Mostrando postagens com marcador Suma de Letras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Suma de Letras. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de julho de 2023

[Opinião] Saco de Ossos - Stephen King #518

Editora: Suma de Letras
 
N° de Páginas: 566
 
Quote:
 "Não era a primeira vez que eu me assombrava assim. Vejo coisas, só isso. Escreva histórias e cada sombra no chão parece uma pegada, cada linha na sujeira uma mensagem secreta. O que não facilita, é claro, a tarefa de decidir o que era realmente peculiar em Sara Laughs e o que era peculiar apenas porque minha mente era peculiar."

 
Opinião:
 Este é um livro que há anos estava na minha fila de leitura, em 2013 eu assisti ao filme, ou minissérie, enfim... e me deu uma desanimada por causa do final, que achei meio blé, então resolvi tirar ele da estante esse mês e finalmente desencantar essa leitura.
  Aqui vamos conhecer Michael Noonan, um autor consagrado que figura na lista dos mais vendidos... se a lista for até o número 15, pelo menos. No começo do livro Mike, como é conhecido, perde a sua esposa que tem um derrame cerebral enquanto presencia um acidente de trânsito, e depois dessa perda Mike descobre que ela estava grávida. A partir daí Mike não consegue mais escrever, mas como tinha vários "romances de gaveta" ele continua com suas publicações anuais, enquanto vive uma vida meio paradona e tem pesadelos frequentes. 
  Quatro anos depois de perder a esposa ele resolve voltar para a casa no lago que eles possuíam, e ele ainda possui, no caso... e é lá que vai se passar a maior parte da história.
  Uma coisa que admiro no King é a sua capacidade de se reinventar, na falta de palavra melhor, esse livro, durante boa parte, tem um clima bem diferente dos demais que li do autor, e eu já li muita coisa dele. Parte disso, sem dúvida, é por causa do protagonista, ele é um homem por volta de 40 anos que está de luto pela esposa, meio sem rumo na vida, sem saber o que fará depois que seus romances de gaveta terminarem, é alguém sem um objetivo na vida.
  Depois que Mike acaba indo para a casa do lago pra onde não ia desde muito antes de sua esposa falecer ele conhece Mattie e Kyra, que são mãe e filha meio que lutando sozinhas contra tudo e todos, Mattie é uma jovem viúva do filho de um ricaço desprezível da região que está querendo a guarda de Kyra... e é a partir daí que o principal problema da história será desenvolvido.
  Com certeza este não figura entre os meus favoritos do autor, mas está longe de ser um livro que não indico, ele é envolvente, tem bons personagens e a trama em si é interessante e nos mantém interessados por todas as quinhentas e tantas páginas.
  É um livro que vai tratar sobre custódia de crianças e toda a burocracia, corrupção e problemas morais envolvendo isso, além de tratar também sobre racismo, violência e vingança... tudo isso inserido em um suspense tranquilo, na maior parte, com toques bem dosados, mas que vão aumentando no decorrer do livro, com o sobrenatural, casas mal assombradas e ajudas do além... digamos assim.
  O ponto alto do King são os personagens, e aqui eles nos conquistam e nos fazem vibrar e torcer por toda a narrativa. É um livro com poucos problemas, uma certa fumaceira em determinado momento (que é o que liga esse livro a série da Torre Negra, pelo que vi) mas bastante conciso e que vai envolver o leitor até o final... talvez demore pra fisgar, mas ele consegue.
  Sobre a ligação com a Torre Negra, confesso que não percebi nenhuma ligação durante a leitura, apenas o fato de o protagonista encontrar Ralph Roberts, protagonista de Insônia, que tem muito a ver com a série, mas não me pareceu o suficiente pra justificar uma ligação com a série... aí depois da leitura fui pesquisar qual era a dita ligação, e tem um momento no qual o protagonista está em mais de um lugar ao mesmo tempo (a parte fumaceira que falei) e na série da Torre esse conceito é conhecido como Todash, além disso é dito que Sara Laughs, a casa do protagonista no lago, é um lugar onde as divisas dos mundos é mais fina, por isso ele entrou em Todash, por isso a casa é mal assombrada e determinada criatura (que pode ser o Tak, de Desespero, ou o Guardião do Portal, que aparece em Terras Devastadas) tem certa influência no lugar... mas não tenho certeza se isso me convenceu.





quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

[Opinião] Rose Madder - Stephen King #391

Compre pela Amazon 

Editora: Suma de Letras

N° de Paginas: 478

Quotes:
"A mente desperta conhece o conceito de sonho, mas para o sonhador não há despertar, não há mundo real nem qualquer sanidade; existe apenas o gritante tumulto do sono. Rose McClendon Daniels dormiu na loucura do marido por mais nove anos."

"Tenho! Tenho mesmo! Sei espanar, lavar pratos, fazer camas, passar o aspirador no chão, fazer refeições para dois, dormir com meu marido uma vez por semana. E sei levar um sopapo. É outra habilitação que eu tenho. Acha que alguma academia daqui está precisando de um saco de pancada para alguém treinar boxe?"

Opinião:
  Eu ouvi muita gente falando que este era um dos livros mais acelerados do autor, mas perdia um pouco o ritmo depois da metade... eu não concordo, foi meu trigésimo segundo livro do autor e posso dizer que passou longe de ser um dos mais acelerados e fluidos.
  Mas enfim, aqui conhecemos Rose, ou Rosie, ela é casada com o policial Norman Daniels e começamos o livro vendo que ela acaba de perder o bebê depois de apanhar d marido, coisa que acontece com certa frequência, e vemos também, já nessas primeiras páginas, quão maluco, frio e psicopata Norman é... mas mesmo que isso fique bem claro, não nos prepara para o que vamos vê-lo fazer no decorrer da história.
  Depois deste episódio vemos que Rose continuou aguentando a vida com o marido abusivo por mais nove anos, até que um dia ao acordar ela vê uma gota de sangue no lençol branco. Ela sabe que o sangue é dela, sabe que está aí por que, mas uma vez, apanhou do marido, sabe que terá que trocar o lençol, mas não só o lençol, terá que trocar toda a roupa de cama para que tudo fique combinando, caso contrário ele irá chamá-la dizendo que quer conversar com ela bem de perto, que é o que ele sempre fala antes de espancar a coitada... ela então resolve fugir dele.
  O livro transborda agonia enquanto vemos Rose, uma mulher que passou 14 anos trancada em casa apanhando conhecendo o mundo, fugindo e tentando se reerguer do poço de medo onde se encontra, mais do que sopapos, Norman conseguiu minar a personalidade e a alegria de Rose, então ela não sabe seu lugar neste, pra ela, novo mundo.
  Vi uma vez que este livro tinha alguma ligação com a série da Torre Negra, tem até um posto sobre isso aqui no blog, que não estou disposto a procurar agora pra linkar, mas se abrir a aba do autor acredito que encontra... quando fui ler o livro já nem lembrava disso, e lá pela metade do livro, quando a parte sobrenatural começa a ganhar força na história foi que me lembrei disso. Mas não é que tenha relação, exatamente... existe um outro mundo, que não é o Mundo Médio, mas, obviamente, é um andar da Torre. Mas acredito que se fala da relação com a série mais porque uma personagem vai falar para Rose sobre o conceito de Ka, além de citar a Rosa e a Cidade de Lud.
"Você é realmente Rosie, você é Rosie Real. Não se esqueça disso quando esquecer todo o resto. E não se esqueça de outra coisa: eu retribuo. O que fizer por mim eu vou fazer por você. E é por isso que fomos reunidas. É esse o nosso equilíbrio. O nosso ka."
"Vi corpos incendiando a centenas de cabeças enfiadas em lanças pelas ruas da Cidade de Lud."

  Não encontrei a passagem que fala da Rosa, mas é algo como " a pintura de uma bela rosa que cresce em meio a escombros em um terreno abandonado" ou seja, são apenas menções, não exatamente ligações.
  O livro dá a impressão de que são duas histórias diferentes, tão discrepante é a parte fantástica da parte mais realista, e isso me desconectou bastante e prejudicou um pouco a minha experiência de leitura. Gostei muito mais da parte realista, foi onde fiquei mais apreensivo e me importei mais com a Rosie, além de ter odiado mais o Norman, que acho que é o vilão mais asqueroso e odiável que já li nas obras do King. A parte da Rosie se reerguendo e redescobrindo a felicidade, mesmo que fugidia e sempre com a sombra do seu passado foi a minha parte favorita e eu realmente torci por ela.
  Uma última reclamação: as partes onde acompanhamos o Norman são impressas em itálico... odiei isso.









sábado, 31 de dezembro de 2022

[Opinião] Trocas Macabras - Stephen King #386

Compre pela Amazon 

Editora: Suma de Letras

N° de Páginas: 656

Quote:
"Você já esteve aqui. Claro que esteve. Com certeza. Eu nunca me esqueço de um rosto. Venha aqui, aperte a minha mão! Tenho que lhe dizer uma coisa: eu te reconheci pelo jeito de andar antes mesmo de ver seu rosto direito. Você não poderia ter escolhido um dia melhor para voltar a Castle Rock. Não é uma cidade maravilhosa? A temporada de caça vai começar em breve, a floresta vai ficar cheia de cretinos atirando em tudo que se mexe e não usa laranja berrante, depois vêm a neve e a geada, mas tudo isso é depois. Agora estamos em outubro, e em Rock nós deixamos outubro ficar pelo tempo que quiser."

Opinião:



sábado, 10 de dezembro de 2022

[Opinião] A Torre Negra - Stephen King #365

 Compre pela Amazon

Esta postagem contém spoilers

Editora: Suma de Letras

N° de Páginas: 1141

Quote:
"O tempo voa, os sinos tocam finados, a vida passa, ouça então a minha prece. O nascimento é apenas o começo da morte, ouça então a minha prece. A morte é muda, ouça então a minha fala. Possa o olhar de perdão de S'mana sarar seu coração. O favor seja feito. Possam os braços de Gan se erguerem da escuridão desta terra. O favor seja feito. Para cercá-lo, Gan, com luz. Para preenchê-lo, Chloe, com energia. Se estiver sedento, deem-lhe água na clareira. Se estiver faminto, deem-lhe comida na clareira. Possa sua vida nesta terra e a dor de sua partida serem como um sonho para sua alma que revive, e que seus olhos caiam sobre toda a visão amável; que encontre os amigos que tinha perdido e que todos, cujos nomes sejam ditos por ele, respondam ao seu chamado. Este é Jake, que viveu bem, amou os seus e morreu como queria o ka. Todo homem deve uma morte. Este é Jake. Deem-lhe a paz."

Opinião:



quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

[Opinião] O Labirinto dos Espíritos - Carlos Ruiz Zafón #363

Compre pela Amazon e ajude a manter o blog 

Editora: Suma de Letras

N° de Páginas: 680

Quote:
"Este lugar é um mistério, um santuário. Cada livro, cada volume que você está vendo tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma de quem o leu e viveu e sonhou com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito cresce e fica mais forte. Há muitos anos, quando seu avô me trouxe pela primeira vez aqui, este lugar já era velho. Talvez tão velho quanto a própria cidade. Ninguém sabe com certeza desde quando existe, ou quem o criou. Vou lhe contar o que o seu avô me disse. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as portas, quando um livro se perde no esquecimento, nós que conhecemos este lugar, os guardiões, fazemos com que chegue aqui. Neste espaço, os livros que ninguém mais se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando que algum dia possam chegar às mãos de um novo leitor, de um novo espírito. Cada livro que você vê aqui foi o melhor amigo de alguém. Agora eles só têm a nós."

Sinopse:
  Madrid, anos 1950. Alicia Gris é uma alma nascida das sombras da guerra,que lhe tirou os pais e lhe deu em troca uma vida de dor crônica. Investigadora talentosa, é a ela que a polícia recorre quando o ilustre ministro Mauricio Valls desaparece; um mistério que os meios oficiais falharam em solucionar. Em Barcelona, Daniel Sempere não consegue escapar dos enigmas envolvendo a morte de sua mãe, Isabella. O desejo de vingança se torna uma sombra que o espreita dia e noite, enquanto mergulha em investigações inúteis sobre seu maior suspeito — o agora desaparecido ministro Valls. Os fios dessa trama aos poucos unem os destinos de Daniel e Alicia, conduzindo-os de volta ao passado, às celas frias da prisão de Montjuic, onde um escritor atormentado escreveu sobre sua vida e seus fantasmas; aos últimos dias de vida de Isabella, com seus arrependimentos e confissões; e as intrigas ainda mais perigosas, envolvendo figuras capazes de tudo para manter antigos esqueletos enterrados.

Opinião:
  Finalizando com chave de ouro esta que é, provavelmente,  melhor série literária já escrita na história da literatura.




quarta-feira, 4 de agosto de 2021

[Opinião] Belas Adormecidas - Stephen King #351

Compre pela Amazon e ajude a manter o blog
Editora: Suma de Letras

N° de Páginas: 728

Sinopse:
  Pelo mundo todo, algo de estranho começa a acontecer quando as mulheres adormecem: elas são imediatamente envoltas em casulos. Se despertadas, se o casulo é rasgado e os corpos expostos, as mulheres se tornam bestiais, reagindo com fúria cega antes de voltar a dormir. Em poucos dias, quase cem por cento da população mundial feminina pegou no sono. Sozinhos e desesperados, os homens se dividem entre os que fariam de tudo para proteger as mulheres adormecidas e aqueles que querem aproveitar a crise para instaurar o caos. Grupos de homens formam as “Brigadas do Maçarico”, incendeiam em massa casulos, e em diversas partes do mundo guerras parecem prestes a eclodir. Mas na pequena cidade de Dooling as autoridades locais precisam lidar com o único caso de imunidade à doença do sono: Evie Black, uma mulher misteriosa com poderes inexplicáveis.
  Escrito por Stephen King e Owen King, Belas Adormecidas é um livro provocativo, dramático e corajoso, que aborda temas cada vez mais urgentes e relevantes.

Opinião:
  Às vezes a decepção vem a galope, né?
  Gosto muito do King, isso não é segredo, é o autor que mais li até hoje. Mas não é sempre que ele acerta... ou que escolhe o filho certo pra escrever um livro com ele.
  Aqui somos apresentados a uma... er... coisa estranha, que é chamada de Epidemia Aurora, fazendo relação ao nome da princesa de A Bela Adormecida. Não se sabe exatamente como é transmitida ou mesmo SE é transmitida ou se é uma doença...
  O que acontece é que em determinado momento toda mulher ou menina que adormece acaba criando uma espécie de casulo e, basicamente, não acorda mais. Na verdade até acordam, vários relatos de casulos rasgados ou cortados são conhecidos, mas quando isso acontece a mulher fica extremamente selvagem, capaz de desmembrar seja lá quem foi o responsável pelo seu despertar e depois, simplesmente, volta a dormir.
  Com o passar do tempo várias teorias surgem, uma mais absurda que a outra e várias mulheres-casulos são incineradas. Um presidio feminino, um dos principais cenários da história, libera um café super forte além de uns preparados com drogas para manter as detentos acordadas enquanto a diretora tambem luta para não cair no sono... e várias delas conseguem, inclusive. O livro é vendido como um apocalipse onde não restam mais mulheres no mundo o que, obviamente, levará a extinção humana em poucas décadas... mas não é isso que acontece, toda a história se passa em poucos dias e há mulheres que nem mesmo chegam a dormir.
  Além disso, ou melhor, justamente por causa desse caos todo, temos uma mulher estranha, extremamente forte, que não precisa dormir e é  encontrada nua depois de matar brutalmente dois homens, ela vai ser conhecida com Evie Black, e vai ser levada para a dita penitenciária onde vão tentar descobrir a ligação dela com o rolê todo.
  Como qualquer um pode supor esse é um livro escrito com a principal intenção de mostrar os homens, quase em sua totalidade, como uma penca de bananas podres, que só servem pra piorar a situação ou fazerem parte do cenário, contribuindo muito pouco para a resolução do problema.
  É um livro acelerado, com um visível senso de urgência mas que se perde na agendinha vitimista de inversão de valores que comanda a grande mídia, e as redes sociais atualmente. Ele poderia ser um livro mostrando homens e mulheres trabalhando juntos para um problema que envolve toda a humanidade (porque mesmo afetando apenas as mulheres, é um problema que vai acabar com toda a humanidade se não for resolvido, as feministas parecem não saber, mas homens não podem engravidar), inclusive, a tal Evie Black é a personificação da femimiminista, com a única diferença que ela não faz questão de parecer um animal selvagem, pelo menos não na aparência, falando coisas do tipo "os homens sempre nos mataram, agora eles tem um motivo" Até a questão do fim da humanidade onde ela solta a brilhante teoria de que se os homens é que fossem os acometidos pelo sono que prende em um casulo o mundo não acabaria pois as mulheres poderiam usar o sêmen do Banco de esperma para dar prosseguimento a humanidade. Um pensamento muito coerente para personificar um movimento que vê a maternidade como doença e luta pelo direito de matar os próprios filhos.
  Em suma, o livro é exatamente o que eu previa, fui ler ciente desse viés ideológico e mesmo assim me irritei. Se você é adepto (a) ao movimento feminista, primeiro ACORDE, depois se quiser continuar na sua ridícula ilusão sendo massa de manobra para movimentos políticos, aproveite a leitura.




sábado, 8 de maio de 2021

[Opinião] Depois - Stephen King #339

Compre pela Amazon

Editora: Suma de Letras

N° de Páginas: 192

Quote:
"Pensei em perguntar se ela sentia medo de olhar para a noite e ver as estrelas e saber que elas continuam para toda a eternidade, mas nem me dei a esse trabalho. Só falei que não. A gente se acostuma com as coisas extraordinárias. Aceita como normais. Podemos até tentar não nos acostumar, mas é o que acontece. Tem coisa extraordinária demais no mundo, so isso. Em toda a parte."

Sinopse:
  James Conklin não é uma criança comum: ele vê gente morta. Com que frequência? Jamie não sabe bem; afinal, os mortos em geral se parecem muito com os vivos. Exceto pelo fato de que eles ficam para sempre nas roupas em que morreram, e são incapazes de mentir.
Sua mãe implora para que ele mantenha essa habilidade em segredo, o que não é problema na maior parte do tempo. Pelo menos até Liz Dutton, a companheira de sua mãe e detetive do Departamento de Polícia de Nova York, aparecer na saída da escola e anunciar que precisa de ajuda.
  É assim que Jamie embarca em uma corrida para desvendar o último segredo de um falecido terrorista, e começa a jornada mais assustadora de sua vida.

Opinião:
  Existe uma editora, cujo nome não me recordo, que era especialista em publicar livros de suspense e mistério que fossem curtos o suficiente para que o leitor pudesse concluí-los em apenas uma sentada. Por ser Stephen King, bem por ele ser o Stephen King, eles um Di pediram para que ele escrevesse um blurb para chamar a atenção dos leitores para uma determinada obra. Stephen disse que não faria isso, preferia escrever um romance completo para que eles publicassem... e foi assim que nasceu O Homem do Colorado.
  Mas King não parou por aí, O Homem do Colorado fez certo sucesso, principalmente por ter o nome do autor na capa, mas muita gente o acha um livro um tanto decepcionante, eu entendo, mas não concordo... um tempo depois, ele lançou um novo livro para essa editora... agora sim estou falando dele, de Joyland, odiado por uns e amado por muitos (estou no segundo grupo) é um dos livros mais melancólicos que o autor ja escreveu.
  Um tempo depois King lança... Depois, confesso que é um título estranho, mas ele faz todo sentido.
  Acho que posso dizer que aqui o autor reimagina a história de O Sexto Sentido, pois temos uma criança que consegue falar com os mortos. Apesar do livro ser bastante curto o autor não deixa pontas soltas sobre esse dom do garoto, conforme a história vai andando o autor vai acrescentando as explicações devidas em momentos pertinentes. O fato de os mortos não poderem, não serem capazes mesmo, de mentir é o principal pivô que fará essa história andar, afinal, que melhor testemunha para um assassinato, por exemplo, do que a vítima?
  Enfim, a história abordará diversos temas, desde drogas até relacionamentos entre mãe e filho e outros relacionamentos que não vem ao caso mencionar aqui.
  O autor conduz a história com maestria, criando e aprofundando seus personagens de forma convincente e envolvente, mesmo sem ter a quantidade de páginas com as quais está acostumado. Um destaque, óbvio, para o James, nosso protagonista e narrador. O King é um grande autor de personagens, e se esses personagens forem crianças ele consegue desenvolvê-los como poucos são capazes, e James não foge à regra.
  É um livro bastante envolvente, comparando com os outros dois que citei anteriormente, ele é, sem dúvida, o mais comercial, é uma leitura mais acelerada com um enredo mais sucinto, O Homem do Colorado é uma história bem mais tranquila e Joyland tem um teor mais pesado e melancólico, como já disse, além de alternar bastante na questão de núcleo de personagens e até de objetivo da história.
  Apesar disso ainda prefiro Joyland...
  Mas Depois é uma história que vale cada página lida, fica aqui minha forte recomendação, e depois você volta pra me agradecer, ok?




terça-feira, 16 de março de 2021

[Opinião] A Maldição - Stephen King #332

Compre pela Amazon e ajude a manter o blog
Editora: Suma de Letras

N° de Páginas: 289

Quote:
"A pior coisa nos problemas é que sempre parecem surgir em duplas, trios e bandos inteiros."

Sinopse:
  Bill Halleck tinha uma vida boa e tranquila, até o dia em que atropelou uma velha cigana. Inocentado no tribunal por ter boas relações com o júri, logo descobrirá que, apesar de ter escapado da justiça americana, existem outras formas de pagar por um erro. Em pouco tempo, o obeso Halleck começa a emagrecer — seus quilos sugados vertiginosamente a cada dia que passa. Para surpresa dos médicos que o examinam, não há nada de errado fisicamente. Mas Halleck terá de encontrar uma solução – e rápido – senão, em pouco tempo, não será mais do que um feixe de ossos.

Opinião:
  Dessa leva de livros que o King escreveu como Ricard Bachman este é o primeiro que posso realmente dizer que gostei.
  Eu já sabia sobre o que era a história: Um cara gordo atropela uma cigana e um outro cigano diz pra ele: "mais magro" e ele começa a emagrecer.
  O que me pegou de surpresa é que o autor é acostumado a apresentar os personagens, criar a atmosfera e quase cansar o leitor com um monte de nada para então começar a história, mas neste o livro já começa com o "Mais magro" dito pelo cigano, e no decorrer do livro vamos tendo mais detalhes sobre o que aconteceu.
  O principal apelo do livro, a meu ver, é a ânsia das pessoas justificarem seus erros e transferirem a culpa. O dito acidente acontece porque nosso protagonista estava... er... com certas intimidades com sua esposa... o inverso, na verdade. O que não justifica, claro, mas é a desculpa que o protagonista usa para não ter parado e atropelado a velha cigana.
  Ele é um livro que tem uma sensação de urgência, já que o protagonista perde mais e mais peso a cada capítulo que passa, e ficamos ansiosos pra ver até que ponto isso vai chegar. 
  Por ter sido escrito como Richard Bachman eu esperava um final desolador, e não deixa de ser o caso, mas é bem diferente do que eu esperava. O final mostra que a transferência e culpa não é a solução, e como o mal que tentamos fazer ao outro acaba, mesmo que indiretamente, afetando a nós mesmos.
  Ah, uma coisa bacana é que o King cita a si mesmo no livro, como ele escreveu com um pseudônimo até faz sentido, mas é interessante, de qualquer forma "por um momento você me soou um pouco como romance de Stephen King, mas a coisa não é bem assim."
  É um livro frenético, que não é perfeito, mas sem dúvida muito envolvente e interessante.




sábado, 5 de dezembro de 2020

[Opinião] Operação Perfeito - Rachel Joyce #320

Compre pela Amazon e ajude a manter o blog
Editora: Suma de Letras

N° de Páginas: 304

Quote:
“Além disso, as coisas grandes na vida não se apresentam como tais. Acontecem em momentos normais, comuns — uma ligação, uma carta —, acontecem quando não estamos olhando, sem pistas, sem aviso, e é por isso que nos impressionam. E pode levar uma vida inteira, uma vida com muitos anos, para aceitarmos a incoerência das coisas; que um momento pequeno pode estar lado a lado com um grande, e pode se tornar parte do mesmo.”

Sinopse:
  Em uma manhã nebulosa de 1972, a vida de Byron Hemming, de 12 anos, muda de repente. Tudo acontece em menos de dois segundos, quando ele e a mãe se envolvem em um acidente de carro. Embora o garoto tenha certeza de que o acidente aconteceu, sua mãe age como se nada tivesse acontecido.
  Nos dias e nas semanas seguintes, Byron embarca em uma jornada para descobrir o que realmente houve naquela manhã que mudou sua vida. Junto com o amigo James, ele cria a Operação Perfeito, um conjunto de planos para tentar resolver a situação.
  Operação Perfeito, o novo romance da autora best-seller de A improvável jornada de Harold Fry, que vendeu mais de um milhão de exemplares, é uma história comovente sobre um segredo, um erro terrível e a natureza destrutiva da perfeição.

Opinião:
  Depois de me encantar pela escrita, narrativa, imaginação e criação da autora em A Improvável Jornada de Harold Fry, resolvi que precisava ler mais alguma coisa dela, e em minhas buscar encontrei esse livro, fui ler todo empolgado, esperando se não algo tão incrível quanto o outro livro pelo menos próximo.

  Aqui acompanhamos o garoto Byron e sua mãe Diana, o pai é um bancário que trabalha fora e raramente está em casa, mas quando está até sua presença é opressora. Diana é uma mulher vibrante e cativante, de longe a melhor personagem do livro, mas que se apaga diante do marido abusivo que a diminui por não ser uma mulher com formação escolar e ter até dificuldade na leitura. Byron é o típico garoto de 12 anos, ou seja, curioso e chato, ele me lembrou um pouco o protagonista do livro Tormento, mas não tão insuportável, inclusive, esse livro me lembrou bastante aquele.
  Quando acompanhamos Diana e sua vida (porque ela é muito mais protagonista dessa bagaça do que o Byron) estamos em 1972, quando é anunciado que serão acrescentados 2 segundos ao tempo para corrigir alguma coisa, é o chamado segundo intercalar, joga no Google pra saber mais... Byron fica decidido a prestar atenção para descobrir quando esses dois segundos serão acrescentados, e fica encarando relógios sempre que pode.
  Um belo dia sua mãe o está levando para a escola em seu carrão, presente do marido assustador só para que os outros vejam como são ricos, e ele pensa ver o relógio da mãe andando para trás, e faz um escarcéu porque os dois segundos chegaram, no fuzuê causado pelo garoto a mãe acaba atropelando uma menina de bicicleta, Byron vê, mas Diana não, ou pelo menos é o que ela deixa transparecer.
  Intercalado a isso acompanhamos a história de Jim, um cara de meia-idade que passou boa parte de sua vida em sanatórios e hoje vive em um trailer ali pelas redondezas de onde, anos atrás, Diana atropelou a ciclista e tem um trabalho meio qualquer coisa ali.
  A história de Jim não me pegou em momento algum, achei chata do início ao fim e a "grande revelação" é previsível e ali pelo segundo capítulo eu já tinha adivinhado.
  A história de Byron e Diana é mais interessante, mas só me interessava por causa da Diana, que, como já disse, é de longe a melhor personagem do livro, não quero diminuí-la dizendo que é a única personagem boa do livro... mas é.
  A dita operação perfeito criada por Byron é ilógica e chata, assim como ele mesmo, toda a problemática do acidente só é envolvente até que Diana descobre (ou admite, ainda não tenho certeza) de que realmente houve o acidente, e o que acontece em decorrência a isso só nos faz ficar com vontade de resgatar essa mulher e mandá-la para um livro que mereça uma personagem tão bacana.
  O livro é arrastado, tem seus momentos no início mas antes de chegar na metade ele rola penhasco abaixo, não é nem uma ladeira... os personagens são chatos, mesmo que tenham algum aprofundamento não conseguem nos cativar, sofremos pela situação de Diana mas ao mesmo tempo ela toma atitudes idiotas que só pioram sua situação, o livro vai degringolando até chegar ao final que, a meu ver, é completamente despropositado para dar uma justificativa, que não justifica, a ligação entre as linhas temporais.
  A autora tem mais 4 livros publicados que, admito, até tenho coragem de encarar... mas sem pressa.





terça-feira, 13 de outubro de 2020

[Opinião] A Improvável Jornada de Harold Fry - Rachel Joyce #311

Compre pela Amazon e ajude a manter o blog
Editora: Suma de Letras

N° de Páginas: 248

Quote:

"Ela se lembrava. Após todos esses anos. E mesmo assim ele tinha vivido aquela vida ordinária, como se o que ela tivesse feito não significasse nada. Ele não tentou impedi-la. Não foi atrás dela. Nem sequer disse adeus”


Sinopse:
  Vencedor do britânico National Book Award na categoria de melhor livro de estreia e finalista do prestigiado Man Booker Prize, A improvável jornada de Harold Fry, de Rachel Joyce, tem como temas centrais os sentimentos de amor, amizade e arrependimento. A autora conta a história do aposentado Harold Fry que numa manhã de sol sai de casa para colocar uma carta no correio, sem imaginar que estava começando uma jornada não planejada até o outro lado da Inglaterra.
  Ao receber uma carta de Queenie Hennessy, uma velha conhecida com quem não tem contato há décadas, ele descobre que ela está em uma casa de saúde, sucumbindo ao câncer. Então, Harold Fry escreve uma resposta rápida e, deixando sua mulher com seus afazeres, vai até a caixa postal mais próxima. Ali, tem um encontro casual que o convence de que ele deve entregar sua mensagem para Queenie pessoalmente. E assim começa a peregrinação improvável de Harold Fry.
  Determinado a andar 600 milhas de Kingsbridge à Berwick-upon-Tweed, porque, acredita, enquanto caminhar, Queenie Hennessy estará viva, ao longo do caminho, ele encontra personagens fascinantes, que o trazem de volta memórias adormecidas: sua primeira dança com Maureen, o dia do seu casamento, a alegria da paternidade. Todos os resquícios do passado vêm correndo de volta para ele, permitindo-lhe conciliar as perdas e os arrependimentos.

Opinião:
  Provavelmente uma das melhores coisas na vida e um leitor é você pegar um livro aleatório sobre o qual você nada sabe e esse livro ser uma das melhores coisas que você já leu.
  Aqui conhecemos Harold e Maureen, um casal idoso que já perdeu o amor um pelo outro, tiveram apenas um filho que é, inclusive, o motivo do distanciamento do casal. Certo dia Harold recebe uma carta de uma antiga amiga onde ela diz estar vivendo em uma casa de repouso do outro lado do país... e está morrendo. A carta é meio que uma despedida e Harold fica transtornado com a notícia, resolve então responder essa carta com um bilhete curto dizendo que lamenta pela situação dela, mas ao sair para colocar seu bilhete na caixa de correio da esquina ele resolve andar um pouco mais para continuar refletindo sobre a sua vida e resolve que vai continuar andando e colocar na próxima caixa de coleta que encontrar, ele começa a se lembrar da amiga e de como ela o ajudou no passado, algo que ele havia esquecido com o passar dos anos. Ao chegar na outra caixa de coleta resolve ir até a agência de correio.
  Logo ele para em um posto para fazer um lanche e em conversa com a atendente da lanchonete ele toma uma decisão súbita, pega o telefone, liga para a casa de repouso onde Kennie está e diz para a enfermeira avisá-la de que ele vai andar até lá e que é para ela esperá-lo viva. Harold Fry começa então a sua improvável jornada.
  É uma história extremamente tocante, daquelas que não me sinto "digno" de escrever sobre, justamente porque não consigo expressar em palavras a profusão de sentimentos que ela me proporcionou.
  Harold é idoso, sem preparo físico, com calçados completamente inadequados para uma caminhada de 2 km, que dirá de quase mil... Em uma conversa com a esposa eles acabam discutindo, já que no começo o relacionamento deles está bem abalado, a respeito do filho deles, sabemos, desde sempre, a animosidade que existe entre o casal e também que essa animosidade vem de eventos ocorridos com esse filho e os motivos de ele não fazer mais parte da vida de ambos, até Maureen vai perdendo o costume de conversar com o mesmo.
  Conforme Harold vai caminhando, as pessoas começam a comentar sobre seu ato, para alguns ele é louco, para outros o que ele está fazendo representa um lindo ato de amor e fé, para ele se torna uma missão e uma redenção, uma forma de agradecer a Kennie e de "fazer as pazes" com o filho.
  Muitas pessoas se juntam à caminhada de Harold, mas em vários momentos percebemos que elas mais atrapalham do que ajudam. Essas pessoas trazem um sentido muito importante para a história. Eu vi toda a confusão como... vamos por partes, o livro em si é uma história de auto perdão, uma jornada de auto descobrimento e redenção, essas pessoas admiram o que o protagonista está fazendo e querem participar, é como quando você quer concertar seus erros e mudar de vida, algumas pessoas te chama de louco e outras querem fazer o mesmo, mas querem seguir o mesmo processo que você, mas não se encaixam nele, fazendo mais mal do que bem, tanto para quem acompanham quanto para si mesmos.
  A escrita da autora é de uma delicadeza admirável, nos envolvemos tanto com o casal de protagonistas que, mesmo que se separem, fisicamente, no início da narrativa ficamos felizes a cada momento que vemos que uma aproximação mais íntima está acontecendo, mesmo com um de cada lado do país.
  É, sem dúvida, um dos livros mais bonitos que já tive o prazer de ler, cheio de camadas e ensinamentos, e o mais bacana é que sei que ele vai conversar de forma diferente com cada um.




domingo, 30 de agosto de 2020

[Opinião] Lobos de Calla - Stephen King #299

Compre pela Amazon e ajude a manter o blog
Editora: Suma de Letras (Ponto de Leitura)

N° de Páginas: 922

Quote:
"Sentia-se extraordinariamente bem nessa manhã. Seus temores da noite anterior haviam-se dissipado, como fazem nossos pesadelos mais extravagantes muitas vezes; como os vampiros do padre, esses medos pareciam especialmente alérgicos à luz do dia."

Sinopse:
  Lobos de Calla é o quinto volume da série A Torre Negra, que começou a ser escrita quando o autor tinha pouco mais de 20 anos. O tom é épico, e o enredo mistura cristianismo, misticismo e ficção-científica. O herói Roland continua sua saga em direção À Torre Negra, centro de todo tempo e todo espaço. Neste volume da série, ele e seu grupo de pistoleiros vão parar na cidade de Calla, que está prestes a ser atacada pelos Lobos - cavaleiros mascarados que surgem uma vez a cada geração para roubar metade das crianças do local e devolvê-las semanas depois, física e mentalmente incapacitadas. Enquanto isso, na Nova York (EUA) de 1977, a Corporação Sombra planeja atacar o terreno baldio onde floresce a Rosa, manifestação da Torre Negra no mundo atual.

Opinião:
  Então, cá estamos, de volta ao Caminho do Feixe de Luz, depois de muitos anos afastado. Bendito seja o prefácio com recapitulação!!
  No começo desse livro conhecemos a cidade de Calla (Se pronuncia Calha, em uma parte do livro é falado que tem uma conotação espanhola, então...), essa Calla é apenas uma das muitas cidades com esse nome nesse mundo, que não é exatamente o Mundo Médio, mas também não é o nosso mundo. Como vimos nos livros anteriores da série, a torre está desabando, o que faz com que a realidade esteja ruindo junto, fazendo com que se passe de um mundo para o outro sem se dar conta disso, outra coisa que possibilita essas viagens dimensionais, que os personagens precisarão fazer, e que explica a presença do Padre Callaham em Calla é mais uma parte do arco-íris do mago, em Mago e Vidro vimos o Rosa, aqui vemos o Preto (que arco-íris é esse que tem rosa e preto? Esse aqui).
  Fato é que nessa cidade a incidência de nascimentos gemiais (essa palavra existe?) é bastante comum, mas uma vez a cada geração os chamados Lobos vêm da Terra do Trovão e leva um de cada par de gêmeos, devolvendo-os pouco depois, com graves debilidades mentais, e essas crianças devolvidas acabam tendo certo retardo mental, além de crescerem desordenadamente e terem uma vida curta, eles são chamados de roots, e vivem como se fossem animais.
  Chega então, à pequena cidade de Calla Bryn Sturgis nosso amigo Roland e seu Ka-tet, algum tempo antes de os Lobos chegarem, mas como eles sabem que os Lobos estão vindo? Isso você vai precisar ler o livro para entender...
  Como vocês podem conferir pelo número de páginas, é um livro longo, não tanto quanto Mago e Vidro, mas longo. E aqui, por boa parte do livro, parece que toda aquela urgência para chegar à Torre não existe mais, o estado de saúde de Roland pode muito bem servir como justificativa para essa parada, assim como o... problema, de Susannah.
  Stephen King considera esse livro como uma continuação, não apenas da série, mas também do livro 'Salém, e ele funciona perfeitamente como ambos, inclusive aqui temos vários spoilers de 'Salém, esteja avisado.
  Assim como toda a série, é um livro lotado de referências, e com certeza passei por algumas que não percebi, ainda. Conhecemos um pouco mais sobre o grande vilão da série, o Rei Rubro e fãs de Harry Potter podem amar ou odiar a ligação entre as séries, como eu nunca li Harry Potter, só percebi a referência e segui minha leitura como se não estivesse vendo nada demais...
  É um livro que parece nada ter em comum com a busca da Torre até uns 60, 70%, apesar de toda a luta pela Rosa (as rosas são mais importantes do que você pode imaginar, especialmente essa rosa), mas no final percebemos o porquê do ditado "tudo serve ao Feixe de Luz".
  É uma aventura deliciosa, tem seus momentos cansativos? Com certeza, mas cada livro terminado deixa um gostinho de quero mais e não vejo a hora de pegar o próximo, mesmo tendo visto comentários de que ele é meio boring... mas pelos acontecimentos desse e pelo título daquele já imagino do que se trata.


domingo, 6 de outubro de 2019

[Opinião] O Instituto - Stephen King #253

Compre pela Amazon e ajude a manter o blog
Editora: Suma deLetras

N° de páginas: 544

Quote:

"Aquele abraço era tudo, ao menos para Tim. Ele queria dizer para Luke que ele era corajoso, talvez o garoto mais corajoso que existe fora de um livro de aventura para crianças. Queria dizer para Luke que ele era forte e bom e que seus pais teriam orgulho dele. Queria dizer para Luke que o amava. Mas não havia palavras e talvez não houvesse necessidade delas. Nem de telepatia. Às vezes, um abraço era telepatia."

Sinopse:
  No meio da noite, em uma casa no subúrbio de Minneapolis, um grupo de invasores assassina os pais de Luke e sequestra silenciosamente o menino de doze anos. A operação leva menos de dois minutos. Quando Luke acorda, ele está no Instituto, em um quarto que parece muito o dele, exceto pelo fato de que não tem janela. E do lado de fora tem outras portas, e atrás delas, outras crianças com talentos especiais, que chegaram àquele lugar do mesmo jeito que Luke. O grupo formado por ele, Kalisha, Nick, George, Iris e o caçula, Avery Dixon, de apenas dez anos, está na Parte da Frente. Outros jovens, Luke descobre, foram levados para a Parte de Trás e nunca mais vistos.
   Nessa instituição sinistra, a equipe se dedica impiedosamente a extrair dessas crianças toda a força de seus poderes paranormais. Não existem escrúpulos. Conforme cada nova vítima vai desaparecendo para a Parte de Trás, Luke fica mais e mais desesperado para escapar e procurar ajuda. Mas até hoje ninguém nunca conseguiu fugir do Instituto.
Tão aterrorizante quanto A incendiária e tão espetacular quando It: a Coisa, este novo livro de Stephen King mostra um mundo onde o bem nem sempre vence o mal.


Opinião:
  Antes de mais nada quero dizer que, excepcionalmente nessa postagem a foto do livro e a do autor não são links para as respectivas páginas do mesmo no Skoob, apenas porque o Skoob está bugado no dia que escrevo isso.
  Essa é a primeira postagem "especial" de dia das crianças, esse não é um livro infantil, longe disso, mas é um livro com um belo núcleo de protagonistas formado por crianças.
  Começamos conhecendo Luke, um menino brilhante, ele tem memória eidética o que faz com que ele lembre de tudo, algo muito útil nos estudos, como ele adora ler ele tem muito conhecimento guardado naquela cabecinha valiosa dele, tanto que aos 12 anos já é aceito em duas faculdades diferentes. Depois de conhecermos um pouco Luke, sua família e sua vida vemos a casa do garoto ser invadida enquanto ele dormia, os invasores sedam o garoto para que ele não acorde, matam os pais e plantam sutis evidências que apontam o garoto como responsável pelos crimes, e depois o levam embora.
  Luke acorda em uma cama igual a sua, em um quarto igual ao seu, mas ele percebe que o pôster não tem um pequeno rasgo que o dele tinha, entre outros pequenos detalhes (memória eidética, lembra?) Ah, sim, o fato do novo quarto não ter janelas contribui bastante para que Luke perceba que não está mais em casa.
  Como a sinopse já revela o motivo do garoto ter sido levado vou parar de alar do enredo e falar sobre o que eu achei do livro: Eu gostei, bastante... mesmo que em alguns momentos eu tenha começado a acha-lo cansativo o autor conseguiu me manter interessado por todas as suas quinhentas e tantas páginas.
  Os personagens são todos muito bem desenvolvidos, já é de conhecimento de todo "leitor fiel" como o autor gosta de nos chamar, que ele é um ótimo criador de personagens, a forma como é tratada a questão dos poderes das crianças é convincente, na medida do possível, óbvio e a crueldade e indiferença ao sofrimento das crianças demonstrado pelos adultos é angustiante.
  Acho que não passei três capítulos sem lembrar da imagem do Capitão América dizendo "eu entendi a referência", o livro não faz apenas ligação a outras obras do autor, como 'Salém, mas a adaptações, como o controverso filme de O Iluminado.
"No corredor principal, que Luke entendia agora como a ala dos residentes, as gêmeas Gerda e Greta estavam paradas, com olhos arregalados e assustados. Estavam de mãos dadas, segurando bonecas idênticas, como elas. Fizeram Luke pensar nas gêmeas de um filme antigo de terror."
  E também a outras obras:
  "Não estamos mais no Kansas nem na Ilha dos Prazeres, pensou Luke. É o País das Maravilhas. Alguém entrou no meu quarto no meio da noite e me jogou no buraco do coelho."
  Além de citar muitos livros, renderia até um projeto.
  O motivo da existência do Instituto é mencionado em diversos momentos mas só é explicado com todos os detalhes próximo ao final da história, e é um discurso do tipo "os fins justificam os meios" onde eles basicamente sacrificam a geração que deveriam impulsionar para evitar possíveis desastres que eles consideram inevitáveis, e a explicação do porquê dessa crença é sim razoável, mas né... os meios são totalmente inadmissíveis.


terça-feira, 6 de agosto de 2019

[Opinião] A Pequena Caixa de Gwendy - Stephen King e Richard Shizmar #239

Compre pela Amazon e ajude a manter o blog
Editora: Suma de Letras

N° de Páginas: 168

Quote:
"Segredos são um problema, talvez o maior de todos. Pesam na mente e ocupam espaço no mundo."

Sinopse:
  A pequena cidade de Castle Rock testemunhou alguns eventos estranhos ao longo dos anos, mas existe uma história que nunca foi contada... até agora.
  Viaje de volta a Castle Rock nessa história eletrizante de Stephen King, o mestre do terror, e Richard Chizmar, autor prmiado de A Long December. O universo misterioso e assustador dessa pacata cidadezinha do Maine já foi cenário de outros clássicos de King, como Cujo e A Zona Morta, e deu origem a série de TV da Hulu.
  Há três caminhos para subir até Castle View a partir da cidade de Castle Rock: pela rodvia 117, pela Estrada Pleasant e pela Escada Suícida. Em todos os dias do verão de 1974, Gwendy Peterson, de doze anos, vai pela escada, que fica presa por parafusos de ferro fortes (ainda que enferrujados pelo tempo) e sobe em ziguezague pela encosta do penhasco.
  Certo dia, um estranho a chama do alto: "Ei, garota. Vem aqui um pouco. A gente precisa conversar, você e eu.". Em um banco na sombra, perto do caminho de cascalho que leva da escada até o Parque Recreativo de Castle View, há um homem de calça jeans preta, casaco preto e uma camisa branca desabotoada no alto. Na cabeça tem um chapeuzinho preto arrumado.
  Vai chegar um dia em que Gwendy terá pesadelos com isso.

Opinião:
  Devo dizer que este foi, com larga vantagem, o livro mais fluido que li do autor, Stephen King costuma ser um autor que me faz ter leituras demoradas, mesmo em seus livros mais curtos, mas esse li em poucas horas, em apenas um dia. Claro que ele é curtinho, mas não foi apenas por isso.
  Aqui voltamos a Castle Rock, cidade fictícia onde se passam diversas histórias do autor, e para queles que são leitores assíduos do autor dá um gostinho de casa e nostalgia, pelo menos foi assim comigo.
  Conhecemos Gwendy quando ela está com doze anos, ela se esforça bastante com logas corridas, inclusive escada acima para perder seus quilinhos sobressalentes, esperando que assim também perca os apelidos pejorativos e deixe de ser alvo de bullying na escola. Um belo dia Gwendy encontra um homem misterioso, um homem que quem já leu A Torre Negra, Os Olhos do Dragão ou A Dança da Morte vai reconhecer rapidamente, esse homem lhe dá uma pequena caixa de botões e explica rapidamente para que servem, na caixa há um botão representando cada continente, um botão negro, que ela só pode apertar uma única vez e um vermelho que faz o que ela quiser e pode ser apertanto tanto quanto queira. Além dos botões a caixa tem também duas pequenas alavancas, uma de cada lado, ao puxar uma ela recebe um dólar de prata antigo mas brilhando como novo, mais tarde descobrimos que cada um desses dólares de prata valem cerca de seiscentos dólares cada, e o valor aumenta com o passar dos anos. Puxando a outra alavanca Gwendy ganha um animalzinho de chocolate minúsculo, um chocolate delicioso, melhor que qualquer um que ela já experimentou, mas que fornece uma ótima sensação de saciedade, que faz com que ela não queira comer mais de um por dia.
  A partir de então vemos os anos passando e Gwendy protegendo a dita caixinha, comendo chocolates e colecionando moedas valiosas, Gwendy cresce e muda, parece que tudo no mundo começa a ficar a seu favor, vira uma jovem bela e popular e tudo vai de vento em popa, até ela resolver testar os botões da caixa.
  Como já disse, é um livro curto, fluido e que mesmo tendo acontecimentos macabros consegue ser uma história quase fofa, nos afeiçoamos a Gwendy com sua curiosidade e responsabilidade, nos questionamos de porque raios o Homem de Preto deu essa caixa para ela e torcemos muito por ela quando as coisas começam a desandar.
  A edição da Suma está primorosa (e, felizmente, cortaram o preço pela metade) ele contém belas ilustrações e a capa colorida combina bem com o clima da história meio sessão da tarde e, por mais incível que possa parecer, aconchegante.
  É uma bela história sobre amadurecimento e responsabilidade, sobre guardar segredos e de certa forma sobre amizade, sobre pessoas ruins que corrompem crianças e sobre o medo de que segredos sejam revelados. A doação da caixa para Gwendy e o absoluto pavor que se apoderava dela com a possibilidade de que alguém descobrisse a existência da mesma me pareceu uma metáfora para uma criança violentada, que muitas vezes esconde o fato e o simples pensamento de que alguém descubra a deixa horrorizada, os presentinhos da caixa também me pareceram uma alusão as promessas e ameaças que crianças nessa situação, por vezes recebe.
  Enfim, é um livro que vale muito a pena e que pode carregar diferentes sentidos dependendo da ótica com a qual você o ler, e mesmo que voc^não procure sentidos subentendidos (que forma sem graça de ler...) a história em si também vale cada minuto da leitura.



Talvez você goste de:



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...