Mostrando postagens com marcador Italo Calvino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Italo Calvino. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de abril de 2023

[Opinião] O Dia de um Escrutinador - Italo Calvino #509

Compre pela Amazon 

Editora: Companhia das Letras

N° de Páginas: 88

Quote:
"Tornou a sentar-se perto da estante e pensava em quando estava sentado ali, antes, como num tempo distante, e sereno, e despreocupado. Mais do que qualquer outra coisa, sentia-se humilhado. Para ele, a procriação, antes de tudo, era uma derrota de suas idéias. Amerigo era um partidário ferrenho do controle da natalidade, apesar de que seu partido naquele ponto se mostrava entre agnóstico e contrário. Nada o escandalizava mais do que a tola leviandade com que os povos se multiplicam, e quanto mais famintos e atrasados são, menos param de ter filhos, nem tanto porque os querem mas porque estão acostumados a deixar nas mãos da natureza, da desatenção, do abandono. Mas para continuar demonstrando aquele frio pesar e espanto de social-democrata escandinavo para com o mundo subdesenvolvido, era preciso que ele mesmo ficasse isento dessa culpa..."


Opinião:
  Neste pequenino livro, de longe o menos interessante dentre os que li do autor, vemos um dia de eleição pelos olhos de um mesário que também é um militante comunista.
  Amerigo é um cara meio insosso e hipócrita que fica responsável por acompanhar as eleições no Cotollengo, uma instituição de caridade que realmente existe, mas na época em que o livro se passa (ali pelos anos de 1950/60) era considerado um hospício, cheio de gente esquecida e rejeitada pela sociedade, seja por alguma deficiência ou simplesmente diferença. Amerigo vai narrando a procissão de desafortunados até a urna, alguns que nem sabiam o que estavam fazendo, mas muitos outros exultantes por, pelo menos neste momento, não terem sido esquecidos.
  Em meio a questionamentos sobre o processo eleitoral, as reais intenções dos governantes e partidos e suas próprias convicções o livro vai melhorando, longe de ser uma obra prima, mas que faz ver a hipocrisia de todos nós.
  Por ser um livro extremamente curto não há muito mais o que falar, não é nem por medo de dar spoiler, já que meio que não acontece nada no livro, além desses questionamentos da personagem principal, não é um livro que eu indicaria como porta de entrada para a obra do autor, mas depois que você já se encantou com ele vale a pena ir para ele, sem muitas expectativas.




quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

[Opinião] O Visconde Partido ao Meio - Italo Calvino #357

 Compre pela Amazon

Editora: Companhia das Letras

N° de Páginas: 100

Quote:
"Isso é o bom de ser partido ao meio: entender de cada pessoa e coisa no mundo a tristeza que cada um e cada uma sente pela própria incompletude. Eu era inteiro e não entendia, e me movia surdo e incomunicável entre as dores e feridas disseminadas por todos os lados, la onde, inteiro, alguém ousa acreditar menos. Não só eu, Pamela, sou um ser dividido e desarraigado, mas você também, e todos."

Opinião:

  Este foi me segundo contato com a obra de Ítalo Calvino, não estava na minha lista de 30 antes dos 30 mas fiz um vídeo falando dele mesmo assim, este, pelo que me lembro, não tem spoilers hehe.




quarta-feira, 14 de agosto de 2019

[Opinião] As Cidades Invisíveis - Italo Calvino #240

Compre pela Amazon e ajude a manter o blog
Editora: Cia das Letras

N° de páginas: 152

Quote:
"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.”
Sinopse:
  "Se meu livro As Cidades Invisíveis continua sendo para mim aquele em que penso haver dito mais coisas, será talvez porque tenha conseguido concentrar em um único símbolo todas as minhas reflexões, experiências e conjecturas." Assim se refere o próprio Italo Calvino - um dos escritores mais importantes e instigantes da segunda metade do século XX - a este livro surpreendente, em que a cidade deixa de ser um conceito geográfico para se tornar um símbolo complexo e inesgotável da existência humana.

Opinião:
  Já faz algum tempo que ouço gente rasgando seda para esse autor, ano passado a Tatiana Feltrin - que se você não sabe quem é está demasiadamente por fora do mundo literário na internet - disse que esse foi um dos melhores livros que já leu, o que me deixou bastante curioso (tudo bem que ela adora Gabriel Garcia Marquez e eu não consigo gostar). Somando isso ao fato de Calvino ser um autor de grande renome, eu nunca ter lido um livro de origem italiana, e ter confundido Italo com João Calvino, resolvi ler esse livro.
  E já vou começar dizendo que não me acho a pessoa mais indicada para falar da profundidade dessa obra.
  Ela é um monólogo onde o grande explorador, Marco Polo descreve as cidades que conheceu em suas navegações ao imperador mongol Kublai Khan, encontro esse que realmente existiu, na realidade o pai do verdadeiro Marco Polo mudou-se de Constantinopla para o extremos oriente onde conheceu Kublai Khan Enquanto Marco Polo ainda era pequeno, no final dos anos 1290, não tenho grande conhecimento sobre isso mas é fato conhecido que os Polos viveram por muito tempo na China e Marco fazia suas viagens e meio que trabalhava para o imperador, já idoso.
  Enfim, a parte realista da história termina por aí, pois cada capítulo do livro é Marco descrevendo alguma cidade para o imperador, cidades essas que não existem nem jamis existiram, pelo menos não como cidades, ele utiliza o nome cidade para descrever tipos de pessoas, caráteres, crenças, culturas, costumes e manias, e nessas descrições ele faz críticas, algumas veladas e outras bem explícitas sobre o comportamento humano.
  A narrativa do autor é envolvente e como o autor diz:
"Chega um momento na vida em que, entre todas as pessoas que conhecemos, os mortos são mais numerosos que os vivos. E a mente se recusa a aceitar outras fisionomias, outras expressões: em todas as faces novas que encontra, imprime os velhos desenhos, para cada uma descobre a máscara que melhor se adapta."
 Em cada cidade tentamos encontrar semelhanças entre o que é descrito com a nossa personalidade ou a personalidade de alguém conhecido, ao mesmo tempo que reavaliamos o nosso modo de agir, quando ele fala de cidades regidas pelo desejo e egoísmo.
  É meu primeiro contato com o autor e devo dizer que adorei a forma que ele narra, não sei se foi específico do personagem do Marco Polo, mas ele tem uma voz poética e mesmo que de certa forma cause reflexões profundas fazendo com que a gente reveja nossos conceitos ele também acalenta o coração do leitor com a fluidez e sua brincadeira com as palavras.
  É um livro maravilhoso, delicioso de ser lido e ainda impactante e reflexivo. Depois de ver a Tatiana Feltrin rasgando a maior seda para esse livro eu tinha grandes expectativas, e não me decepcionei, mas talvez por isso eu não tenha chegado a me surpreender, só por isso não classifiquei como favorito.

https://www.skoob.com.br/autor/391-italo-calvino

Talvez você goste de:



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...