sábado, 21 de novembro de 2020

[Opinião] O Grande Julgamento - Rodrigo Meneghetti Pontes #317

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Editora: Amazon

N° de Páginas: 117

Quote:
 "No contexto do juízo, nossas obras servem apenas para mostrar ao universo a natureza das decisões que foram tomadas em nosso interior, mas nunca têm caráter expiatório. "

Sinopse:
No mundo cristão contemporâneo, parece haver um pacto de silêncio quanto a certas questões bíblicas impopulares. Talvez por que esses temas não conquistem novos membros com facilidade, ou por que não sejam "lucrativos". A Bíblia nos apresenta um Deus cuja base do governo é o amor. Esse amor se manifesta no sacrifício expiatório de Cristo e em todo o empenho, de iniciativa divina, para alcançar a humanidade caída e oferecer-lhe o perdão gratuito. Todavia, o amor de Deus também se manifesta quando Sua justiça é satisfeita. A Bíblia ensina a existência de uma ocasião na qual mortos e vivos serão julgados, ocasião na qual o destino eterno de cada indivíduo que já viveu em nosso mundo será decidido. Quando isso ocorre? Quais são as regras? E, o mais importante, como receber o veredito de inocente? Esta obra busca responder a essas questões com o devido fundamento bíblico.

Opinião:
  Uma boa palavra pra definir este livro seria presunçoso.
  O autor vai falar sobre, como o próprio nome sugere, o julgamento final, contrariando o "evangelho coach" muito difundido nos nossos dias onde fazem parecer que Deus é um hippie com o indicador e o médio levantados e um sorriso despreocupado enquanto fala "paz e amor" com uma voz pastosa. O livro me ganhou por não ser assim, ele fala sobre o fim dos tempos onde mortos e vivos enfrentarão o juízo, como somos justificados pela graça e muita coisa com bastante coerência.
  Mas ele se perde pelo tom de supremacia, onde se julga a palavra final no assunto Fim dos Tempos, muito calcado na doutrina adventista, e, querendo ou não, sendo um pouco controverso, parafraseando o autor o livro diz algo como "suas obras nao te salvarão, você enfrentará um juízo onde apenas a misericórdia de Deus irá salvá-lo, e não esqueça de guardar o sábado" parece que ele diz que nenhuma boa obra pode me salvar, mas guardar o sábado pode... para ser justo com o autor, isso não acontece com muita frequência. 
  O livro discorre bastante sobre o arrebatamento e a tribulação, inclusive sobre a ordem dos eventos, mas eu, particularmente, penso que esse é um assunto que não vale o tempo de discussão, já está definido o que vem primeiro, não importa no que eu ou você acreditamos, meu conselho é se prepare para o pior e torça pelo melhor. É só o que nos resta.
  Apesar das severas ressalvas eu acredito que o livro é interessante e o autor sabe expor suas ideias, recomendo a leitura para todos que tenham um bom filtro.



terça-feira, 17 de novembro de 2020

[Opinião] O Assassinato do Comendador Vol. 2 - Haruki Murakami #316

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Editora: Alfaguara

N° de Páginas: 375

Quote:

"Se eu conseguir te retratar direito, talvez você consiga ver, com seus próprios olhos, como é sua imagem vista através dos meus olhos."

Sinopse:
  No primeiro volume desta história, deixamos o protagonista ansioso para saber o que esta escondido atrás da pintura chamada de O assassinato do comendador. Ele também aprendeu a conviver com os estranhos personagens e objetos que o cercam desde que se estabeleceu em uma casa nas montanhas. E, a pedido de seu vizinho, começou a esboçar o retrato de uma adolescente peculiar, Mariê Akikawa.
  Contudo, Mariê desaparece misteriosamente no caminho de volta da escola, e nosso protagonista se lança em uma busca frenética. Neste segundo livro, de ritmo acelerado e cheio de suspense, os desfechos são revelados e se encaixam como num quebra-cabeças, para que toda a pintura faça sentido.
  Uma obra tão monumental quanto 1Q84, este livro perturbador e hipnotizante trabalha as obsessões mais íntimas do Mestre Haruki Murakami.

Opinião:
  É meio difícil, pra não dizer quase impossível, falar qualquer coisa desse livro sem dar spoilers do vol. 1. Isso porque se trata de um livro só, que foi divido aqui para poder arrancar mais dinheiro dos leitores.
  Então vamos começar esclarecendo que as metáforas são tão abundantes que viram até personagens nessa história, cão teu tudo que está nas entrelinhas? Duvido, e duvido muito. 
  Tudo deixa uma impressão de estar escondendo algo, desde o buraco na mata, os guizos e o tal vizinho, que transmite essa sensação até para o protagonista. Talvez eu já tenha falado isso tudo quando comentei sobre o primeiro volume aqui, mas não lembro hehe.
  A forma cíclica que o autor estruturou a história me fez ficar pensando sobre ela, como leitor experiente de Murakami estou acostumado com finais... inesperados, para dizer o mínimo, mas aqui a experiência foi bastante diferente. Mesmo com aquela conhecida reflexão de que "será que toda essa experiência transformou o personagem a ponto de ele tomar determinado rumo na sua vida?" Aqui o autor nos mostra um final que não possui muita ramificação possível.
  Sem dúvida posso afirmar que figura entre as minhas obra favorita do autor, foi um dos livros mais visuais e imersivos que já li dele e alguns cenários e personagens (mesmo o protagonista sem nome) continuam bem vívidos em minha mente, ainda quero fazer uma releitura, emendar os dois volumes e ler a obra como o autor idealizou, e não com um ano de intervalo, como eu fiz.
  Pra variar, eu deixo aqui a forte recomendação do livro, bem como de toda a obra desse autor incrível, você já leu? Me conta aí o que achou.







sábado, 14 de novembro de 2020

[Opinião] Novelas Exemplares - Miguel de Cervantes #315

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Editora: Cosac Naify

N° de Páginas: 544

Quote:
"Juntamente com isso, não ignorar meu desejo oculto de não morrer neste estado que parece que professo, pois quando não aguentar mais terei de confessar e anunciar aos gritos a fé em Jesus Cristo, de quem me afastaram  minha pouca idade e menor inteligência, apesar de saber que essa confissão vai me custar a vida, que, em troca de não perder a da alma darei por bem empregado perder a do corpo."

Sinopse:
Antes da publicação da segunda parte de Dom Quixote, em 1613, Cervantes lança uma outra aventura: Novelas exemplares. Como gênero literário, a novela já existia, mas, como nota o próprio Cervantes, ele é o primeiro a tentá-la na Espanha. Ele experimenta o gênero em todas as direções possíveis, com relatos bizantinos, cortesãos ou picarescos. E mais: busca estabelecer um padrão realista, fala do cotidiano das pessoas, de uma Espanha que podia ser vista da janela de casa. É interessante notar como ele, filho de uma sociedade machista, sabe das dores femininas e pinta mulheres inteligentes e espirituosas, quando outros as queriam apenas lindas e submissas. É exemplar como Cervantes, homem de temperamento satírico, conseguiu despistar a censura, deixando transparecer entre exaltações aos reis e à Igreja, seu país violento e sensual, trapaceiro e cobiçoso, em que o estupro, por exemplo, é aceito com naturalidade, e um casamento é o único sinal de respeito que se tem pelas mulheres. A edição traz aparatos críticos de estudiosos do autor, notas, poemas em sua versão original e ilustrações.

Opinião:
  Decidi fazer essa leitura entre os volumes 1 e 2 de Dom Quixote pelo simples fato de que foi aí que ela foi publicada, mais especificamente, em 1613.
  Como o próprio nome sugere, esse livro é uma coletânea de novelas, histórias curtas, mas não o suficiente para serem consideradas contos. Decidi fazer um pequeno projeto pessoal de ler uma novela por mês, deu mais ou menos certo, mas confesso que chegou uma hora que eu não suportava mais o livro hehe. 
  Não que ele seja ruim, longe disso, algumas novelas foram muito divertidas e interessantes de se acompanhar, como a do Amante Generoso, de onde tirei o quote destacado, mas por ser um livro antigo ele acabou me saturado um pouco, nas ultimas 3 ou 4 histórias. Talvez, se tivesse dado um intervalo maior entre elas a experiência, pra mim, teria sido mais bem aproveitada.
  Eu não tenho certeza se este livro foi republicado por alguma outra editora após o fechamento da Cosac, e confesso que não sou do time que acha essa edição maravilhosa e linda de morrer, na verdade não gosto muito do trabalho gráfico que foi feito (diferente das traças, que deram uma roída na parte de baixo do livro, mas por ter uma capa dura extremamente grossa não fez muita diferença).
  Apesar do que eu possa ter deixado a entender, eu gostei do livro, ele não é a melhor leitura que fiz na vida e só não me desfiz da minha edição porque estou esperando ficar mais rara e cobrar mais caro na revenda :p
  Sem dúvida eu recomendaria essa leitura, por serem histórias mais curtas pode ser uma boa forma de conhecer a escrita do autor antes de embarcar em sua magnus opus. Inclusive, a primeira história, a da Ciganinha, é cheia de músicas/poemas, bem parecido com Dom Quixote. 

terça-feira, 10 de novembro de 2020

[Opinião] Excalibur - Bernard Cornwell #314

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Editora: Grupo Editorial Record

N° de Páginas: 532

Quote:
"É melhor não saber do futuro. Tudo termina em lágrimas, e é só o que há”

Sinopse:
  Neste terceiro volume da série, iniciada com "O Rei do Inverno" e seqüenciada por "O Inimigo de Deus", o escritor imerge o leitor em uma Britânia cercada pela escuridão. E apresenta os últimos esforços de Artur pra combater os saxões e triunfar sobre um casamento e sonhos desfeitos. "Excalibur" mostra, ainda, o desespero de Merlin, o maior de todos os druidas, ao perceber a deserção dos antigos deuses bretões. Sem seu poder, Merlin acha impossível combater os cristãos, mais perigosos para a velha ilha do que uma horda de famintos guerreiros saxões. O livro traz vívidas descrições de lutas de espada e estratégias de guerra, misturadas com descrições da vida comum naqueles dias: longas barbas servindo como guardanapos, festivais pagãos, com sacrifícios de animais, e pragas corriqueiras, como piolhos. Tendo por narrador um saxão criado entre os bretões, Derfel, braço direito de Artur, "Excalibur" acompanha os conflitos internos de Artur, recém-separado da esposa, mas ainda apaixonado por sua rainha. Atacado por velhos inimigos, perseguido por novos perigos. Mas sempre empunhando a espada Excalibur, um dos Tesouros da Britânia legados aos homens pelos antigos deuses dos druidas. Cornwell mostra, ainda, como as ameaças vindas de todos os lados acabam fazendo com que Artur se volte para a religião, chegando a batizar-se como cristão. Todos os sacrifícios são válidos para salvar sua adorada Britânia e conceder-lhe a tão almejada paz.

Opinião:
  Não há muito que se possa falar deste livro sem dar spoiler dos 2 anteriores, sendo assim, esta será uma postagem bastante curta para não revelar muito do enredo de O Rei do Inverno nem de O Inimigo de Deus.
  Depois de suprimir o levante rebelde de Lancelot e ficar naquela de "o que fazer com Guinevere" começa finalmente a grande batalha entre a Bretanha e os Saxões, e é aí que finalmente posso dizer que gostei da Guinevere, a fúria com que ela luta é admirável. Derfel fica a cargo das negociações antes da batalha, propriamente dita, mas isso é só o primeiro quarto do livro.
  A forma com que o autor consegue nos manter cativados, mesmo depois de dois livros de mais de 500 páginas cada, aqui vamos conhecer o desfecho de vários dos personagens que acompanhamos aprendemos a amar (ou odiar) e o surgimento das primeiras lendas a respeito deles.
  Temos o desfecho do tempo presente também, com o Derfel idoso e a nova rainha Igraine.
   A trilogia sem dúvidas conquistou mais um fã ferrenho e o autor ingressou na lista daqueles que quero ler tudo que escreverem.
 






sábado, 7 de novembro de 2020

[Opinião] Romance Sem Palavras - Carlos Heitor Cony #313

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Editora: Alfaguara

N° de Páginas: 146

Quote:
"Eu me sentia menos homem na proporção em que via o resultado do que um homem pode fazer a outro homem."
Sinopse:
  Em seu décimo terceiro romance, agora em quinta edição, Carlos Heitor Cony entrelaça a vida de três personagens a um dos momentos mais dramáticos da história brasileira. Beto, homem solitário, que evita se envolver diretamente na luta contra a ditadura, é preso por agentes do governo militar. Na cela, acaba por salvar a vida de um homem à beira do colapso: João Marcos, que deixou o sacerdócio para entrar na luta armada.
  É o início de uma amizade duradoura entre eles, "naufragos de um mar também tormentoso", mas conturbada com a chegada de Iracema, mulher enigmática, conhecida apenas pelo codinome que usa na clandestinidade. Amante de um, casada mais tarde com outro, será o pivô de um falso triângulo amoroso que esconde algo por trás das aparências. Em Romance se palavras,Cony retorna aos terríveis anos de repressão para contar uma história surpreendente sobre amor, enganos e decepções.

Opinião:
  Que o Cony é meu autor brasileiro favorito já não é segredo para ninguém, que estou tentando arranjar todos os livros dele também é fato conhecido... que tenho preferência pelas edições da Alfaguara também é verídica.
  Aqui conhecemos Beto, em uma narrativa intercalada entre o período que foi prisioneiro político no período do regime militar e um tempo depois. Logo no começo Beto recebe seu novo "colega de cela", um padre chamado João Marcos, homem que já era conhecido de Beto, pelo menos seus gritos, que Beto podia ouvir de sua cela. João Marcos é jogado dentro de sua nova cela em um estado deplorável, em carne viva depois de uma sessão de tortura, ainda com um arame enfiado em sua uretra, usado para eletrocutar o coitado, como bom companheiro de cela/ser humano, Beto o ajuda como pode, retirando, inclusive, o dito arame (fato que vai reverberar pelo resto da narrativa).
  Algum tempo depois, quando Beto já não é mais prisioneiro ele se une a Iracema, então sua namorada, e resgatam João Marcos.
  No que seria o presente, alguns anos depois, vemos os três na casa de Iracema e João Marcos, que depois do período de prisão abandonou o ofício de padre e se casou com Iracema. Beto não remoe o término do seu relacionamento com a mulher pois o que passaram meio que liga os três personagens em um nível ainda mais profundo do que o casamento dos amigos. nessa casa o lugar favorito de Beto é na ponta do cais, olhando o lago, cena muito bem representada pela capa desta edição.
  Apesar do passado e dos traumas compartilhados, ou talvez justamente por isso, Beto e João Marcos nutrem uma amizade e companheirismo mútuo. Mas talvez a fidelidade, ou falta dela, de Iracema bote essa amizade em xeque.
  O livro parece ser sobre um triângulo amoroso e como o amor romântico pode rivalizar com uma amizade profunda. Cony escreve de forma maravilhosa, mas neste livro ele leva isso para outro patamar, a escrita é tão envolvente que você consegue ler o livro completo em poucas horas. 
  Sempre indico a leitura de Cony, mas devo dizer que este é um dos melhores.
 

 


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