, fluido e que mesmo tendo acontecimentos macabros consegue ser uma história quase fofa, nos afeiçoamos a Gwendy com sua curiosidade e responsabilidade, nos questionamos de porque raios o Homem de Preto deu essa caixa para ela e torcemos muito por ela quando as coisas começam a desandar.
  A edição da Suma está primorosa (e, felizmente, cortaram o preço pela metade) ele contém belas ilustrações e a capa colorida combina bem com o clima da história meio sessão da tarde e, por mais incível que possa parecer, aconchegante.
  É uma bela história sobre amadurecimento e responsabilidade, sobre guardar segredos e de certa forma sobre amizade, sobre pessoas ruins que corrompem crianças e sobre o medo de que segredos sejam revelados. A doação da caixa para Gwendy e o absoluto pavor que se apoderava dela com a possibilidade de que alguém descobrisse a existência da mesma me pareceu uma metáfora para uma criança violentada, que muitas vezes esconde o fato e o simples pensamento de que alguém descubra a deixa horrorizada, os presentinhos da caixa também me pareceram uma alusão as promessas e ameaças que crianças nessa situação, por vezes recebe.
  Enfim, é um livro que vale muito a pena e que pode carregar diferentes sentidos dependendo da ótica com a qual você o ler, e mesmo que voc^não procure sentidos subentendidos (que forma sem graça de ler...) a história em si também vale cada minuto da leitura.



domingo, 4 de agosto de 2019

[Opinião] O Sonho dos Heróis - Adolfo Bioy Casares #233

https://www.skoob.com.br/o-sonho-dos-herois-866057ed871375.html
Editora: Biblioteca Azul (Edição exclusiva TAG: Experiências Literárias)

N° de Páginas: 207

Quote:
"Você me pergunta se vai vê-la. Sim e não. Eu o defendi contra um deus cego, eu rompi o tecido que devia se formar. Embora seja mais fino que o ar, voltará a se formar quando eu não estiver mais aqui para evitar."
Sinopse:
 Em 1927, o jovem Emilio Gauna ganha uma aposta e decide gastar todo o dinheiro com os amigos em um alucinante Carnaval portenho. Ao receber que pouco se recorda do que aconteceu na noite anterior, o personagem fica refém da sua obsessão por descobrir a verdade sobre os acontecimentos e as pessoas presentes, mas, sobretudo: quem é aquela mulher misteriosa com quem dançou no baile de máscaras?


Opinião:
  O livro enviado pela TAG Curadoria em Abril deste ano é provavelmente um dos livros mais bonitos, graficamente falando, que tenho na estante, o título também chama bastante atenção. Como meu orçamento não me permite mais ser assinante da TAG uso outros métodos para conseguir os livros enviados por eles, esse, por exemplo, consegui em uma troca no Skoob, e a moça ainda mandou com a luva e a revistinha :3 O que foi muito útil, além de manter minha coleção da TAG padronizada pela primeira vez pausei a leitura do livro para ler a revistinha, já que não entendia patavinas do que estava acontecendo.
  Na história acompanhamos o jovem Gauna, que para resumir, é um idiota, que faz parte de um grupo de amigos idiotas e dentre eles tem um homem mais velho, que é o master idiota, e é admirado por Gauna e seus amigos. Certo dia o barbeiro para o qual Gauna vai lhe dá uma dica para apostar na corrida de cavalos, Gauna adere ao conselho e caba ganhando um considerável dinheiro, ele então chama os idiotas que andam com ele, digo, seus amigos e vão torrar o dinheiro em uma festa de carnaval que dura três ou quatro dias. Depois que acaba a festa Gauna tem um branco na memória e se lembra muito pouca coisa da noite anterior, só de ter se encantado com uma mulher mascarada.
 Gauna fica meio que obcecado com a dita mulher, até que ele vai fazer uma visita para o Bruxo Taboada, uma espécie de vidente da cidade, mesmo ele não acreditando muito ele acaba perguntando ao dito Multiplicação, digo, Taboada, se verá a garota novamente, e a resposta dele é o trecho que destaquei, trecho este que só fará sentido no final do livro.
  A partir daí a história se arrasta terrivelmente, onde Gauna mostra ser um idiota beeeem machista e beeeem idiota, já disse que ele é um idiota? algumas coisas acontecem que fazem com que além de lenta e desinteressante ao extremo a história se torne bastante previsível. A cada parágrafo eu cogitava a possibilidade de abandonar o livro, admito que só continuei por ser um livro curto, mas demorei semanas para conseguir chegar ao que eu considero o ponto de virada da história, que é a morte de determinado personagem, a partir dessa morte, que em si não tem grande estardalhaço nem importância para a história, mas a partir daí as coisas voltam para os eixos, e no final temos uma coisa, que se parece com o final de um livro que gostei pra caramba, que foi A Vida Peculiar de um Carteiro Solitário, que é uma coisa meio mágica e tals.
  Enfim, depois que o livro engrena as folhas voam, a história se torna simplesmente incrível e o desfecho vale o sacrifício que é chegar até lá, ainda bem, só eu sei como eu estava esperando gostar desse livro.
  É um livro sobre o esforço para salvar quem amamos e também sobre amadurecimento e quão tóxico pode ser conviver com o tipo errado de pessoas. Como disse o primeiro e segundo atos da história são extremamente difíceis de ler, são chatos, enfadonhos... um verdadeiro porre. Mas o ato final é maravilhoso, e compensa o esforço, até porque, por mais que o que vem antes seja chato ele prepara bem o caminho para que o desfecho faça sentido.
  Enfim, um livro que, apesar dos pesares, curti pra caramba, e me fez pensar se deveria ter abandonado todos os livros que já abandonei na vida...
  Se você leu me diga: quem você considera os heróis do título?

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

[Opinião] A Última Noite do Mundo - C. S. Lewis #232

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https://www.skoob.com.br/a-ultima-noite-do-mundo-800912ed804610.html
Editora: Thomas Nelson Brasil

N° de Páginas: 135

Quote:

"Mas pensamos assim porque continuamos assumindo que conhecemos a peça. Nós não conhecemos a peça. Nós nem sequer sabemos se estamos no ato I ou no ato V. Não sabemos quem são os personagens principais e quem são os secundários. O Autor sabe. O público, se houver um público (se anjos, arcanjos e toda a companhia do céu encherem o poço da orquestra e as primeiras filas), pode ter um pressentimento. Mas nós, nunca vendo a peça do lado de fora, nunca encontrando nenhum personagem exceto a minúscula minoria que está 'escalada' para as mesmas cenas que nós, totalmente ignorantes do futuro e muito mal informados sobre o passado, não podemos dizer em que momento o fim deverá vir. Que virá quando for necessário, podemos ter certeza; mas perdemos nosso tempo adivinhando quando isso será. Que isso tenha um significado, podemos ter certeza, mas não podemos vê-lo."

Sinopse:
  Nestes sete ensaios espirituosos e lúcidos que compõe este livro inédito, o grande escritor, pensador, teólogo popular e apologista cristão C.S. Lewis aborda diversas questões religiosas intrigantes e complexas. Ele também pondera sobre as evidências da oração eficaz. brinca como devemos encarar nossos conceitos sobre Deus e até mesmo sobre a possibilidade de haver ou não vida em outros planetas.
  A Última Noite do Mundo, um dos ensaios principais desta coletânea, lida com a questão da volta de Cristo e traz uma perspectiva brilhante para elucidar o debate. Como sempre, encontramos nesses ensaios um Lewis que mistura humor, ironia, paradoxos e uma perspicácia marcante que desafia a nossa fé.

Opinião:
"E se a presente fosse a última noite do mundo? [...] o Retorno é totalmente imprevisível. Haverá guerras e rumores de guerras e todo o tipo de catástrofes, como sempre houve. As coisas serão, nesse sentido, normais na hora que precederá os céus se enrolarem como um pergaminho. Você não tem como adivinhar. Se você pudesse, um propósito principal para o qual foi previsto seria frustrado. E os propósitos de Deus não são tão facilmente frustrados assim."
  Já vi gente considerando este o melhor livro do autor, não sei dizer se concordo, gosto muito das coletâneas de ensaios, e O Peso da Glória também é um livro incrível, e a meu ver até mais relevante, pelo menos em sua totalidade, não cheguei a fazer postagem sobre ele aqui, mas recomendo, e muito, a leitura.
  Nessa coletânea temos sete ensaios que vagam entre a especulação de coisas que não nos compete saber, e que não fazem diferença em nossa vida, até assuntos sérios que deveríamos refletir. Antes de falar, brevemente sobre cada um deles, vamos falar um pouco da edição: A Thomas Nelson vem fazendo um trabalho muito bom com a obra do autor, se não me engano já são onze títulos lançados (Cristianismo Puro e Simples, Cartas de um Diabo a Seu Aprendiz, Os Quatro Amores, O Peso da Gloria, A Abolição do Homem, Deus no Banco dos Réus, Sobre Histórias, Carta a Malcolm, Reflexões Cristãs, Um Experimento na Crítica Literária e o objeto dessa postagem, clicando no link no início da postagem você encontra facilmente todos eles para adquirir), é inegável o cuidado que a editora está tendo, trazendo obras até então inéditas no Brasil em edições com belo acabamento gráfico e boa tradução, infelizmente, como a grande maioria das editoras do país ela tem pecado um pouco na questão da revisão do texto, esse livro teve duas pessoas revisando e encontrei palavras com acento faltando além de um erro bem gritante na página 84, onde tem uma palavra, no meio da linha cortada ao meio por um hífen sem propósito algum, mas não são incontáveis erros, a ponto de você querer mandar um e-mail para a editora perguntando se não querem que paguem a você para fazer a revisão (não maior que a vontade diária de fazer isso, pelo menos). Mas falemos agora, brevemente, sobre cada ensaio.
"O problema é que não vejo como qualquer oração real poderia continuar sob tais condições 'Palavras sem pensamentos nunca chegam ao céu', diz o rei em Hamlet. Simplesmente dizer orações não é orar; se assim fosse, um time de papagaios corretamente treinados serviria tão bem quanto os homens para o nosso experimento. Você não pode orar pela recuperação de enfermos a menos que o fim que tenha em vista seja a recuperação deles."
  A Eficácia da Oração abre a coletânea nos desafiando a um experimento para tentar entender o nosso papel como participantes da Obra de Deus na Terra: Ele nos lembra que qualquer oração recebe resposta, mesmo que essa resposta seja não, ou simplesmente o silêncio, mostra que a verdadeira oração é desconhecida da maioria dos que dizem orar, mostrando, com outras palavras, o que Bonds disse no livro Poder Através da Oração: "A oração pública é apenas um reflexo da oração particular". Lewis não chega a citar o livro de Bonds (pelo menos que eu me lembre), nem sei ambos os autores foram contemporâneos ou quem veio antes de quem, mas eles tem ideias bem parecidas, com as quais eu concordo. A conclusão à qual o autor chega a respeito do assunto é que a oração é para fortalecer a quem ora e Deus não precisa que oremos, mas esse é o método que Ele criou para que possamos fazer parte da obra dEle.
"Parece-nos (Embora você, em suas premissas, considere-nos iludidos) que temos algo como um conhecimento por meio da familiaridade com a Pessoa em quem cremos, por mais imperfeito e intermitente que seja tal conhecimento. Não confiamos porque 'um Deus' existe, mas porque este Deus existe. Ou, se não ousarmos dizer que o 'conhecemos', a cristandade o faz, e nós confiamos em pelo menos alguns de seus representantes da mesma maneira: por causa do tipo de pessoa que eles são."
  Em Sobre a Obstinação na Crença o autor vai falar sobre a razão de acreditarmos em Deus. Assim como um médico vê um homem e diz acreditar que ele tenha sido envenenado, até examiná-lo e tirar o "acredito" da jogada, assim nós acreditamos na existência de Deus pois temos fatos pessoais que nos provam a existência dEle, Eu acredito que o computador que escrevo existe porque estou vendo ele, acredito que minha irmã existe porque conheço ela, mas não apenas acredito, eu sei que existem, e esse saber vem de experiências pessoais e conhecimento adquirido. Então nossa obstinação na crença da existência de Deus, não é porque levamos em consideração a possibilidade, mas porque temos uma certeza a respeito disso.
"Cultura é uma má qualificação da mesma forma que a santidade. Ambas são difíceis de diagnosticar e fáceis de fingir. É claro que nem todo carientocrata será um hipócrita cultural, nem todo teocrata, um Tartufo. [...] 'Lírios que apodrecem fedem muito mais que ervas daninhas.' Quanto mais altas forem as pretensões de nossos governantes, mais intrometido e impertinente será seu governo e mais a coisa em cujo nome eles governam será corrompida. As coisas mais altas têm o mais precário ponto de apoio em nossa natureza."
  Talvez Lírios que apodrecem seja, junto do primeiro e do último ensaios, um dos mais relevantes do livro. O autor vai tratar sobre não se limitar a escolher um governante com base na aparente semelhança de interesses que ele tem conosco, focando em duas coisas de mais elevado grau de importância, santidade e cultura, o autor mostra que tanto o culto como o santo se encaixam na frase de Bioy Casares "Por mais corajoso que seja, um homem não é corajoso o tempo todo" O ser humano é suscetível a falhas, e quando uma pessoa admirada pela cultura ou santidade acaba falhando ambas as coisas acabam perdendo credibilidade. Além de mostrar que a sujeira oculta é muito pior recebida quando revelada, e ela será revelada.
  Essa postagem está ficando demasiadamente longa, então não vou falar sobre Maldanado propõe um brinde, texto onde o autor dá espaço para o protagonista de Cartas de um Diabo a seu Aprendiz para um discurso, nem sobre Boa Obra e Boas Obras, e sobre Religião e Foguetes direi apenas que é uma especulação muito inteligente embora desnecessária, mas com certeza vale a leitura, então pulemos diretamente para o ensaio que dá nome ao livro.
"Pois será um julgamento inevitável. Se for favorável, não teremos medo; se desfavorável, sem esperança de que esteja errado. Nós não apenas acreditaremos, nós saberemos, saberemos além de qualquer dúvida de nosso apavorado ou deleitado ser, que, como o Juiz disse, assim nós somos: nem mais, nem menos, nem outro."
  A Última Noite do Mundo é um chamado a diligência, nos mostra que não é saudável ficar pensando sempre no fim, mas é irresponsabilidade não levá-lo em consideração, sabemos que ele virá, e isso deve ter peso em nossas ações e decisões, ele é inevitável e não deve ser temido, e sim aguardado.

  Enfim, é um livro incrível e que vale cada página lida, mesmo o ensaio sobre a possibilidade de vida possivelmente caída e possivelmente remida por possivelmente outro método por conter possíveis regras possivelmente diferentes das estabelecidas aqui em algum possível planeta habitável. Espero não ter cansado ninguém, hehe
  Acho que agora o blog retorna de verdade, então convido a todos a ficarem ligados, postarei todas as postagens na página do blog no Facebook (que embora tenha mais de mil curtidas raramente as postagens alcançam mais de vinte pessoas, então convido a todos para, além de curtir a página clicar em obter notificações ou algo que o valha, hehe. Para ir para a página é só clicar aqui)




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