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domingo, 4 de agosto de 2019

[Opinião] O Sonho dos Heróis - Adolfo Bioy Casares #238

https://www.skoob.com.br/o-sonho-dos-herois-866057ed871375.html
Editora: Biblioteca Azul (Edição exclusiva TAG: Experiências Literárias)

N° de Páginas: 207

Quote:
"Você me pergunta se vai vê-la. Sim e não. Eu o defendi contra um deus cego, eu rompi o tecido que devia se formar. Embora seja mais fino que o ar, voltará a se formar quando eu não estiver mais aqui para evitar."
Sinopse:
 Em 1927, o jovem Emilio Gauna ganha uma aposta e decide gastar todo o dinheiro com os amigos em um alucinante Carnaval portenho. Ao receber que pouco se recorda do que aconteceu na noite anterior, o personagem fica refém da sua obsessão por descobrir a verdade sobre os acontecimentos e as pessoas presentes, mas, sobretudo: quem é aquela mulher misteriosa com quem dançou no baile de máscaras?


Opinião:
  O livro enviado pela TAG Curadoria em Abril deste ano é provavelmente um dos livros mais bonitos, graficamente falando, que tenho na estante, o título também chama bastante atenção. Como meu orçamento não me permite mais ser assinante da TAG uso outros métodos para conseguir os livros enviados por eles, esse, por exemplo, consegui em uma troca no Skoob, e a moça ainda mandou com a luva e a revistinha :3 O que foi muito útil, além de manter minha coleção da TAG padronizada pela primeira vez pausei a leitura do livro para ler a revistinha, já que não entendia patavinas do que estava acontecendo.
  Na história acompanhamos o jovem Gauna, que para resumir, é um idiota, que faz parte de um grupo de amigos idiotas e dentre eles tem um homem mais velho, que é o master idiota, e é admirado por Gauna e seus amigos. Certo dia o barbeiro para o qual Gauna vai lhe dá uma dica para apostar na corrida de cavalos, Gauna adere ao conselho e caba ganhando um considerável dinheiro, ele então chama os idiotas que andam com ele, digo, seus amigos e vão torrar o dinheiro em uma festa de carnaval que dura três ou quatro dias. Depois que acaba a festa Gauna tem um branco na memória e se lembra muito pouca coisa da noite anterior, só de ter se encantado com uma mulher mascarada.
 Gauna fica meio que obcecado com a dita mulher, até que ele vai fazer uma visita para o Bruxo Taboada, uma espécie de vidente da cidade, mesmo ele não acreditando muito ele acaba perguntando ao dito Multiplicação, digo, Taboada, se verá a garota novamente, e a resposta dele é o trecho que destaquei, trecho este que só fará sentido no final do livro.
  A partir daí a história se arrasta terrivelmente, onde Gauna mostra ser um idiota beeeem machista e beeeem idiota, já disse que ele é um idiota? algumas coisas acontecem que fazem com que além de lenta e desinteressante ao extremo a história se torne bastante previsível. A cada parágrafo eu cogitava a possibilidade de abandonar o livro, admito que só continuei por ser um livro curto, mas demorei semanas para conseguir chegar ao que eu considero o ponto de virada da história, que é a morte de determinado personagem, a partir dessa morte, que em si não tem grande estardalhaço nem importância para a história, mas a partir daí as coisas voltam para os eixos, e no final temos uma coisa, que se parece com o final de um livro que gostei pra caramba, que foi A Vida Peculiar de um Carteiro Solitário, que é uma coisa meio mágica e tals.
  Enfim, depois que o livro engrena as folhas voam, a história se torna simplesmente incrível e o desfecho vale o sacrifício que é chegar até lá, ainda bem, só eu sei como eu estava esperando gostar desse livro.
  É um livro sobre o esforço para salvar quem amamos e também sobre amadurecimento e quão tóxico pode ser conviver com o tipo errado de pessoas. Como disse o primeiro e segundo atos da história são extremamente difíceis de ler, são chatos, enfadonhos... um verdadeiro porre. Mas o ato final é maravilhoso, e compensa o esforço, até porque, por mais que o que vem antes seja chato ele prepara bem o caminho para que o desfecho faça sentido.
  Enfim, um livro que, apesar dos pesares, curti pra caramba, e me fez pensar se deveria ter abandonado todos os livros que já abandonei na vida...
  Se você leu me diga: quem você considera os heróis do título?

quarta-feira, 31 de julho de 2019

[Marca Texto] O Sonho dos Heróis - Adolfo Bioy Casares

  Fazia muito tempo que não saía nenhum marca texto aqui no blog - fazia um tempo que não saía nada, a bem da verdade. Mas hoje eu estava lendo esse livro (tentando decidir se gosto ou não dele, inclusive) e me deparei com uma passagem que girou algumas engrenagens na minha cabeça e decidi que dormiria um pouco mais tarde mas precisava compartilhar esse trecho com alguém.


"Enquanto isso o lojista discutia laboriosamente com um caixeiro-viajante, que lhe oferecia 'um produto muito nobre, umas pantufas com feltro'. O lojista estudava suas promissórias e repetia que, em vinte e cinco anos atrás de um balcão, nunca tinha ouvido falar calçado com filtro. Talvez pela inata falta de escrúpulos na maneira de pronunciar, não percebiam diferenças entre o feltro que um oferecia e o filtro que o outro recusava: não chegavam a nenhum acordo: falavam sem parar; desprezando-se mutuamente, cada um esperando, sem pressa, com indignação, que o outro se calasse para responder, sem sequer ouvi-lo."


  Então, obviamente tenho toda uma história sobre a chegada desse livro às minhas mãos, mas isso é assunto para outra postagem, hoje falaremos unicamente deste trecho.
  Li ele no meu intervalo no serviço (basicamente o único momento que tenho para ler durante a semana), este trecho me chamou a atenção desde a forma como é escrita, que destoa, ligeiramente, da narrativa truncada do restante do livro, mas o que ela mostra também é válido e nos faz pensar no velho ditado (pelo menos na minha família é praticamente um ditado) - Você não é teimoso, teimoso é quem teima contigo, porque sabe que não adianta.
  Quantas vezes, principalmente em negociações comerciais, como na retratada, insistimos exaustivamente em algo que nosso suposto ouvinte nem sequer está ouvindo, quanto tempo e saliva desperdiçamos inutilmente sem obter nem sombra do resultado almejado? E quantas vezes nós não temos consideração suficiente para ouvir quem está a nossa volta, não apenas alguém que está apenas fazendo seu trabalho, mas no nosso dia-a-dia, com a família e os amigos, eles precisam descarregar o estresse ou simplesmente dividir experiências ou jogar conversa fora e não temos sequer a consideração de ouvir, isso quando não interrompemos achando que o que temos a dizer é mais importante/interessante, claro que o inverso também acontece, mas sabe como é o batido mas verdadeiro ditado, seja você a mudança que deseja ver.
  Mais empatia para ouvir, mas respeito para deixar falar, e mais amor para dar atenção, um exercício diário que quase nenhum de nós se digna a executar.

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