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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

[Opinião] O Planeta dos Macacos - Pierre Boulle #113


Editora: Pocket ouro (agir)

N° de Páginas: 205

Citação:

Esse desenvolvimento de lesma entre os macacos merece alguns comentários. Fiquei impressionado com isso ao estudar sua história, detectando nesse aspecto importantes diferenças com relação ao desabrochar do espírito humano. Tudo bem que tenhamos conhecido uma era muito parecida, de quase estagnação. Tivemos nossos orangotangos, nossos ensinamentos mistificados, nossos projetos ridículos, e esse período durou um bom tempo."

Sinopse:
  No ano de 2500, o professor Antelle, o físico Arthur Levain e o jornalista Ulysse Mérou deixam a Terra. Eles embarcam numa nave cósmica, em direção ao extraordinário sol vermelho Betelgeuse, na constelação de Órion. O destino encontra-se a 300 anos-luz da Terra e até atingí-lo passam-se, em nosso planeta, cerca de três séculos e meio, enquanto os viajantes, devido à dilatação do tempo, têm a sensação de passarem-se apenas dois anos. Finalmente, eles se surpreendem ao aterrissar em um planeta com cidades, casas, florestas... Um planeta igual a Terra? Quase. Existe uma diferença: aqui, os macacos reinam e os homens vivem em estado selvagem, quando não estão enjaulados e escravizados. O que terá acontecido com a espécie humana?

Opinião:
  O livro tem mais de 50 anos, mas não vou aderir à velha moda de "lançado a mais de 40 anos = Spoiler liberado" até porque muita gente só conhece o filme, ou pior, só conhece os dois últimos filmes, que apenas pegaram a ideia apresentada no livro (e no filme do início do século), quando eu soube que ia sair um filme chamado Planeta dos Macacos: A Origem eu pensei, putz, eles vão estragar a maior surpresa do filme, mas enfim... o começo do livro me lembrou bastante o começo do filme de 2001, então eu supus que o final também seria igual, e apesar de ser parecido tem diferenças sutis, na verdade o livro e o filme têm bem poucas coisas em comum, se não me engano no filme o protagonista nem é jornalista.
  O livro começa com um casal alienígena viajando pelo espaço numa.. é... espaçonave à vela? Pode parecer ridículo mas o autor explica como ela funciona no livro e esses alienígenas encontram uma garrafa flutuando no vácuo com uma mensagem dentro (What?!) e essa mensagem é a história propriamente dita, até a página 60, mais ou menos, o livro se arrasta como cobra moribunda, mas depois que os primeiros macacos aparecem a história começa a ficar interessante...
  O filme de 2001, dirigido por Tim Burton (do qual eu insisto em falar, pois foi o único que assisti) é muito pouco fiel a história original, inclusive o diretor foi apedrejado pelos fãs do filme de 1968, enquanto o livro é mais sobre a cultura dos macacos e como Ulysse se adapta aos costumes deles o filme tem muito mais ação e revolta (mas mantém, desnecessariamente, o beijo zoofílico entre Ulysse e Zira).
  O autor usa da ficção científica para falar sobre as diferenças sociais e raciais, além de criticar diversas vezes a irresponsabilidade do ser humano em manter "o mundo girando" por assim dizer, me aprofundarei mais nisso na parte do spoiler, lá embaixo, e também podemos identificar um quê de proteção aos animais na obra, com toda aquela história de "e se nossos lugares estivessem trocados?"
  Algumas coisas me pareceram (preparem as pedras) mal preparadas no livro, os nomes de algumas coisas, por exemplo, nosso protagonista sai da Terra chamando o sol para o qual ele vai de Betelgeuse, e batisa o planeta em que pousou de Soror, mas mesmo depois de aprender a linguajem símia e ingressar no "círculo social dos macacos" ele continua chamando-os dessa forma, será que os macacos não tinham dado um nome ao planeta antes da chegada dele?
  A um tempo atrás li um livro chamado Oráculo (aquele da Superinteressante, com um monte de perguntas, da capa podre) onde era explicado que achamos os orientais todos iguais porque nosso cérebro está acondicionado a não diferenciar indivíduos de etnias diferentes da nossa, e no livro também nos é mostrado que um macaco não diferencia um humano do outro, achei essa parte bastante interessante.
  De forma geral, é um livro criativo inteligente e bastante interessante, não tem a linguagem mais simples do mundo, afinal trata-se de um clássico escrito a mais de meio século, mas que definitivamente enterte e desperta um vontade imensa de conhecer mais da ficção científica, além de ter um final agoniante que enche de desespero. Só perde meia estrela pelo começo...


Um comentário com spoiler:
  Durante a leitura vemos que Soror já foi "domínio humano" assim como a Terra, mas os humanos fizeram testes nos macacos para torná-los mais conscientes e, adivinha? conseguiram! Mas como os humanos os usavam como escravos eles acabaram se revoltando contra os mesmos e a preguiça, acima de tudo, dos humanos os levou a negligenciar a ameaça até que fosse tarde demais, assim a população símia sobrepujou a humana que passou a viver como animais.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

[Opinião] O Exorcista - William Peter Blatty #48

Editora:Agir
N° de Páginas:332
Sinopse:
Nos Estados Unidos da América, algo muito estranho acontece. Atingida por uma doença que os melhores especialistas não conseguem descobrir, uma criança caminha para a morte, semeando a destruição à sua volta, ao mesmo tempo que se vai apagando numa agonia atroz.

Opinião:
 Eu assisti ao filme a mais de 10 anos, então tem muuuuuita coisa das quais eu não lembrava, inclusive que o tal pazuzu era tão boca suja...
  O Exorcista narra, como todo mundo sabe, a história da possessão de Regan pelo demônio. Mas Regan não é o personagem principal da história, tão pouco o intrometido que se apossa de seu corpo. O protagonista é o padre Karras, um padre que perdeu sua fé, o fato é que além de padre, Damien (o mesmo nome do garoto do filme A Profecia, sério, o nome dele foi uma das coisas que mais me deu medo) também é psicólogo, eu imagino que deve ser muito difícil conciliar a fé com o conhecimento da mente humana, em algum momento as duas coisas acabam batendo de frente. Inclusive na orelha do livro está escrito:
"[...]Até, enfim, descobrirmos que não se trata apenas de uma história sobre o bem contra o mau. Ou sobre Deus contra o demônio. Mas sobre a renovação da fé."
  Uma coisa é inegável, Blatty escreve como ninguém, você pode até não saber dizer o que é uma história bem escrita, como eu, até ler O Exorcista e ver que esse cara nasceu pra isso. Acredito que nessas mãos, até uma história ruim seria incrivelmente elogiada.
  Os personagens são tão bem formados que você acredita estar lendo algo que realmente aconteceu, enquanto nos encantamos com a vida de Damian Karras, desejamos a morte do detetive Kinderburg (acho que é isso) e pensamos que Chris é a ateia que mais pede ajuda divina que já existiu, vemos também como os acontecimentos são descritos de forma simples e perfeita.
  No quesito medo, pra mim, ele ficou devendo... Não que eu não acredite que uma possessão possa acontecer, acredito sim, e acho que foi bem retratado, mas isso não é algo que me assuste particularmente, é uma história bacana, bem legal, mas como terror ficou devendo um pouco, eu fiquei com mais medo lendo Garotas de Vidro... Mas essa é a minha impressão...
  Uma coisa sobre a edição: 
   eu odiei essa capa.
  Eu acho, que se você tem uma mente formada e não se deixa levar por qualquer coisa, não tem porque não ler, como eu disse, ele é incrivelmente bem escrito desde o primeiro parágrafo:
"Assim como o brilho breve dos raios do sol não é notado pelos olhos de homens cegos, o começo do horror passou despercebido; com o guincho do que ocorreu em seguida, o início foi, na verdade, esquecido e talvez não relacionado de forma alguma ao horror. Era difícil saber."
Até a última linha:
"No ato de esquecer, eles tentavam se lembrar"
Talvez você leia o livro todo e essa última frase não faça o menor sentido pra você, assim aconteceu comigo, mas mesmo sem entender exatamente o que ela quer dizer, fiquei fascinado com ela. A coisa que mais me incomodou no livro foi, claro, o demônio, ele é odioso demais, óbvio que eu não esperava simpatizar com ele, as partes que ele está no controle, que pra mim não foram assustadoras, foram demasiadamente nojentas... muito nojentas, sem falar nas obscenidades faladas por ele, eu sou a pessoa mais chata do mundo com palavrões, não falo e não gosto de ouvir...
  Mas, de um panorama geral, é um livro muito bom e merece ser lido.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

[Opinião] Marley & Eu - John Grogan #26


Editora:Pocket Ouro (Agir)
N° de Páginas: 360
Citação(ões):
"Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Dê seu coração a ele, e ele lhe dará o dele."
"O melhor amigo do homem? Sim, ele era." 
Sinopse:
  John e Jenny eram jovens, apaixonados e estavam começando a sua vida juntos, sem grandes preocupações, até ao momento em que levaram para casa Marley, "um bola de pelo amarelo em forma de cachorro", que, rapidamente, se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos. 

Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, esgadanhava paredes, babava nas visitas, comia roupa do varal alheio e abocanhava tudo a que pudesse. De nada lhe valeram os tranqüilizantes receitados pelo veterinário, nem a "escola de boas maneiras", de onde, aliás, foi expulso. Mas, acima de tudo, Marley tinha um coração puro e a sua lealdade era incondicional. Imperdível. 

Opinião:
  Primeiramente, não consigo me perdoar por ter esse livro a tanto tempo e só ter lido ele agora... eu adoro cachorros, e isso me fez comprar o livro, mas não tenho nenhuma justificativa para não ter lido ele antes... é uma ótima história, estou louco para assistir ao filme (não, também nunca vi... me julguem a vontade u.u).
  O livro como muita gente deve saber ( mas eu não sabia nem disso) é uma história real, onde o autor conta a vida do labrador Marley, quando compraram (até um pouquinho antes) até um pouco depois de sua morte... é um livro absurdamente engraçado adorei a parte onde o autor fala que ele já havia aprendido a atender os comandos (quando tinha vontade) e a parte que diz: "Marley  havia passado no treinamento de adestramento básico em sétimo lugar na turma. E qual o problema se eram oito na classe e o oitavo cachorro era um pit bull psicopata assassino que mataria o primeiro ser humano que atravessasse seu caminho?"
  Mas a história vai ficando triste quando se aproxima do final (tanto do livro quanto da vida de Marley, e isso não é spoiler... na sinopse só falta estar escrito com letras garrafais em vermelho fluorecente "E O CACHORRO MORRE"), fiquei muito "sentimental" (como diria uma amiga minha) no fim da história...
  Na minha singela opinião, esse livro não tem como não receber 5 estrelas e um lugar junto aos favoritos...

quarta-feira, 24 de julho de 2013

[Opinião] O Vencedor Está Só - Paulo Coelho #10



editora: Agir (também nunca tinha ouvido falar)
n° de páginas: 395
citação:
"Todos os seres humanos são diferentes, e devem exercer esse direito até as suas últimas consequências."
sinopse:
  O Vencedor Está Só é, segundo Paulo Coelho, uma fotografia do mundo em que vivemos. A Ação se passa 24 horas, durante o Festival de Cinema de Cannes. Produtores, atores consagrados, candidatas a atriz, top models, estilistas e um assassino em série movimentam-se nos bastidores da festa.

opinião:
  Eu nunca tinha lido um livro do Paulo Coelho, fico até um pouco envergonhado de admitir isso, por ele ser um dos poucos escritores brasileiros de renome internacional, mas a verdade é que me decepcionou um pouco (como diz minha prima, eu crio expectativa demais) é uma boa história mas o autor gasta muitas páginas falando sobre a vida, pensamentos e sentimentos de todos os personagens... a história se passa toda em um dia, mas o autor narra anos e anos da vida dos personagens.
  O grande trunfo, se é que posso chamá-lo assim, da história é que acompanhamos principalmente o passo-a-passo(pensamentos, motivos e, claro, insanidades do assassino.)
  Talvez por eu ser fã de histórias de suspense e mistério eu tenha torcido o nariz para o fato de a identidade do assassino não ser segredo em momento algum, ele mostra como a inteligência, porque ele é louco mas de forma nenhuma burro, pode sobrepujar praticamente tudo...
  É uma boa história e não me arrependo, de forma nenhuma, de ter lido, entretanto, não tenho nenhuma curiosidade em ler alguma outra coisa do autor.

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