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terça-feira, 2 de junho de 2020

[Opinião] Olhos D'Água - Conceição Evarsito #280

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Editora: Pallas

N° de Páginas: 116

Quote:
"Raios de luz agrediam o asfalto. Mistérios coloridos, cacos de vidro – lixo talvez – brilhavam no chão"

Sinopse:
  Em Olhos D'Água Conceição Evaristo ajusta o foco do seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem.
  Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. ou se
Opinião:
  Então... confesso estar com medo de falar sobre esse livro.
  Fato é que o tal do "politicamente correto" tem nos escravizado, então no que diz respeito a este livro corremos alguns riscos: primeiro não ler e ser considerado racista por não buscar conhecimento sobre o assunto sendo esse um livro com forte apelo às mazelas sofridas pelas vítimas de preconceito e racismo. Segundo é ler e não ser profundamente tocado e sensibilizado e ser taxado de racista insensível. Terceiro é achar que ele não faz um grande serviço à comunidade negra por reforçar esteriótipos e ser acusado de querer falar onde não tenho direito a voz por não fazer parte da comunidade e não entender o que a autora quis passar, sendo assim se algum militante político for ler isso, peço a gentileza e civilidade de levar em conta que estou falando do livro e do que eu achei, se não entendo os dilemas enfrentados ou se estou falando asneiras, simplesmente ignore e vá ler alguma coisa mais de acordo com o seu modo de pensar, se eu for ofensivo, me desculpe, e se você não suporta uma opinião diferente da sua acredito que o problema não seja comigo.
  Preparado o caminho devidamente vamos ao livro...
  Aqui temos uma série de contos curtos, em sua totalidade, pode-se dizer, tratando da condição da mulher negra, o que pode ser um super mega power empoderamento, o que já me faz pensar "lá vem militância", felizmente isso não acontece, pelo menos não no nível que eu temia.
  O maior problema é que vejo o livro como que reforçando os preconceitos ao invés de combatendo, ao invés de falar de negros marginalizados injustamente quase todos os contos tratam de pessoas à margem da sociedade em grande parte por escolha, temos criminosos, mulheres violentadas que insistem em continuar com os agressores... esse tipo de coisa.
  A escrita da autora é sim muito envolvente e bacana, mas isso não muda o fato de que se a intenção do livro era quebrar preconceitos, ela foi muito mal sucedida.
  Claro que temos muitos choques de realidade também, pessoas determinadas e lutadoras, mas quase sempre com as armas erradas, o desrespeito pelas autoridades e pelo diferente está no mesmo nível, se não maior, do que o racismo na maioria dos casos apresentados.
  Não acho que isso justifique o racismo de forma nenhuma, acho que o pior comportamento possível que uma pessoa pode ter é julgar o outro baseado em aparência e cor. Mas as personagens da autora, aqui, não tem a vida difícil por serem negras, talvez isso dificulte um pouco, é verdade, mas o principal é pela vida que escolheram levar. E não adianta vir com "Ah, mas eles não tiveram escolha!" Sempre pode-se escolher não virar bandido, e de todos os contos acho que poucos estavam verdadeiramente sem opção melhor.
  Apesar do que parece, eu gostei do livro, e mesmo com personagens tão complicados, a autora faz com que simpatizemos com eles (pelo menos boa parte deles). O livro peca pelo seu teor militante que ao invés de dizer "Nós somos iguais, pare de me tratar diferente", ou mesmo "Sou diferente, respeite minha diferença" como deveria, ele diz "Sou diferente, e isso me dá o direito de agir como bem quiser e exigir um respeito que eu mesmo não me dou".
  Enfim, acho que é um livro válido sim, mas não é, nem de longe, a melhor coisa para promover a consciência negra.


quarta-feira, 13 de novembro de 2019

[Marca Texto] Olhos D'Água - Conceição Evaristo

  Antes de mais nada quero dizer que este é um livro singular, mas no devido momento isso será comentado, ou não.
  Outro aviso é que esse mês também teremos mês temático (\o/\o/\o/\o/) lá entre 2013 e 2015 novembro era meu mês de reler a trilogia Jogos Vorazes, mas não é esse o especial, copiando descaradamente a ideia da Kelly, do Café e Bons Livros. Esse será um mês temático de Contos, nos mesmo moldes do mês das crianças que fiz em outubro, falando em outubro, crianças e Kelly, gostaria muito que quem quer que esteja vendo isso vá até o já mencionado blog ver o encerramento que ela fez para esse mês.
  Enfim, estou escrevendo isso na terça à noite, já tinha um tempinho que não escrevia nada tão em cima da data de publicação, mas não consegui escrever antes, sem mais delongas, vamos lá.





"Ela é que não ia ficar ali assentada. Se as pernas não andam, é preciso ter asas para voar"









  Hoje quero falar de conformismo, a adorada zona de conforto onde tudo é maravilhoso sobre o solo estéril que nada produz. Onde nos contentamos em reclamar do que nos incomoda ao invés de fazermos algo para mudarmos a nossa realidade, onde vemos o mundo desmoronando a nossa volta mas enquanto não somos atingidos nada nos importa.
  Falando por mim, já passou da hora de levantarmos e fazermos alguma coisa, transformar a insatisfação em inconformidade e alçar voo se não é possível andar em frente.

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