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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

[Marca Texto] O Planeta dos Macacos - Pierre Boulle

  Pra começar, acho desnecessário escreverem na capa do livro "Grandes Filmes" sendo que as semelhanças entre ambos param no nome... mas isso é assunto pra outra postagem...

"O advogado de defesa era um dos bambas do tribunal. Por que ele me aparecia agora sob os traços de um altivo gorila, assim como, aliás, o promotor, outra celebridade? Por que eu assimilava o desencadear de seus gestos e de suas intervenções a reflexos condicionados resultantes de um bom adestramento? Por que o presidente do tribunal confundia-se com um orangotango solene recitando frases decoradas, cuja emissão era automática, calcada, por sua vez, na falta de uma testemunha qualquer ou em determinado murmúrio da multidão?"






  Nesse ponto o narrador está querendo dizer o quão acostumado a viver entre símios "espirituais", usando as palavras do próprio, ele ficou a ponto de quando se lembrava da Terra eram macacos que ele via no lugar dos humanos, mas podemos interpretar algo mais que isso...
  Uma coisa que é especulada diversas vezes no livro, é se os macacos se tornaram civilizados no planeta Soror devido à sua facilidade de imitação (mas quem eles teriam imitado naquele planeta?), então voltemos ao trecho destacado: Até que ponto estamos acomodados e estagnados, gozando das invenções e descobertas de nossos antepassados, criando sempre repetidores de informação ao invés de tentarmos aprender e criar algo realmente novo? Até que ponto a tradição é sadia? Será que não estamos usando discursos prontos no nosso dia-a-dia?
  Muitos (pra não dizer todos) de nós vem decorando as coisas ao invés de aprender, e praticamente ninguém inova, a tecnologia me parece ser a única coisa que vem ganhando espaço e se desenvolvendo, enquanto nós nos tornamos preguiçosos e acreditamos que não há mais nada a ser criado ou descoberto...

sábado, 2 de agosto de 2014

[Opinião] Meu Barco & Eu - John Grogan #81


Editora: Ediouro

N° de Páginas: 197

Citação:

Podemos resumir assim: todos nós, algum dia, talvez quando menos esperarmos, enfrentaremos um momento que vai nos definir pelo restante da vida. Esse momento colocará nossa humanidade em xeque. Para alguns, isso pode acontecer no campo de batalha; para outros em um quarto de hospital, ou no trabalho, ou no casamento. Para outros ainda, acontecerá quando estiver ao volante de um carro, em uma noite escura, diante do corpo de alguém."

Sinopse:
Em Meu Barco & Eu, você vai conhecer um John Grogan que escreve crônicas de forma magnífica, tendo como inspiração os mais diferentes aspectos do dia a dia. Todos os hábitos e manias humanas estão presentes em textos que revelam seu entendimento único do mundo fragmentado em que vivemos. Da fragilidade da vida quase perdida em um cruzamento no trânsito aos obstáculos enfrentados pelos adolescentes e à volta da guerra do Iraque para uma pequena cidade na Pensilvânia, suas crônicas estão repletas de sensibilidade e perspicácia envoltas em humor e compreensão.
  Com seu estilo peculiar, John Grogan faz com que fiquemos mais atentos aos outros seres humanos e nos sintamos menos esquisitos em um mundo estranho.

Opinião:
   Vamos deixar claro que esse não é meu primeiro livro de crônicas... só é o primeiro livro de crônicas que eu termino. Pretendo fazer A Graça da Coisa durar bastante...
  As crônicas do livro foram publicadas no jornal no qual John Grogan trabalhava, o The Philadelphia Inquirer, que detém os direitos autorais das mesmas, o que significa que que os editores negociaram as crônicas para formar o livro com o jornal, e que Grogan não ganha um centavo com esse livro, triste não?
  Pelo fato de as crônicas terem sido transcritas exatamente como estavam nos jornais, várias delas são como complementos de determinada notícia, algumas, muitas na verdade, possuem fragmentos de cartas de leitores do Inquirer enviadas a Grogan, os assuntos são diversos, da decepção à orgulho de atos da população, críticas ao governo também são abundantes, indignação com acontecimentos e relatos de um fim de semana em família ou uma viagem de trabalho recheiam as páginas.
  Algumas, como uma sobre o onze de setembro ou aquela sobre a mãe que o filho foi assaltado (e assassinado) a anos e ainda sente a falta dele, chegam a emocionar, as que relatam ações ridículas de políticos ou da classe alta da cidade nos enchem de indignação, mas existem algumas que nos fazem rir também, algo pelo que esperava quando comprei o livro...
  Uma das últimas, intitulada "Virando a mesa contra o telemarketing" foi a mais incrível, no sentido de engraçada, não só pelas tiradas de Grogan mas pelas soluções enviadas por leitores, tem um cara de 74 anos que diz que usa uma tática infalivel, quando percebe que é telemarketing ele fala "Tenho 92 anos e só faço sexo duas vezes por ano. E você acabou de me interromper!" Mas nada supera a moça que atende o telefone e diz apenas "Desculpe, não temos telefone neste lugar!" e desliga.
  Resumindo... é um livro muito bacana, perfeito para quem quer ler alguma coisa em um intervalo curto, demorei uns 20 dias para ler pois separei ele para ler apenas em um intervalo de 15 minutos, mas pode ser lido tranquilamente em uma sentada, nem todas as crônicas são brilhantes, mas em sua maioria são tocantes.

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