Mostrando postagens com marcador L&PM editores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador L&PM editores. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de maio de 2023

[Opinião] Assassinato na Casa do Pastor - Agatha Christie #515

Compre pela Amazon 

Editora: L e PM Pocket
 
N° de Páginas: 284
 
Quotes:
 "Não usei a palavra flutuou por acaso. Já li romances em que jovens são descritos como pessoas animadas, repletas de vida - joie de vivre, a fenomenal vitalidade da juventude... De minha parte, todos os jovens que conheço parecem almas penadas."

"Meu bom pastor, o senhor nem parece deste mundo. Quem, como eu, observa a natureza humana há muito tempo acaba não esperando muito da humanidade. Atrevo-me a dizer que mexericos inúteis são inoportunos e indelicados, mas em geral verdadeiros, não é mesmo?"

 
Opinião: 
  Este era uma dos livros da autora que eu mais tinha curiosidade, primeiro por ser da Miss Marlpe, e assim como o pastor que narra a história, acho ela uma senhorinha simplesmente adorável! E depois porque já ouvi muitos dizerem que este é o melhor livro da personagem e um dos melhores da autora, fiquei muito feliz quando ganhei este exemplar de um amigo há uns meses.
  Aqui somos levados a St Mary Mead, o pequeno vilarejo de Miss Marple e sobre o qual ela vai falar com tanto carinho em todos os livros que não se passam aqui, é um lugar minúsculo, onde todos se conhecem e com um espírito fofoqueiro típico de um lugar desse tamanho cheio de velinhas sem muito o que fazer.
  Quem nos conta a história é o pastor do título, ele é casado com Griselda, embora ele ache que por ser clérigo deveria ser solteiro, talvez um pouco por causa do ser irritante e insuportável que é a sua esposa, eles são vizinhos de Miss Marple o que lhe dá uma visão privilegiada de todo mundo que frequenta a casa do pastor, que é basicamente toda a aldeia.
  Nessa vila tem também um coronel, muito amado por todos, só que não, ele é um chato, e temos uma procissão de personagens falando mal dele e dizendo que seriam capazes de matá-lo, incluindo o pastor que narra a história, então quando ele aparece morto além de ninguém ficar muito triste a lista de suspeitos é bem extensa.
  Esse é o mistério principal, mas existem vários outros secundários no decorrer do livro, alguns até mais interessantes e surpreendentes do que este, que não chega a ser uma grande surpresa, é até bem dedutível.
  Gostei bastante do livro, não figura entre os meus favoritos da autora, mas quase chega no pódio. Acho que a narração do pastor foi um dos pontos altos do livro, ele é uma personagem muito bem construída e como vemos o povoado e as pessoas através dos olhos dele, como clérigo ele se questiona bastante sobre o trabalho que vem fazendo com esse povo que ama, acima de tudo, uma boa fofoca.
  Vale a leitura, como todo mundo que conhece a obra da autora sabe aqui teremos mais conversa do que ação, mas os vários problemas paralelos e pequenos mistérios dão uma boa movimentada na história e fazem com que a leitura flua mais rápido do que o normal, deixando o leitor ansioso para desvendar tudo.




domingo, 18 de dezembro de 2022

[Opinião] Enterrem Meu Coração na Curva do Rio - Dee Brown #373

Compre pela Amazon 

Editora: LePM Pocket

N° de Páginas: 436

Quote:
"Talvez tivessem desculpa, mas os índios não pensavam assim. Muitos brancos pareciam sempre estar dizendo, pela maneira como olhavam um índio: 'Sou melhor do que você', e os índios não gostavam disso. Havia desculpa para isso, mas os dakotas [sioux] achavam que não havia no mundo nenhum homem melhor que eles. E alguns brancos abusavam das mulheres índias de uma certa maneira e as desgraçavam, e para isso certamente não havia desculpa. Por causa de tudo isso, muitos índios não gostavam dos brancos."

Opinião:



sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

[Opinião] Walden ou A Vida nos Bosques - Henry David Thoreau #371

Compre pela Amazon 

Editora: LePM Pocket

N° de Páginas: 335

Quote:
"Sob a mais esplêndida casa da cidade ainda se encontra o porão onde armazenam suas raízes como antigamente, e muito tempo depois de desaparecer a superestrutura a posteridade ainda vê seu recorte na terra. A casa ainda é apenas uma espécie de pórtico na entrada de uma toca."

Opinião:



sábado, 27 de junho de 2020

[Opinião] Sonho de Uma Noite de Verão - William Shakespeare #286

https://www.skoob.com.br/sonho-de-uma-noite-de-verao-1570ed901303.html
 Editora: L e PM Pocket (Edição TAG: Experiências Literárias)

N de Páginas: 128

Quote:
"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado."


Sinopse:
  Sob o solstício de verão, humanos, espíritos da natureza e criaturas fantásticas performam seu espetáculo. Diante de um casamento arranjado por seu pai e pelos deuses, Hérmia decide fugir à noite com seu amado Lisandro, para a tristeza de seu prometido, Demétrio. Ele, por sua vez, é desejado pela confidente de Hérmia, Helena. Nos bosques mágicos, o quarteto se reconfigura, transformando essa trágica história de amor em uma comédia caótica.
  Utilizando linguagem teatral, o livro é narrado com a maestria única de William Shakespeare, um dos maiores escritores ingleses de todos os tempos.

Opinião:
  Fui pego totalmente de surpresa! Esse foi meu primeiro contato com a obra do autor (lendo, realmente), e jamais imaginei que fosse tão absurdo e divertido.
  Não tenho muito apreço por histórias escritas em formato de peça, mas essa me conquistou.
  Aqui conhecemos Hérmia, que é apaixonada por Lisandro (ou Demétrio, agora não sei qual dos dois), mas está prometida para Demétrio (ou Lisandro... vocês já entenderam). Hérmia se recusa a casar com Demétrio e seu pai a leva até o imperador para que ele a convença. Logo no início temos uma conversa ótima entre os dois pretendentes da moça onde Demétrio diz que ele é que se casará com Hérmia pois ele é que tem o amor de seu pai, e o outro de pronto rebate: "Então case-se com ele e com ela me caso eu", eu achei impagável hehe.
  Hérmia então recebe algumas opções: Casar com quem seu pai escolheu, Tornar-se freira e não casar com ninguém... ou morrer. Ela e Lisandro resolvem então fugir a noite e sabe por que cargas d'água ela conta para Helena, sua amiga que nutre uma senhora inveja por ela e que é apaixonada por Demétrio (que é apaixonado por Hérmia que é apaixonada por Lisandro que, olha só, corresponde ao amor de Hérmia... pelo menos alguém é correspondido aqui) e Demétrio resolve seguir os fugitivos, enquanto é seguido por Helena.
  À noite todos estão na floresta, não só eles, mas também um grupo de trabalhadores braçais que resolve dar uma de atores e ensaiam uma peça para apresentar para o imperador... além de todo um contingente de fadas e seres fantásticos que habitam o lugar e estão brigando por um servo, usando de artifícios bem pitorescos e que vão fazer uma senhora bagunça com todos os personagens.
  Enfim, já disse que é escrito em forma de peça, certo? A escrita tem sim seus rococós, afinal, estamos falando de Shakespeare, mas nada que prejudique a leitura, é, na verdade, muito divertido ver todo o caos sendo narrado de forma tão ordenada, e ainda assim sem mascara o caos em si.
  É uma história divertidíssima que me deixou com muita vontade de ler outras coisas do autor.

Foto -William Shakespeare

domingo, 20 de outubro de 2019

[Opinião] As Aventuras de Tom Sawyer - Mark Twain #256

Compre pela Amazon e ajude a manter o blog
Editora: L e PM

N° de Páginas: 283

Quote:

"Mas Jim era apenas um ser humano - essa atração foi forte demais para ele. Ele largou o balde e pegou a bolinha de gude com a risca branca. No minuto seguinte, ele estava voando rua abaixo, com o balde na mão e o traseiro ardendo, enquanto Tom pintava a parede vigorosamente e tia Polly se retirava vitoriosa do 'campo de batalha', com um chinelo na mão e triunfo no olhar."

 
Sinopse:
  As Aventuras de Tom Sawyer é um dos grandes clássicos da literatura americana. Tom Sawyer, o imortal personagem de Mark Twain, um menino astuto, mostra-se tão à vontade no mundo respeitável de sua tia Polly quanto no mundo aventureiro e desprotegido de seu amigo Huck Finn. Os dois vivem uma série de aventuras, acidentalmente presenciando um assassinato e provando a inocência do homem injustamente acusado, assim como sendo caçados por Injun Joe, o verdadeiro assassino, e finalmente escapando e encontrando o tesouro que Joe havia enterrado.
  Embora originalmente escrito como história de aventura para jovens, este livro é muito mais que isto, é um mergulho na vida do interior dos Estados Unidos, especialmente na região do "imenso Mississippi", na metade do século XIX.
  Através das trepidantes aventuras de Tom e Huck, Mark Twain coloca em evidência sua grande habilidade de escritor, seu senso de justiça e sua posição antiescravagista.


Opinião:
  Se eu lesse sinopses saberia que o autor era, dentre muitas coisas, humorista, e estaria mais preparado para o teor cômico do livro, felizmente não leio, foi uma surpresa muito agradável.
  Mais uma vez digo que deveriam tirar Amor de Perdição da lista de leituras obrigatórias do brasileiro para colocar algum dos livros obrigatórios dos Estados Unidos (de preferência este ou O Sol é Para Todos).
  Aqui, como é fácil de supor, conhecemos Tom Sawyer, um guri órfão e que mora com sua tia Polly, tia essa que proporciona momentos hilários para o leitor, mas que passa as suas travando a luta de educar um guri endiabrado como Tom.
  Tom é o tipo de criança que você conhece e depois de três minutos (ou parágrafos) você já começa a pedir a Deus que seu filho não seja como ele, que é uma criança extremamente inteligente, mas que dá aulas de malandragem, com sua lábia ele consegue convencer as outras crianças a fazerem o seu trabalho.
"Tom pensou consigo mesmo que o mundo não era tão ruim assim. Descobria sem saber uma grande lei da ação humana, isto é, que para fazer um homem ou um menino cobiçar uma coisa basta tornar essa coisa difícil de ser alcançada. Se ele fosse um grande filósofo, como o autor deste livro, ele teria aprendido que o trabalho consiste em algo que o corpo é obrigado a fazer, e que brincar é algo que o corpo não é obrigado a fazer. E isso o ajudaria a entender porque fabricar flores artificiais ou pedalar uma máquina leve é trabalho, enquanto levantar bolas no boliche ou escalar uma montanha é diversão. Há cavalheiros ricos na Inglaterra que conduzem coches de quatro cavalos por mais de trinta ou quarenta quilômetros no verão, porque esse privilégio custa uma quantia considerável; mas, se lhes oferecessem um salário por esse trabalho, eles se recusariam a conduzir os coches."
  Como fica claro pelo trecho acima, o autor/narrador também é bastante espirituoso e divertido, complementando muito bem o clima divertido do livro. Acabamos nos afeiçoando a Tom logo no início, enquanto ele apronta com Deus e o mundo, as tramóias que ele faz até mesmo na escola dominical e a conversa que tem com o professor quando ele vai ganhar a tão cobiçada Bíblia por ter "decorado" tantos versículos é de rolar de rir.
  Mas o livro utiliza dessas presepadas do protagonista para criticar diversas questões, entre elas a escravidão - de forma bem sutil, em passagens que eu considerei cheias de ironia, mas sei que muita gente considera o autor racista - mesmo que tenha sido um livro escrito na época que o preconceito racial era extremo e retratando isso de forma fidedigna.
  Temos aventuras mais maduras também, como quando Tom e Huck presenciam um assassinato, coisa que pode parecer o fio condutor da história, mas não é, essa briga de gato e rato entre o assassino e o protagonista vai durar boa parte do livro, mas mesmo enquanto ela acontece é muito mais interessante acompanhar a vida comum de cada personagem e as repercussões que outras ações menores têm em cada um deles.
  Para mim o livro só desandou um pouco na parte que Tom se apaixona, sabem que minha tolerância para romance é bem baixa então vocês podem interpretar isso da forma que melhor lhes convir, mas até esses momentos proporcionam situações hilárias, mas também tornaram a leitura cansativa em diversos momentos. Outra coisa que eu não curto muito, mas que pode ser vista como ponto positivo, foram as falas de Huck, por ser uma criança sem estudo ele fala bem parecido com a forma que a protagonista de A Cor Púrpura narra aquele livro, ou seja, cheio de erros gramaticais, isso dá sim certa verossimilhança para o personagem, mas me incomodou durante a leitura.
  Em suma, é um livro divertidíssimo, com uma narrativa capaz de nos imergir nos Estados Unidos do século XIX e nos encantar com cada personagem, ao mesmo tempo que ele passa por temas como amizade, religião, família, lealdade e justiça. Só não dei nota máxima porque ele realmente me cansou depois que o romance entrou na história.

https://www.skoob.com.br/autor/655-mark-twain

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

[Opinião] Simples Assim - Martha Medeiros #232

Compre pela Amazon e ajude a manter o blog
Editora: L e PM

N° de Páginas: 238

Quote:
Costumamos nos agarrar ao que é conhecido, a emoções reprisadas, à manutenção do já visto e já feito - raramente arriscamos perder o chão sob nossos pés. Até que alguém dá um salto mortal bem na nossa frente e não se estatela, ao contrário, se sobressai. É quando dá vontade de ter coragem também. Coragem de sentir medo. E então descobrir que o destino não nos abandonou como parecia. Só estava esperando que a gente se tornasse mais merecedor do seu sorriso."

Sinopse:
  Por que complicar ainda mais?
  Acordou mal-humorado? Respire fundo, abra a janela e pense que no final do dia você encontrará seus amigos para um happy e dará boas gargalhadas. O carro quebrou no meio da rua? Sinalize e espere o guincho em segurança. O namoro está mais para morno? Chegou a hora de pôr um fim a relacionamentos que não levam a nada. Está achando a vida um marasmo, sempre fazendo as mesmas coisas, vendo as mesmas pessoas e não aguentando mais ver a cara de cansaço no espelho? Dê uma guinada.
  Simples assim.
  Martha Medeiros, uma das maiores cronistas do país, não tem solução para seus problemas, mas, com seu olhar afiado, aponta essas pequenezas da vida que tanto trabalho nos dão e nos faz lembrar uma máxima que parece esquecida: a vida está aí para ser vivida. Simples assim.
  Convidada frequentemente para participar dos principais programas de TV do país, Martha é um dos poucos nomes da literatura brasileira em atividade a conjugar tão bem o macro e o micro: a vida contemporânea e suas impressões sobre um livro, Londres e uma lembrança da adolescência, um desastre aéreo do outro lado do mundo e o impacto de um filme, a saída dos filhos de casa e uma metáfora entre sutiãs e separações.
  Mas não é a vida justamente esse encontro, muitas vezes em rota de colisão, entre o macro e o micro? Nestas crônicas transbordam perspicácia, o olhar atento e a sensibilidade aguçada de uma das escritoras que melhor nos entende.

Opinião:
  Bem, por onde começar?
  Quem me acompanha a um tempinho sabe o quanto gosto dessa autora, o que me faz correr atrás de cada novo lançamento dela, mesmo não tendo lido, ainda, os mais antigos.
  A Martha é cronista de dois jornais, o Zero Hora e O Globo (se não me engano) e sua coluna é de crônicas, a cada dois anos é lançada uma coletânea dessas crônicas em formato de livro, já nem sei quantas são, é a minha terceira coletânea dessas bienais, e levei quase um ano lendo, beem na maciota, mas, dessa vez, não foi tanto para economizar o livro e fazê-lo durar mais... a verdade é que essas crônicas não me fisgaram como aconteceu nos outros livros.
  Não estou dizendo que é ruim, longe disso, talvez seja o fato de eu ter me acostumado com a voz da autora, mas aqui não houve nenhum texto arrebatador como os memoráveis "O Que Acontece no Meio" ou "Quando Deus Aparece", houve vários que falaram muito comigo, e na maioria eu concordo com a opinião da autora, mas não sei... ela não me despertou "paixão" como costumava fazer. Em março sai outra coletânea e pretendo comprar, torcendo para que a autora me fisgue novamente, e não tenha textos que eu não tenha ânimo para continuar até o final, como aconteceu em alguns nesse livro.
  Outra coisa que desgosto nos livros da Martha na verdade não é culpa dela. A L&PM faz um bom trabalho de diagramação e as capas são bonitas (nenhuma supera a de A Graça da Coisa, na minha opinião) mas o problema é a escolha do papel, será que existe algum leitor que acha confortável ler um livro impresso em papel branco?
  Enfim, é um livro muito bom, mas não está a altura do que eu esperava da autora.



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

[Opinião] Divã - Martha Medeiros #200


Editora: Alfaguara

N° de Páginas: 214

Quote:
Não chego a temer a loucura, no fundo ab gente sabe que ninguém é muito certo. Eu tenho medo é da lucidez. Tenho medo dessa busca desenfreada pela verdade, pelas respostas."

Sinopse:
  Mercedes é uma mulher com mais de 40 anos, casada, mãe de três filhos, professora e artista plástica nas horas vagas, que recorre à ajuda de um psicanalista num momento crucial de sua vida: apesar de ter cumprido muito bem o papel que a sociedade esperava que desempenhasse, ela sente um vazio inexplicável. Deitada em um divã, vai em busca de emoções e desejos até então adormecidos.
  Neste livro, Martha Medeiros cria, com extrema delicadeza e humor, uma mulher de váriaos matizes, que precisa se confrontar com todas as suas versões para aproveitar a liberdade que só a idade madura proporciona.
   Divã ganhou adaptações para teatro e cinema, com Lila Cabral como protagonista, e se tornou um grande sucesso de público e crítica.

Opinião:
  Vi uma entrevista da autora onde ela dizia que não se acha uma grande romancista e um dos sonhos dela é saber escrever ficção melhor do que ela sabe.
  Se você acompanha o blog a um tempo, sabe do meu declarado amor por essa gaúcha, que até então só conhecia por suas crônicas. E a meu ver a ficção dela não é ruim, talvez um pouco mecânica, se é que posso usar essa palavra, e seu romance pareceu muito uma coletânea de crônicas, eu adoro a forma como ela escreve, então isso não me incomodou.
  O livro é um monólogo, nossa protagonista está fazendo análise, mas parece mais que ela está se analisando, na verdade fazendo uma autoanálise, ela altera suas seções com desabafos melancólicos, críticas ferrenhas ao modo de vida dela mesma e das pessoas que as cercam e discursos reflexivos, acho que o analista saia das seções se sentindo bem melhor.
    Mercedes não é um exemplo a ser seguido, e passou longe de ser uma personagem carismática, a autora quis colocar todas as crises possíveis na personagem no decorrer da história e ela meio que engloba toda e qualquer pessoa que vá ler o livro, o que, até certo ponto, é uma boa característica, mas o livro não funciona muito bem como um romance, pelo menos não funcionou para mim.




  Mas é claro que a autora esbanja sabedoria e experiência de vida nas páginas, então decidi encarar como mais uma coletânea de contos e foi tudo lindo.
  A edição da Alfaguara está de parabéns, pra variar, a leitura é fluida, mas se torna ainda mais pela excelente diagramação, obviamente feita para tornar o livro um pouco mais grosso, com vasto espaçamento e letra gigantesca.




  Em suma, não morri de amores pelo livro, mas aproveitei a leitura de uma forma diferente da que eu esperava.

Apesar de não ter sido tão excepcional no que se propôs ele é bastante reflexivo e envolvente

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

[Opinião] Um Brinde de Cianureto - Agatha Christie #199

Editora: L&PM Pocket

N° de Páginas: 253

Quote:
Por que as mulheres não tinham a decência de deixar as coisas em paz? Um homem não quer ser lembrado continuamente das asneiras que já cometeu."

Sinopse:
  O luxuoso restaurante Luxembourg é o lugar escolhido para comemorar o aniversário da linda e elegante Rosemary Barton. Entre os seis convidados, encontram-se pessoas próximas, mas que não necessariamente querem o seu bem. Mesmo assim, ninguém poderia prever o desfecho da noite: Rosemary morre subitamente após ingerir uma taça de champagne com cianureto. Tudo indica que foi um suicídio... Em um inusitado jogo literário, a rainha do suspense dá a ada um dos personagens a chance de contar sua versão daquele dia, levantando suspeitas que podem colocar em xeque a razão da morte de Rosemary.

Opinião:

  Nota mental, nunca mais esperar cinco meses para escrever minha opinião sobre um livro.
  Enfim, como pode ter ficado claro com o lembrete para mim mesmo acima, o livro não foi tão impactante para ficar gravado na memória e sobreviver às influências dos que foram lidos posteriormente. Mas eu gostei dele, logo que finalizei a leitura lembro de ter achado ele o melhor que já tinha lido da autora, mas não é bem assim, gostei muito, sim, mas ainda prefiro Um Corpo na Biblioteca e até O Cavalo Amarelo, que com toda certeza foi o que mais me marou.
  Mas estamos aqui para falar desse livro, aqui conhecemos uma família abastada, pelo menos alguns membros dela, um jovem oportunista e detestável, uma senhora ingênua ao ponto de ser burra e um senhor apaixonado, além de uma irmã sem grande importância.
  Esse livro me lembrou bastante Assassinato no Expresso do Oriente, no sentido de que não há muita, quase nenhuma, na verdade, ação. Ele foca nas batalhas internas, psicológicas, intelectuais e até sentimentais dos personagens. Mas diferente desse, daquele eu não gostei.
  Rosemary Barton é uma jovem amada por muitos (apesar de não ter me cativado tanto) que logo após um brinde com a família em um restaurante fino, cai morta. Depois de constatada a morte por envenenamento várias hipóteses são levantadas, entre suicídio e assassinato, muito tempo se passa com o viúvo planejando uma arapuca, e quando enfim a armadilha está pronta... vocês vão precisar ler o livro pra se estupefarem como aconteceu comigo.
  O livro nos apresenta situações extremas, mas que podem ser vistas ainda hoje, a desonestidade e picaretagem do parente distante:
"Eu me divirto. Sim, eu me divirto imensamente. Já vivi uma boa vida, Ruth, e já fiz de quase tudo. Fui ator, lojista, garçom, biscateiro, carregador e contrarregra em um circo! Já viajei como grumete em um cargueiro a vapor. Já concorri a presidente em uma república sul-americana. E já estive na prisão!Há só duas coisas que eu nunca fiz na vida: um dia de trabalho honesto e pagar minhas próprias contas."
   Um livro que, além do mistério envolvente (não suuuuuuuuuuuuuper envolvente, mas envolvente ainda assim) traz situações e personagens que nos fazem refletir sobre nosso comportamento, rever nossas ações e corrigir alguns desvios de caráter.



terça-feira, 12 de abril de 2016

[Opinião] Flush: Memórias de um Cão - Virgínia Woolf #177

Editora: L&PM Pocket

N° de Páginas: 140

Citação:
O nariz humano é praticamente inexistente. Os maiores poetas do mundo não sentiram cheiro de nada além de rosas de um lado e de esterco do outro. As infinitas graduações entre as duas substâncias não foram registradas. Ainda assim, era no mundo dos cheiros que Flush vivia a maior parte do tempo.''

Sinopse:
  Se é preciso uma escritora que alterou os rumos da narrativa do século XX, o nome dela é Virgínia Woolf. Nascida numa família de intelectuais ingleses, a partir da década de 20 se tornou uma importante crítica literária e figura central do grupo de Bloomsbury. Através da sua obra ficcional e da sua atitude, Virgínia liberou amarras que restringiam as mulheres da sua época, tornando-se um dos nomes importantes do movimento feminista. Lançando mão de experiências modernistas de autores como Marcel Proust e James Joyce, penetrou na psicologia e na mente dos personagens como nunca até então. Entre outros, escreveu Mrs. Dalloway (1925), Ao Farol (1927) e Orlando (1928), considerados marcos do romance moderno. Flush é seu livro mais bem-humorado e que mais obteve sucesso entre os leitores quando seu lançamento, em 1933.
  Em Flush Virginia expande as suas experiências com os processos da mente, apresentando os mistérios e aventuras da existência vistos através dos olhos de um cocker spaniel. O gênio criativo da escritora garantiu a essa inusitada ideia uma execução de virtuose: o livro agrada tanto aos amantes de cães quanto aos admiradores da autora - uma das vozes literárias mais revolucionárias do século XX.

Opinião:
  A um bom tempo tinha curiosidade de ler algo da tão aclamada Virginia Woolf. Vi esse livro a venda e me surpreendi, pois com toda a fama da autora nunca tinha ouvido falar dele, vi na quarta capa, em letras garrafais : ''Uma obra de Virginia Woolf cheia de humor e graça'', então considerando a autora, a capa essa frase e o fato de ser sobre cachorro, não pensei duas vezes, já garanti o meu, e que bom que o fiz.
  Antes de falar do livro vamos conversar sobre como ele foi escrito. Virginia teve acesso a cartas trocadas entre dois grandes poetas (Robert e Elizabeth Browning), e nas cartas escritas pela moça ela citava as peripécias de seu belo cocker de estimação, baseada nessas cartas e no conhecimento que tinha da vida dos poetas elas criou sua história, ou seja, nem tudo aqui é ficção.
  Elizabeth ganha Flush de uma amiga da família em um período em que se encontrava doente, o cão lhe trouxe nova força e alegria na vida, mas a doença e a depressão sumiram de vez quando começou a se encontrar com Robert, que inicialmente não foi muito aceito por Flush.
  A obra é realmente bem-humorada e nos faz dar sorrisinhos em diversos momentos (o senso de humor erudito do século passado não é tão forte a ponto de nos fazer gargalhar), como o primeiro encontro entre Flush e Elizabeth:
"Os dois se surpreenderam. Cachos pesados pendiam das laterais do rosto da Senhorita Barret; grandes olhos espertos brilhavam; uma grande boca sorria. Orelhas pesadas pendiam das laterais do rosto de Flush; seus olhos também eram grandes e inteligentes; sua boca estava aberta. Havia algo de comum entre os dois. Enquanto encaravam um ao outro, pensaram: aqui estou eu.''
 Apesar de ser uma história divertida sobre a vida de um cão com um final de cortar o coração a autora não perdeu a chance de criticar as posições sociais, usando as raças caninas para mostrar como a nobreza e a plebe eram (são, na verdade) tratadas de forma diferenciada.
  Um livro curtinho, bem-humorado e gostoso de ser lido que traz uma pungente mensagem sobre discriminação social e maus tratos aos animais.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

[Opinião] Quando o Vento Sumiu - Graciela Mayrink #171

Editora: L&PM Editores

N° de Páginas: 260

Citação:

Muita gente pedala, às vezes até distâncias maiores. Sei lá, quando estou sentindo o vento no rosto, parece que está tudo bem. Eu não sei explicar, mas tenho a sensação de que tudo vai se ajeitar na vida. Dá aquele sentimento de que, se o vento sumir, as coisas vão ficar ruins para sempre.''

Sinopse:
  Suzan, Mateus e Renato, três jovens típicos do Rio de Janeiro, são amigos desde os últimos anos do colégio. Suzan é uma garota doce e determinada, que sonha em ter sua própria agência de viagens. Renato é filho do dono de uma grande construtora, mas gosta mesmo é de pegar onda. Mateus é um rapaz sério, tímido e sofrido que vive com a mãe.
  Em meio ao dia a dia de estudantes de segundo ano da Universidade da Guanabara, festas, momentos em família e o gradual aumento de suas responsabilidades, a amizade se transforma e os três enfrentam, juntos, as dores e as delícias do amor. Não tardarão em aprender que pequenas escolhas têm consequências duradouras e imprevisíveis.

Opinião:
  Já ouviu aquela frase: ''Não aceite críticas de quem não conhece suas lutas''?
  Pois é, nesse livro somos apresentados a um trio de amigos, pessoas comuns como eu e você mas que estão em uma das muitas transições da vida, entrando na fase adulta, se deparando com responsabilidades e sonhos para o futuro.
  É um livro sobre amizade, quando ela se transforma em algo mais, quando deveria se transformar e quando era melhor que não tivesse se transformado. A autora brinca com clichês e constrói uma bela história sobre amadurecimento e a importância de pensar antes de agir.
  O livro possui dois finais, pra quem reclamou do livro anterior da autora dizendo que ela foi pelo caminho fácil, aqui ela nos dá um final mas mostra também o que poderia ter acontecido diferente, que acarretaria em um final diferente, isso serve de lição para pensarmos nas nossas ações e mostrar que decisões tomadas com a cabeça quente raramente tem bons resultados.
  Em sua maioria, o livro não tem grandes acontecimentos, conhecemos os personagens e nos afeiçoamos a eles, podemos ver nossas vidas refletidas em cada um deles, com suas dúvidas, aspirações e desejos.
  Deixei esse livro para janeiro para ler no mesmo mês que li o outro da autora, A Namorada do Meu Amigo, que foi uma agradável surpresa. Como terminei de ler o livro anterior com minha fé na humanidade mais abalada do que o normal, precisava ler algo mais leve e esse livro foi um bálsamo para meu emocional abalado. 
  É uma ótima pedida para quem está de ressaca literária ou, como eu, procurando algo mais leve para ver que ainda existe bondade no mundo, não que o livro não tenha seus vilões, mas tudo precisa de equilibrio, certo?


Talvez você goste de:



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...