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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

[Opinião] Simples Assim - Martha Medeiros #232

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Editora: L e PM

N° de Páginas: 238

Quote:
Costumamos nos agarrar ao que é conhecido, a emoções reprisadas, à manutenção do já visto e já feito - raramente arriscamos perder o chão sob nossos pés. Até que alguém dá um salto mortal bem na nossa frente e não se estatela, ao contrário, se sobressai. É quando dá vontade de ter coragem também. Coragem de sentir medo. E então descobrir que o destino não nos abandonou como parecia. Só estava esperando que a gente se tornasse mais merecedor do seu sorriso."

Sinopse:
  Por que complicar ainda mais?
  Acordou mal-humorado? Respire fundo, abra a janela e pense que no final do dia você encontrará seus amigos para um happy e dará boas gargalhadas. O carro quebrou no meio da rua? Sinalize e espere o guincho em segurança. O namoro está mais para morno? Chegou a hora de pôr um fim a relacionamentos que não levam a nada. Está achando a vida um marasmo, sempre fazendo as mesmas coisas, vendo as mesmas pessoas e não aguentando mais ver a cara de cansaço no espelho? Dê uma guinada.
  Simples assim.
  Martha Medeiros, uma das maiores cronistas do país, não tem solução para seus problemas, mas, com seu olhar afiado, aponta essas pequenezas da vida que tanto trabalho nos dão e nos faz lembrar uma máxima que parece esquecida: a vida está aí para ser vivida. Simples assim.
  Convidada frequentemente para participar dos principais programas de TV do país, Martha é um dos poucos nomes da literatura brasileira em atividade a conjugar tão bem o macro e o micro: a vida contemporânea e suas impressões sobre um livro, Londres e uma lembrança da adolescência, um desastre aéreo do outro lado do mundo e o impacto de um filme, a saída dos filhos de casa e uma metáfora entre sutiãs e separações.
  Mas não é a vida justamente esse encontro, muitas vezes em rota de colisão, entre o macro e o micro? Nestas crônicas transbordam perspicácia, o olhar atento e a sensibilidade aguçada de uma das escritoras que melhor nos entende.

Opinião:
  Bem, por onde começar?
  Quem me acompanha a um tempinho sabe o quanto gosto dessa autora, o que me faz correr atrás de cada novo lançamento dela, mesmo não tendo lido, ainda, os mais antigos.
  A Martha é cronista de dois jornais, o Zero Hora e O Globo (se não me engano) e sua coluna é de crônicas, a cada dois anos é lançada uma coletânea dessas crônicas em formato de livro, já nem sei quantas são, é a minha terceira coletânea dessas bienais, e levei quase um ano lendo, beem na maciota, mas, dessa vez, não foi tanto para economizar o livro e fazê-lo durar mais... a verdade é que essas crônicas não me fisgaram como aconteceu nos outros livros.
  Não estou dizendo que é ruim, longe disso, talvez seja o fato de eu ter me acostumado com a voz da autora, mas aqui não houve nenhum texto arrebatador como os memoráveis "O Que Acontece no Meio" ou "Quando Deus Aparece", houve vários que falaram muito comigo, e na maioria eu concordo com a opinião da autora, mas não sei... ela não me despertou "paixão" como costumava fazer. Em março sai outra coletânea e pretendo comprar, torcendo para que a autora me fisgue novamente, e não tenha textos que eu não tenha ânimo para continuar até o final, como aconteceu em alguns nesse livro.
  Outra coisa que desgosto nos livros da Martha na verdade não é culpa dela. A L&PM faz um bom trabalho de diagramação e as capas são bonitas (nenhuma supera a de A Graça da Coisa, na minha opinião) mas o problema é a escolha do papel, será que existe algum leitor que acha confortável ler um livro impresso em papel branco?
  Enfim, é um livro muito bom, mas não está a altura do que eu esperava da autora.



sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Degraus



  Já dizia Miley Cyrus antes do despirocamento: There's always gonna be another mountain.
  Achei que tinha chegado ao topo da escada, mas descobri com uma curva que aquele era só o fim do primeiro lance, não sei quantos são, mas algo me diz que é muito mais do que imagino.
  Os novos degraus são grandes, parecem ser intransponíveis, estou agarrado a um deles, mas parece ser revestido de porcelana lisa, inclinada, e minhas mãos estão suadas.
  Katniss já dizia: Alguns passos você precisa dar sozinho, talvez isso seja o que mais me assusta no momento, sei onde preciso ir, sei onde devo pisar, mas sei também que ninguém pode fazer isso por mim.
  Já disse e repito, crescer dói, principalmente se você adiou o processo até não poder mais, correr atrás do tempo perdido, avançar em um mês o que devia ter avançado em um ano... não é simples, empurrar os problemas com a barriga sempre vai deixá-los a nossa frente, sentar no degrau só vai te ensinar que você nunca vai sair do lugar se continuar sentado.
  A vida é conservadora, adepta das coisas mais antigas, sua escada não é rolante, exige esforço, e nem sempre existe uma grande recompensa, provavelmente só outro lance de escada, e assim vai, até chegarmos onde precisamos. O fim da escada? Talvez, mas depois de nós alguém continuará subindo, a escada nunca termina, nós é que terminamos.


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Percebi


  É sabido que sempre existe o dia mal.
  Não é esse meu caso, hoje!
  Estou em um processo, todos estamos, por mais que neguemos ou não percebamos.
  Meu processo está sendo de amadurecimento.


  Percebi que o caminho percorrido não se compara a trilha à frente.
  Percebi que não sou tão bom quanto acreditava.
  Percebi que há muita verdade sendo dita, mas muito mais sendo retida.
  Percebi que quase nunca os olhos concordam com a boca, e que os olhos costumam ser mais sinceros.
  Percebi que a sanidade nunca está em 100% e que a bonança nunca dura para sempre.
  Percebi que crescer dói, não fisicamente, mas emocionalmente.
  Percebi que o que eu achava ser rocha, era areia.
  Percebi que não acredito mais em elogios, mas as vezes acredito.
  Percebi que é fácil se iludir, difícil é identificar quando o está fazendo.
  Percebi que tudo que percebi pode estar errado.

  Percebi-me dependente de afirmações alheias.
  Percebi que não confio em mim mesmo.
  Percebi que preciso de desintoxicação.
  Percebi que toda a desconfiança pode ser só coisa da minha cabeça.
  Mas pode não ser.
  Percebi que mesmo assim tenho com quem contar.
  Percebi que há algo maior em que me apoiar.
  Percebi que sempre fui meio paranoico.
  Percebi que é hora de mudar.


quinta-feira, 30 de abril de 2015

[Opinião] Feliz Por Nada - Martha Medeiros #127


Editora: L&PM

N° de Páginas: 211

Citação:
Fico me perguntando como é que vai ser daqui a um tempo, caso não se mantenha o já parco vínculo familiar com a literatura, caso não se dê mais valor a uma educação cultural, caso todos sigam se comunicando com abreviaturas e sem conseguir concluir um raciocínio. De geração para geração, diminui-se o acesso ao conhecimento histórico, artístico e filosófico. A overdose de informação faz parecer que sabemos tudo, o que é uma ilusão, sabemos muito pouco, e nossos filhos saberão menos ainda."

Sinopse:
  "Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve." É com a força transformadora de um abraço que Martha Medeiros abre este novo livro de crônicas e é com a mesma singeleza e olhar arguto para o cotidiano que a escritora ilumina algumas das questões mais urgentes do século XXI. A destacada romancista, cronista e poeta, que já teve obras adaptadas para o cinema, para a tevê e para o teatro, fala aos leitores com a sinceridade de um amigo e materializa as angústias e os anseios da sociedade pós-tudo, que vive acuada sob o grande limitador do tempo. Nesta coletânea de mais de oitenta crônicas, Martha Medeiros aborda temas muito diversos e ao mesmo tempo muito identificados com o leitor. A autora tem o dom de aproximar assuntos por vezes fugidios - como é próprio do cotidiano - de questões universais, como o amor, a família e a amizade, e criar lugares de reconhecimento para o leitor, como ao falar de Deus, dos romances antigos e novos, da mulher, de escritores e cineastas que são imortais, de se perder e se reencontrar, do que a vida oferece e muitas vezes se deixa passar. Feliz por nada, afirma Martha Medeiros, é fazer a opção por uma vida conscientemente vivida, mais leve, mas nem por isso menos visceral.

Opinião:
  Ué Rudi, teremos postagens todo dia agora? Só até eu me organizar...
  Então meu povo, se vocês me acompanham no Instagram viram que eu quase não gostei desse livro, considerando o tanto de marcações que eu fiz...
  Vi uma entrevista da autora falando que foi esse livro que alavancou sua carreira de escritora, apesar de lançar coletâneas de crônicas desde a década de 90 e esse conter o período de 2008 a 2011, segundo ela é por causa da palavra "feliz" na capa, vai saber...
  Como já especifiquei é um livro de crônicas, o que já o torna atraente, e são crônicas da Martha, o que o torna indispensável... Já é o segundo livro de crônicas que leio da autora, e achei que ela está mais engraçada nesse, ela continua dando belas alfinetadas não só ao poder público como também ao povo, tenta abrir os olhos, nem que seja a força, das pessoas que reclamam de tudo sem fazer nada para melhorar sua situação, que quanto mais o povo desprezar a educação e a cultura mais acoada ela vai ficar, menos pessoas vai alcançar e ainda surgirá um falando que o país deveria investir mais na mesma, mesmo sendo um dos que desprezam a arte do teatro ou dos livros.
  Ela fala sobre notícias também, comenta sua opinião sobre elas. Eu, que adoro uma boa treta, adorei as discussões levantadas pela autora, em especial uma que ela intitulou "Nós, os trogloditas" onde um venerável vegetariano fica atormentando Deus e o mundo por comer animais, vou até me obrigar a colocar o que ela falou depois do cara soltar um "Esmagar uma mosca na TV mostra que Obama não é perfeito".
"Pois é, Bruce, Obama não é perfeito, e ainda por cima é chegado num bife. Perfeitos são os que patrulham as pessoas que matam moscas e se alimentam de carne. Nem todo mundo é evoluído, Bruce. Nem todos têm seu grau de consciência ecológica e ambiental. Ainda há muita imperfeição no mundo. Diria até, Bruce, que há imperfeições mais nocivas à sociedade do que as que você combate. Dá pra acreditar que há seres humanos que, além de comer carne e matar moscas, são capazes de jogar bombas em passeatas gays, de empregar parentes que são pagos com dinheiro público, de esfaquear maridos e de espancar meninas até provocar traumatismo craniano? Pois é, Bruce: tem gente que mata gente. Ou gente e mosca dá no mesmo?"
  Mas nem tudo é ataque, a autora conta experiências de vida, fala sobre determinado livro, filme ou peça que leu/assistiu e ainda nos traz algumas reflexões super bacanas como as crônicas "A turma do Dããããã" que é meio treta também, mas enfim... "Na Terra do Se" e "Quando Deus Aparece" também estão entre as minhas favoritas.
  Claro que nem em todos os momentos eu concordei com a opinião dela, mas isso não diminui a forma incrível com a qual ela a expõe.
  A edição está incrível, não sei dizer que tipo de papel foi usado no miolo, mas é um papel que além de amarelado é grosso e macio, ótimo para se ler, as bordas das folhas fazem um "vvvvv", que minhas tantas marcações não me permitem mais ver :p
 
Apesar de ter achado o livro incrível, ele não entrou para os meus favoritos como o outro que li da autora, que por acaso: você já votou em quer que ganhe ele??? (clique aqui e vote)

sábado, 2 de agosto de 2014

[Opinião] Meu Barco & Eu - John Grogan #81


Editora: Ediouro

N° de Páginas: 197

Citação:

Podemos resumir assim: todos nós, algum dia, talvez quando menos esperarmos, enfrentaremos um momento que vai nos definir pelo restante da vida. Esse momento colocará nossa humanidade em xeque. Para alguns, isso pode acontecer no campo de batalha; para outros em um quarto de hospital, ou no trabalho, ou no casamento. Para outros ainda, acontecerá quando estiver ao volante de um carro, em uma noite escura, diante do corpo de alguém."

Sinopse:
Em Meu Barco & Eu, você vai conhecer um John Grogan que escreve crônicas de forma magnífica, tendo como inspiração os mais diferentes aspectos do dia a dia. Todos os hábitos e manias humanas estão presentes em textos que revelam seu entendimento único do mundo fragmentado em que vivemos. Da fragilidade da vida quase perdida em um cruzamento no trânsito aos obstáculos enfrentados pelos adolescentes e à volta da guerra do Iraque para uma pequena cidade na Pensilvânia, suas crônicas estão repletas de sensibilidade e perspicácia envoltas em humor e compreensão.
  Com seu estilo peculiar, John Grogan faz com que fiquemos mais atentos aos outros seres humanos e nos sintamos menos esquisitos em um mundo estranho.

Opinião:
   Vamos deixar claro que esse não é meu primeiro livro de crônicas... só é o primeiro livro de crônicas que eu termino. Pretendo fazer A Graça da Coisa durar bastante...
  As crônicas do livro foram publicadas no jornal no qual John Grogan trabalhava, o The Philadelphia Inquirer, que detém os direitos autorais das mesmas, o que significa que que os editores negociaram as crônicas para formar o livro com o jornal, e que Grogan não ganha um centavo com esse livro, triste não?
  Pelo fato de as crônicas terem sido transcritas exatamente como estavam nos jornais, várias delas são como complementos de determinada notícia, algumas, muitas na verdade, possuem fragmentos de cartas de leitores do Inquirer enviadas a Grogan, os assuntos são diversos, da decepção à orgulho de atos da população, críticas ao governo também são abundantes, indignação com acontecimentos e relatos de um fim de semana em família ou uma viagem de trabalho recheiam as páginas.
  Algumas, como uma sobre o onze de setembro ou aquela sobre a mãe que o filho foi assaltado (e assassinado) a anos e ainda sente a falta dele, chegam a emocionar, as que relatam ações ridículas de políticos ou da classe alta da cidade nos enchem de indignação, mas existem algumas que nos fazem rir também, algo pelo que esperava quando comprei o livro...
  Uma das últimas, intitulada "Virando a mesa contra o telemarketing" foi a mais incrível, no sentido de engraçada, não só pelas tiradas de Grogan mas pelas soluções enviadas por leitores, tem um cara de 74 anos que diz que usa uma tática infalivel, quando percebe que é telemarketing ele fala "Tenho 92 anos e só faço sexo duas vezes por ano. E você acabou de me interromper!" Mas nada supera a moça que atende o telefone e diz apenas "Desculpe, não temos telefone neste lugar!" e desliga.
  Resumindo... é um livro muito bacana, perfeito para quem quer ler alguma coisa em um intervalo curto, demorei uns 20 dias para ler pois separei ele para ler apenas em um intervalo de 15 minutos, mas pode ser lido tranquilamente em uma sentada, nem todas as crônicas são brilhantes, mas em sua maioria são tocantes.

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